Afastou-se porque não lhe sou indiferente? Epá, não. Isso segue a mesma lógica do marido que bate na mulher porque a ama; não faz sentido nenhum. Nenhum mesmo. Ainda não é esta verdade que me preenche as medidas, e eu sou chata porque não abdico dela.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
nem sei se ria ou se chore
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
em dois minutos
Um dia disseram-me que o mundo seria um lugar melhor se toda a gente tivesse metade da minha sinceridade bruta. Na altura, achei que esse era um daqueles elogios que se fazem quando não há mais nada de bom a salientar, do género és feia como os cornos mas ao menos és boa a fazer panquecas!, ou qualquer coisa assim.
Afinal é mesmo verdade. Era mesmo bom que as pessoas soubessem ser mais sinceras.
Ou a pessoa.
(estou cansada, já disse?)
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domingo, 5 de outubro de 2014
recomendações da gerência
No geral, não me é assim tão difícil aceitar um não - sou capaz de ficar meio triste, como toda a gente, sou capaz de ficar meio aborrecida, mas aceito-o porque faz parte. Digam-me que não, mandem-me embora e eu vou; sou capaz de desaparecer das vossas vidas que nem um peido ao vento e, prometo, não deixo rasto.
Não me deixem é sem resposta. Não me digam que me querem nas vossas vidas para depois desaparecerem sem explicar porquê. Não vão embora sem dizer adeus - se eu me lembrar de fechar a porta, não há volta a dar.
aprendizagens lentas e dolorosas
Respirar fundo andes de atacar porque raramente as coisas são assim tão lineares. Tentar ser mais querida em vez de me passar, mesmo quando a minha vontade é ligar-lhe aos gritos. Confiar mais. Só isso. Confiar.
o amigo dele
Tenho-me estado a controlar ao máximo para não lhe dizer que acho que ele tem perturbações psiquiátricas graves ainda não diagnosticadas e que devia procurar ajuda médica. Pode parecer maldade mas eu acredito piamente nisto; nunca vi ninguém tão mau e com tamanha capacidade para mentir. Geez.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
cartas que acabei por enviar
Neste momento, os dias parecem-me demorar semanas a passar - habituei-me tanto a ti em tão pouco tempo que me esqueci, em menos de nada, de como era acordar e não te ter na minha vida.
Dizer que lamento adianta? Dizer que estou arrependida adianta? Sei que não dás muito valor à palavra dita, e menos ainda à escrita, mas neste momento esta é a única ponte que ainda existe entre nós, e eu recuso-me a deixá-la ruir sem tentar que me ouças. Ou que me expliques o que se passou realmente. Por isso sim, lamento tudo o que disse e não podia estar mais arrependida. Eu disse-te que era uma cabra, lembraste? Era a isto que me referia. Ataco, sem pensar duas vezes, assim que me sinto ameaçada. E tu representavas um perigo enorme para mim.
Desde que desapareceste dos meus dias que eu vivo em sobressalto; uma mensagem, uma chamada, e o meu coração dispara - mas nunca és tu. Do outro lado, nunca é a tua voz, nunca são as tuas palavras, nunca são notícias tuas, e eu começo a estar cada vez mais consciente de que já não te importas. Isso magoa-me tanto, mas tanto!
Se houve alguma coisa que me ensinaste é que ainda há pessoas que valem a pena. Ainda há pessoas por quem vale a pena derreter, afinal. Ainda há pessoas de quem não se pode desistir sem oferecer resistência, e tu és uma delas - e aqui estou eu, a escrever isto a meio da noite, sem saber ao certo em que momento terei coragem de o enviar, mas certa de que o quero fazer. E não vou desistir, aviso-te já. Hás de receber tantas cartas minhas quantas me apetecer escrever, até que alguma delas te sirva de motivo para reagir. Ou até que entendas que estava a ser sincera.
