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sábado, 10 de janeiro de 2015

je ne suis pas charlie

Quem tem famelga lá pelos reinos da frança sabe o que é ter o coração apertadinho, apertadinho.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

sobre as viagens ao ipo com a prima

Não é preciso ser-se um génio para perceber, através do relatório inicial, que o caso é grave - mas, entre consultas adiadas, exames adiados, reuniões onde não se chegou a conclusão nenhuma mas onde se descobriu que há grandes hipóteses de o cancro se ter já mestatisado, o que até era dito no tal relatório, passaram-se quase três meses e, com um bocado de sorte, a biópsia é hoje. E digo com sorte porque os enfermeiros estão em greve, e fazem eles senão bem porque não são os familiares deles que estão a morrer.

Como se não bastasse, o médico diz que o resultado demora e só depois decidem que tratamento adequado. Repito: caso grave. Três meses.
Mas dá para não desesperar?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ser eu é isto

- sofiaaaaaa!
- ohhh, olha a minha francesa!
- então perdeste-te cá por portugal?
- olha a mana mais nova está cá!

Foi mais ou menos assim que decidi começar a usar uma plaquinha com a minha identificação em todos os sítios onde possa encontrar gente conhecida, assim naquela de, pelo menos, conseguirem fazer de conta que já sabiam da minha existência. Afinal, 19 anos são um piscar de olhos e é mais ou menos normal que ninguém saiba que existe uma patrícia e passem a vida a confundir-me com a minha tia. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

recomedações da mãe

Se alguém ligar, atende com voz grossa!

Pois mãe... acho que temos um problema.

sábado, 23 de agosto de 2014

ou porque tenho a melhor família de sempre

Compreendi que era demasiado evidente que eu estava na merda quando, depois de me perguntar o que é que eu queria beber e eu ter dito que só queria um fino, o meu tio olhou para mim com cara de esta está louca e me perguntou tens a certeza de que não queres nada mais forte?

Acho que depois deste verão vou ter de me inscrever nos alcoólicos anónimos. 

that evil side

Tentei convencer um primo, de quem não gosto muito, de que um ralador manual servia para coçar as costas. Se eu já vou para o inferno de qualquer maneira, porque não dar-me ao luxo de ser cabra à vontade?

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

dos dias fodidos

De todos os sítios onde gostava de ir com a minha prima, acompanhá-la a uma biópsia não era opção. Mas lá terá de ser. Resta-nos aquela réstia de esperança que digam que é mentira - apesar de o diagnóstico já ter sido feito há muito. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

e o mundo volta ao eixo certo

Às duas otárias que há meses gozam comigo por causa da noite em que tiveram o prazer de me ouvir reproduzir a orquestra nacional de serrotes: as princessas também ressonam. A minha monstrinha que o diga.

sobre a insegurança

Apesar de não ter tido mais do que três anos de francês, ainda no básico, onde se aprendia pouco mais do que a tentar fugir da constante explosão de perdigotos da stôra, os livros e as férias lá pelos reinos da baguette conferiram-me uma certa fluência - sério, juro que até me desenrasco muito bem a falar francês. O único problema é mesmo a vergonha; sou incapaz de falar francês à frente dos meus tios porque tenho medo de me enganar. Já com os monstrinhos é na santa paz de nosso senhor - sou quase tão tagarela quanto eles e o difícil é calar-me. 

furacão monstrinhos - dia 1


Escusado será dizer que tenho uma queen size mas, graças à monstrinha mais linda do mundo e aos 927830903 peluches que ela me trouxe para a cama, vou ter de dormir de lado e tentar não me mexer muito se não quero ir de focinho ao chão. Mas vale a pena. God. Vale tanto a pena!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

por alturas do furacão monstrinhos

Pedi dois - vieram os cinco monstrinhos franceses e a real famelga em peso. Escusado será dizer que este blog vai andar mais às moscas do que as vossas partes baixas, num é?

sábado, 9 de agosto de 2014

e eu sei que eles não tiveram filhos

Sempre soube que a minha famelga era pior do que os coelhos e que havia gente com a sorte de partilhar dos meus genes em tudo quanto é sítio - mas, até há uma semana atrás, eu não fazia ideia do quão gigante é realmente a minha família e da quantidade de primos que tenho.

Começo a ponderar pedir que me façam uma árvore genealógica detalhada porque temo mudar-me para o outro lado do mundo e acabar por me casar com um primo em 290303º grau. Ao menos, se tudo correr bem, irmãos não tenho - se tiver, mudo o meu nome para maria eduarda e vou ter filhos (ainda) mais deficientes do que a mãe.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

medo é

Até há poucos dias, eu sentia-me exageradamente alta.
Entretanto, descobri que a minha prima tem a minha altura. E tem 11 anos.

one week to go

Não importa quantas piadas estúpidas se façam acerca dos emigrantes - chega sempre aquela altura em que, todos os que esperam alguém de fora, começam a contar os dias, as horas, os minutos. E neste momento, minhas alforrecas, falta uma semana para começar aquela época meio louca em que nunca se sabe onde vamos a seguir ou onde vamos dormir. Ou se vamos dormir.

