14/12/15

parabéns ao meu menino.

Talvez a magia de conhecer alguém resida no facto de nunca podermos prever o próximo passo; olhamos uma e outra vez, falamos uma e outra vez, e continuamos sem fazer ideia do impacto que um dia aquela pessoa terá nas nossas vidas. Talvez essa seja também a pior das torturas: o querer lembrar, o desejar ter começado a absorver antes cada instante passado, cada palavra, cada vírgula, porque há sempre mais um espacinho da memória onde cabe mais alguma coisa, mais um pormenor capaz de nos entorpecer todos os dias; é exatamente isto que eu sinto por ti.

Quando, há um ano atrás, te escrevi nos teus anos, achava-nos por um fio; achava que podia contar em minutos o tempo exato até que as curtas e estreitas ligações que tínhamos criado entre nós se quebrassem de repente e nos separássemos de vez. Achava, inocentemente, que de facto não teríamos mais nada para dar um ao outro do que conversas longas sobre nada em particular. Mas, felizmente, enganei-me - e hoje estou aqui, novamente nos teus anos, porque a melhor prenda que te posso dar neste momento é o que de mais puro e verdadeiro sinto por ti.

Lembro-me do tempo em que te pedi que nos afastássemos porque estava a perder o controlo do que sentia. Lembro-me do quanto fiquei apavorada quando me apercebi de que gostava um bocadinho mais de ti todos os dias, de que passava mais tempo a pensar em ti do que o suposto, de que não tinha por onde escapar. Lembro-me de ter achado que fugir-te era uma solução, que fazer de conta que nunca tinhas existido na minha vida era a melhor hipótese - e, de facto, talvez por esta altura já nem me lembrasse de quem eras, talvez já não tivesse importância, talvez fosse mais fácil não gostar de alguém que vive longe. Talvez - ou talvez não; és demasiado raro para seres fácil de esquecer. Demasiado especial para que eu queira sequer ousar perder-te.

Não gosto de ti porque é fácil ou porque dá jeito - gosto de ti apesar de ser estupidamente difícil e de não dar jeito nenhum. Gosto de ti porque ainda tens o poder de me surpreender, porque és doce mesmo no meio de toda a amargura dos últimos tempos, porque consegues ver o meu melhor e o meu pior lado sem desatares a correr, porque sabes como me acalmar e o quanto eu preciso da tua voz para adormecer, porque me mostraste que afinal os nomes foficoisos e pirosos também abraçam o coração de vez em quando. Gosto de ti porque me ensinaste a ser a tua ticas, mesmo nos dias em que eu não te mereço, mesmo quando não me mereces. Gosto de ti porque ficas, porque estás sempre lá, porque nunca houve outra pessoa que me fizesse sentir tão sortuda por ter o prazer de a ter comigo.

Ninguém me garante que de hoje a um ano eu te vou voltar a dar os parabéns de coração cheio e com a certeza de que és uma das minhas pessoas preferidas - mas também ninguém me pode garantir que não o farei daqui a cinquenta. Talvez a magia seja mesmo esta: não saber de nada, mas não fugir daquilo que deixa o nosso mundo mais bonito. E, não tenhas dúvidas: se eu pudesse escolher entre ti e uma vida mais fácil em que o meu coraçãozito não estivesse a bater tão longe de casa, eu escolher-te-ia a ti, apesar de tudo. Continuaria a escolher-te a ti, contra todas as adversidades, contra todas as dificuldades de sermos nós - porque é de ti que eu gosto, porra. Ou melhor: é a ti que eu adoro do fundo do meu coração, para qualquer eternidade que seja nossa.

Obrigada por tudo o que és, por tudo o que me fazes ser.
Muitos parabéns, meu amor.

2 comentários:

Luna disse...

Fiquei com as lágrimas nos olhos. Fiquei. E não sou uma gaja que chora do nada. Revejo-me tanto nisso, principalmente na parte da distância,e só estou nessas andanças há pouco tempo. Felicidades, miúda!

esperto que nem um alho disse...

Daqui por 50 anos? Porra, ninguém merece! ahahah
Parabéns! :-)