Nunca te disse isto, mas passava a vida a perguntar-me quem é que teria sido suficientemente anormal para te fazer tanto mal. Para te perder. Um dia, tive a minha resposta - eu também o fiz. Desculpa. Devia ter-te avisado de que eu sou uma coleção interminável de problemas, mas tive medo de que desistisses de tentar resolver o quebra-cabeças em que os anos me foram transformando. À medida que te ia conhecendo, comecei a achar que poderias ser a chave. Queria que o fosses.
Lembro-me muitas vezes de ti. Da forma como te rias, dos momentos em que me parecias um puto indefeso e do quão adorável eu achava o amor que tens por essa cadela. Do quanto eu me surpreendia todos os dias, quando, como sempre, eu pensava o pior e, mais uma vez, tu me davas uma lambada de luva branca. De como foste a única pessoa em quem eu consegui confiar desde o início.
Estou certa de que já não pensas em mim como eu penso em ti, mas aprendi com o tempo que dizer o que sentimos por alguém é um dos presentes mais preciosos que lhe podemos dar - e eu sinto a tua falta. Todos os dias.
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terça-feira, 30 de setembro de 2014
há umas semanas atrás
eu: estás com dores no ovário, é?
momento de silêncio
ele: deixaste-me confuso... eu tenho ovários?
Para que vejam o meu nível de sadomasoquismo, esta conversa foi tida há semanas com um rapazinho que agora me quer perfurar os orgãos vitais, com razão até, mas isto continua a fazer-me rir tanto que tive de garantir que não me esquecia nunca. Foi tão mas tão totó e tão queridinho ao mesmo tempo que... awwwn, que puta de saudades.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
em jeito de confissão
Já tomei uma decisão e já voltei atrás outra vez; por qualquer motivo, não consigo organizar as ideias durante mais do que meia hora seguida sem que alguma coisa me volte a abalar as certezas, ainda demasiado frágeis, que vou tendo. O problema é que sei que não tenho muito mais tempo para hesitações, para estar armada em nem-fode-nem-sai-de-cima, e o que quer que eu decida fazer, tem de ser já. E, na dúvida, não o posso deixar ir sem voltar a tentar; sei que vou conhecer muitas mais pessoas e que algumas serão um milhão de vezes melhores do que ele mas, neste momento, é ele que me parece das melhores pessoas com quem algum dia me cruzei. É dele que eu quero ir atrás.
Posto isto, e porque neste momento o mail é mesmo das poucas formas que me restam para chegar até ele, acabei por ter uma ideia um bocado estranha, dois bocados pirosa e muiiito à filme; lembrei-me de uma amiga que disse que, se pudesse, se casava comigo só para eu lhe escrever cartas bonitas, e ocorreu-me que isso podia resultar. Ocorreu-me escrever-lhe sempre que os meus surtos de insanidade mental me atacassem e eu não conseguisse mais conter-me. Ocorreu-me ir-lhe contando como é que me estou a sentir da maneira que melhor me sei expressar. Ocorreu-me escrever-lhe tantas vezes quantas forem necessárias até que alguma coisa aconteça. Ocorreu-me tentar explicar-lhe, de mansinho, tudo o que ele nunca me deu oportunidade de explicar.
Sei que, provavelmente, ele não vai ligar e que fodi demasiado as coisas para ele ainda se deixar levar por meia dúzia de palavras bonitas, mas também sei que não sei ser de outra maneira. Que, se é para me mostrar exatamente como sou, como me sinto um peixe na água e dizer, palavra por palavra, como me sinto, só escrevendo - e se, mesmo assim, nada disto resultar, se ele continuar sem conseguir acreditar em mim, eu deixo o cansaço e o orgulho ganharem. Mas agora não - ainda não. Não desta vez.