No fim, estamos todos mais cansados do que antes das férias mas posso jurar que sou (muito) mais feliz com os meus monstrinhos aqui. A sério que sim.

*fim do momento foficoiso, obrigada pela atenção*

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ouvi ontem

Entrei numa loja e estava a passar a takata, do tacabro, que é daquelas músicas de que eu não gosto mas que me sabe a 2012 e a um verão passado lá pelos reinos franceses. No que toca a saudosismo, sou portuguesíssima.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

depois do exame

Eu e a minha progenitora somos opostas em quase tudo mas, felizmente, temos em comum essa necessidade constante de mudar tudo à nossa volta. Não conseguimos estar muito tempo no mesmo lugar sem trocar o sítio a tudo.

Decidimos que estava na hora de redecorar a sala de jantar. Pintar paredes com cores diferentes. Tirar tudo do lugar e encontrar-lhe um novo - por agora, cabe-me a mim e nada me poderia deixar mais feliz. Tenho a cabeça num turbilhão e, haja quem entenda a puta da mania, nada me acalma mais do que desarrumar para voltar a arrumar. Gente, estou confusa mas estou bem. Estou mesmo muito bem.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

manias

A principal evidência de que, apesar de consideravelmente alta, eu sou a anã da família é que, quando o banco do condutor está ajustado para mim, mais ninguém se consegue sentar lá sem o chegar (muuuuuuuito) para trás antes de sequer entrar. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

em pausa

Irrita-me que ela diga que tem um tumor maligno no fígado como quem diz que tem uma constipação. Irrita-me porque isto me tem doído todos os dias, desde que sei, e não quero que ela brinque - ou quero. Quero que me diga que é mentira, que está forte e saudável como sempre, que tudo isto é um pesadelo. Mas não diz. E sei que nem adiantaria dizer porque é mentira - então, ontem, enquanto almoçávamos frente a frente como se estivesse tudo bem, como se não houvesse esse monstro debaixo da cama a ameaçar ceifar-lhe a vida, dei por mim a pensar que, dentro de algum tempo, ela poderá já não estar ali. E dói; dói-me tanto imaginar o mundo sem ela que tive de desviar o olhar antes que desatasse a chorar. Tem mesmo de ser assim?

sapiência sempre me fez pensar em sapos

Não faço ideia se é ou não verdade que as coincidências têm algum significado - mas acredito que as coisas não acontecem por acaso e, se há alguma coisa que retive do dia de ontem, foi que não vale muito a pena tentar prever.

Se me tivessem dito, há precisamente um ano atrás, que me ia acontecer metade das coisas que me aconteceram nos últimos meses - meus amores, enviava-vos para o caralho com carta de recomendação que era um mimo. Mas as coisas mudam - e a vida dá reviravoltas alucinantes. De um dia para o outro, o mundo está do avesso - e, de vez em quando, isso é a melhor coisa de sempre.

Outras não, claro. Não posso dizer que este está a ser o meu melhor momento porque não está - mas tenho tentado passar por cima disso. Tenho 19 anos e, se tudo correr bem, uma vida pela frente - preciso de relaxar e de tentar não chegar aos 25 toda encarquilhada e a precisar de mais peelings do que a lily caneças. O que tiver de ser, será, por muito que me doa não saber muito bem o que fazer agora. Por muito que exista esse fantasma a tempo inteiro de perder (mais) uma pessoa importante. 

As coisas mudam. Mudam sempre. O que hoje nos parece o fim do mundo, daqui a um ano pode soar-nos a anedota - acreditem nisto porque eu juro que é o que me está a acontecer agora. E isso, essa mudança permantente, essa instabilidade, essa certeza de que tudo é absolutamente incerto, é o que faz valer a pena viver mais um dia, a ver no que dá. A ver no que vai dando.

terça-feira, 8 de julho de 2014

amanhã

Vou com a minha prima ao ipo - e gostava de estar tão calma quanto me mostro quando me vêm com a história de que mais valia ir outra pessoa a acompanhá-la porque eu não vou gostar do que vou ver. Gostava que esses eu tenho 19 anos, não 5! me apaziguassem e me dessem a força que eu finjo ter, mas não dão. Confesso que estou com medo do que vou ouvir e a forma como vou reagir a isso. O importante é não chorar, não é? É. O importante é fazer de conta que tudo se resolve. Mesmo quando a esperança é pouca.