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sábado, 27 de setembro de 2014
hoje
Estava à distância da chamada que preferi nem tentar fazer - ao invés, deixei que a minha cabeça cansada se convencesse de que seria suficiente voltar ao sítio onde o vi pela última vez, como se o simples facto de voltar a pisar os trilhos por onde um dia caminhámos, lado a lado, pudesse servir de uma espécie de chamamento telepático. E então, sentei-me, de olhar vazio e coração mais vazio ainda, à espera, sem esperar, que o saramago tivesse razão quando escreveu que sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.
Infelizmente, não é verdade. Ou talvez tenha sido eu quem não soube esperar o suficiente - um dia, engulo o orgulho e ligo mesmo.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
se ainda aqui estiveres
(amanhã. amanhã eu estou lá - sei que, inevitavelmente, lá irei procurar por ti. por uma oportunidade para remendar o erro que cometi, por uma oportunidade de me explicar. devia ter-te avisado de que sou um quebra cabeças. um molho de problemas demasiado complicados. desculpa - devia ter-te dito que é sem mim que estás melhor, que não há diabo que me faça mudar e que eu sou demasiado difícil de entender. devia ter-te confessado que descodificar a minha mente seria o desafio mais estranho e complexo da tua vida - nem eu sei o que quero, nem eu sei onde vou. mas sei o que sinto, e sobre isso não minto. desculpa. estou lá amanhã; no mesmo sítio. e sei que lá voltarei na esperança de te voltar a ver; preciso disso. preciso de ti.)
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
esses momentos
Há alturas em que pedir desculpa já não adianta, porque dizer que lamentamos já não apaga nada do que foi dito e feito e é preciso, acima de tudo, aprender a pensar antes de falar. Mas, neste momento, não há retorno. Não há volta a dar.
Eu sei que vou voltar lá. Sei que me vou voltar a sentar num qualquer banco daquele jardim, dizendo a mim própria que só quero ficar sossegada a ler como fazia no tempo em que aquele lugar não me trazia nada em específico à memória. Ninguém. E sei que vou dar por mim a passear ao longo do paredão, a espreitar por cima do ombro de três em três segundos, na esperança de que o acaso o arraste até lá só para eu poder dizer, olhos nos olhos, em que ponto exatamente é que eu estava a falar a sério e quando é que foi a raiva a falar por mim. A culpa não é dele - entendo-o agora. Sou eu quem não está preparada para qualquer tipo de relação; estou escaldada, demasiado ferida, e não sei confiar. Sou um barril de pólvora e lamento por todo o mal que as minhas explosões causaram. Lamento por tudo o que disse, mas não posso voltar atrás. Não posso. E, por mais que me custe, é assim que estamos bem: longe.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
orgulho ferido
Depois de dias a deprimir pelos cantos da casa, acabei por me decidir a cortar o mal pela raíz e tratar disto como deve ser - puff puff, acabou. Recuso voltar a humilhar-me para tentar que percebam que estou a ser sincerta, como sempre estive - e então saio por cima, com tudo dito e tudo feito. Mas eu sou orgulhosa para caralho e está a custar-me, muito mais do que gostaria de admitir, lidar com a vitória do anormal que só descansou quando me teve completamente fora do caminho.
Ou ele é gay e está desesperado para tentar meter a unha no rapazinho ou tem só problemas graves do foro psiquiátrico. Seja de que maneira for, ganhou. E nós deixámos. Ou ele, vá. Enfim.
Agora é fazer de conta que nem me cruzei com nenhum deles. Estou cansada e farta de ser posta em causa. Ah pá, tchau aí que eu tenho consulta às cinco.
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a malvadez alheia
Quando achamos que já vimos um bocado de tudo, percebemos que há sempre algo pior para acontecer - e eu estou estupefacta com a maldade humana. Estou em estado de choque desde que percebi a que ponto é que alguém consegue chegar para garantir que faz alguém mais infeliz do que a ele próprio.
Eu estava bem. Estava mesmo muito, muito bem - conheci uma pessoa absolutamente incrível. Alguém por quem não estava apaixonada mas sabia que era uma questão de tempo; sabemos sempre quando estamos em perigo nestas coisas, e sabia que tinha ativado o alerta vermelho poucos dias depois de o ter conhecido.
Isto veio dar razão àquela ideia de que o melhor é nunca contarmos a ninguém quando estamos felizes - um suposto amigo do rapazinho conseguiu meter veneno a torto e a direito. Conseguiu convencê-lo de que eu estava a mentir quando dizia que não havia ninguém, que a minha pseudo-relação ainda não tinha acabado. Que eu era, basicamente, uma puta. Pois, eu. Claro claro.
Não contente, decidiu envenenar-me a mim também e, confesso, mesmo já estando à espera de que ele o fizesse, ele conseguiu abalar as minhas certezas. Conseguiu levar-me. É mesmo bom no que faz, perfeito para jogos psicológicos. Em menos de nada, era eu quem já acreditava que tudo aquilo tivesse sido uma invenção do rapazinho para se livrar de mim - como é que alguém que não me conhece pode ser tão bom a acertar onde mais me dói? Não sei. Mas estou parva com tamanha maldade. Passo a vida a dizer que sou uma cabra mas, entendo-o agora, sou uma santa - sou má como as cobras quando me pisam os calos, mas sou incapaz de fazer mal a alguém deliberadamente. Só porque estou infeliz e quero que todos o sejam. Só porque me apetece.
E pensar eu que cheguei a defender o gajo - de uma cajadada só, ele destruiu tudo com o rapazinho e ainda podia ter arruinado a minha amizade com a patrícia. Como é que alguém consegue ser tão mau, tão mesquinho?
Enviei há pouco a última mensagem ao rapaz. A última de todas - apaguei o número dele, disposta a fazer o que ele me pediu; deixei-o em paz. Definitivamente. Para sempre - porque, creio, mesmo depois de ter enviado o maior email que algum dia escrevi que, além de um texto aqui publicado na íntegra, continha outros pormenores que não interessam para aqui e que me custou não sei quantas lágrimas a escrever, com a verdade mais nua e crua que consegui meter em palavras, ele continuou sem acreditar em mim. E eu mereço melhor do que isso - foda-se, acusem-me de tudo menos de ser pouco sincera! Isso eu não admito a ninguém.
Agora é recompor-me e seguir em frente. Não tenho muito mais a fazer - juro que já imaginei mil e uma maneiras diferentes de partir os dentes ao gajo, mas eu sou meio metro mais pequena do que ele e, apesar de gorda, a minha força esqueceu-se de aparecer. Resta-me desejar-lhe um futuro cheio de hemorróidas e unhas encravadas. E, claro, muita solidão - porque há pessoas que não merecem poder chamar alguém de amigo, e ele é uma delas.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
again and again
Às vezes a verdade parece ter oito mil frentes diferentes e torna-se imperativo decidir se vamos tentar escrutiná-las a todas até descobrir o que precisamos ou se nos limitamos a virar as costas e a correr na direção oposta.
Fugir é mais fácil mas nunca vai ser solução. É por isso que eu sou aquela chata que move montanhas para chegar onde for preciso ir. Alguém está a mentir - sei em quem quero acreditar mas não sei em quem posso fazê-lo. E agora? Estou cansada, tão cansada, e longe, tão longe, do fim disto.
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saiam-me da frente, caralho
Não sou pela violência nem tenho tendência para ir à procura de problemas - mas tenho uma língua afiada e é realmente difícil alguém me conseguir calar.
Ora, eu estou chateada, entediada e triste para caralho, e o amiguinho adorável do rapaz, que decidiu inventar a teoria brilhante de que a minha pseudo-relação ainda não acabou, dizendo que estas eram palavras da minha rica bichinha, decidiu meter conversa para saber como vão as coisas entre mim e o moço. Está-se mesmo a ver que alguém vai sair desancado, num é? Pois.
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sábado, 20 de setembro de 2014
a.
Sabes quando estás na prancha mais alta, cheio de vontade de saltar para piscina, mas tens medo de que alguma coisa corra mal e te fira mortalmente? Foi mais ou menos isso que senti. Desculpa - sou muito mais fraca do que quero fazer parecer que sou. Ou que quero acreditar ser.
Tu és o tipo de pessoa incrível a quem dá vontade de perguntar por onde andou a minha vida toda e reclamar uma compensação pelo tempo que perdemos até nos encontrarmos. A combinação de tudo o que eu podia pedir em alguém, e um bocadinho mais - ou dois bocadinhos. Três. Mil. Não sei.
A verdade é que nunca conheci ninguém tão genuíno e muito menos alguém que fosse capaz de me desarmar em menos de nada. A pessoa que não conheceste, a patrícia que eu era antes de ti, nunca se teria rendido em menos de nada. Nunca teria sido capaz de confiar em ti em tão pouco tempo. Mas tu soubeste domar esse lado eternamente fugitivo sem sequer te dares conta - é mesmo muito fácil gostar de ti. Demasiado fácil.
Confesso - entrei em pânico quando me apercebi de que me ia apaixonar por ti num abrir e fechar de olhos. Sabia que, por mais que tentasse oferecer resistência e obrigar-me a reparar nas cicatrizes sulcadas que ganhei de todas as outras vezes, eu conseguia aprender a gostar de ti antes sequer de ter tempo para organizar as ideias e descobrir porquê. Na realidade, os porquês das paixões são sempre o que menos importa, porque são lugares perigosos. E tu eras o perigo perfeito - nunca tinha conhecido ninguém tão sensível, tão puro, tão querido, tão simples, tão sensato. E bonito. Acho que nunca te cheguei a agradecer pela forma como lidaste comigo naquela noite - podias ter feito o que quisesses, e escolheste fazer a coisa certa. Talvez tenha sido exatamente essa a atitude que te empurrou para o pedestal mais alto onde algum dia te teria conseguido meter.
Senti-me sempre louca pela forma como me sentia em relação a ti, até ao dia em que disseste que te tinha acontecido exatamente o mesmo; parecia impossível. E, naquele dia, sentados frente a frente, eu não conseguia dizer nada porque teimo em tropeçar nas palavras quando não escritas - mas menti-te. Não era só a vergonha que me impedia de falar; estava completamente absorta nos meus pensamentos. Algum dia olhaste para alguém e sentiste-te realmente com sorte por estares ali, à distância de um braço, dela? Foi isso que eu senti naquele dia. Queria ter sabido dizer-to, mas não fui capaz - não sou boa a lidar com sentimentos. Desculpa-me outra vez mas, acredita, se eu tivesse dito exatamente o que pensava, até a cusca da mulher que não tirava os olhos de cima de nós teria saído de lá a chorar. Mas sou cobarde.
Se te estiveres a perguntar isso, sim, estou mesmo muito arrependida por tudo o que disse. E pela falta de confiança em ti que me levou a ir confirmar se era ou não verdade o que me tinhas dito - lamento ter-me intrometido nas tuas coisas. Lamento, mas a culpa não é tua - é daquela voz que vive dentro da minha cabeça e passa a vida a relembrar-me do quão feia, gorda e inútil sou. Do quanto eu não valia nada ao teu lado e do quão provável seria acabares por te cansar de mim e descobrires alguém mil vezes melhor. Também tenho os meus fantasmas - já to disse. Assim que te senti a distanciar, percebi que tinha de fazer o que sei fazer de melhor; fugir. Fugir antes que me fujam. Rejeitar antes que me rejeitem. E, sobretudo, desconfiar de todos os que digam sentir alguma coisa por mim - especialmente se forem como tu. Desculpa - já pedi desculpa? A culpa é minha, mas eu deixo-me envenenar com pouco e tudo confirmava as minhas suspeitas. Tudo me serviu como prova perfeita e eu não sei controlar o que penso. Tenho de o dizer. Sempre.
Não estou certa de que algum dia chegues a ler isto mas, se chegares aqui, quero agradecer-te. Quero agradecer-te por tudo o que, mesmo sem saberes, fizeste por mim. E, pela milionésima vez, quero pedir-te desculpa por não saber confiar. Acredita que serás a sorte da vida de quem ficar contigo - e lamento por todas as que te perderam. Incluindo-me.
Disse-te que ter-te conhecido foi um erro, mas estava a mentir - ou, se o tiver sido, acredita que foi o erro mais certo da minha vida. E eu voltaria a cometê-lo todos os dias, até ao fim.
o que dói mais
A pior coisa que alguém pode fazer-vos é convencer-vos de que fazem diferença na vida dele, para depois vos trocar em menos de nada. Não digam não me magoes se são vocês quem vão magoar. Não digam não desapareças se são vocês que vão desaparecer.
Não digam nada, vá. Se não tiverem a certeza, calem-se. E se tiverem, também.
Ninguém merece ser levado do céu ao inferno em menos de nada.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
dessa gente que não vale a pena
As pessoas dizem que vos querem ver felizes, mas nunca mais felizes do que elas próprias - e eu juro que estou pasma com o nível de mesquinhez a que alguém consegue chegar para garantir que, se ele não tem sorte, outros também não a terão.
É mais ou menos por isto que eu confio em tão pouca gente - as pessoas, no geral, não valem nada. E, meus amigos, se estiverem felizes, não contem nada a ninguém. Deixem-se ficar caladinhos e nem se mexam muito - há gente para tudo.
Se eu não fosse capaz de meter as mãos no fogo pela minha rica bichinha, provavelmente a esta hora já lhe teria arrancado o fígado e dado aos porcos. Temam pelo desgraçado que nos meteu em causa.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
isso
Na maior parte do tempo, eu estou-me a cagar para o que os outros pensam de mim e tanto me faz que gostem ou não - mas, de repente, dei por mim completamente desesperada para que alguém acreditasse na minha palavra. E descobri que me magoava que ousassem sequer desconfiar.
Admito que me apontem todos os defeitos e mais alguns, menos que me acusem de ser pouco sincera. Isso eu tenho a certeza absoluta de que não sou - aliás, na maior parte do tempo, sou-o em demasia e nem sempre isso joga a meu favor. E se há coisa sobre a qual eu não mentiria é em relação ao que sinto - sabe deus as doses industriais de orgulho e de insegurança que eu tenho de engolir só para assumir que alguém mexe comigo, quanto mais dizê-lo da boca para fora, só porque sim. Pois sim, claro.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
parecendo que não
[não importa quantas vezes eu diga que sou fria e insensível - a minha vulnerabilidade começa no mesmo momento em que alguém consegue mexer com os meus sentimentos. transformo-me noutra pessoa, nem sempre melhor, e perco-me por aí. perco-me num mar de sonhos e noutro de medos, e volto a ser a menina desajeitada que tropeça nas palavras e nunca sabe bem o que fazer a seguir. de tanto medo de falhar, falho sempre. falho mais. e lamento isso - quero tanto aprender a fazer as coisas certas. quero tanto acertar-me. e sinto as entranhas a contorcerem-se numa dança frenética de cada vez que me imagino a ter, finalmente, a oportunidade de o abraçar. mesmo sabendo que o mais provável é eu estar demasiado nervosa para o fazer. mesmo sabendo que teria medo de sequer lhe tocar sem ter a certeza de que podia. mesmo estando certa de que nesse momento nem do meu nome me conseguisse lembrar - eu tenho tanta, mas tanta vontade de abraçar aquele rapaz que o mais provável é cumprimentá-lo e fugir a seguir. nunca soube lidar com um coração acelerado.]
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