terça-feira, 7 de janeiro de 2014

curta e grossa

Deixarem-se levar pela maré, é um erro; a corrente tanto vos pode levar para a mais afrodisíaca das ilhas, quanto matar-vos brutalmente em menos de nada. Contrariem-na. Contrariem tudo, contrariem todos - nadem contra ela, tentem chegar ao sítio onde querem realmente ir. Não se conformem, pelo amor de deus. Não há um lugar especial no céu para os conas insossas que passaram a vida debaixo das asas do destino. Não se deixem ir. Ou melhor: deixem. Deixem-se ir, mas na direção que querem. E nunca, em circunstância alguma, se desviem da vossa rota. Não ajam por conveniência, não se controlem, não se domem. Sejam. Sejam o que são.

E se essa busca vos for fatal, tanto faz. Antes isso do que morrerem com os cornos esborrachados numa rocha enquanto acreditavam que o destino, deus nosso senhor e os anjinhos todos vos iam servir a felicidade numa bandeja de prata.

unholy confessions

Por mais que me tente lembrar do que é que poderá ter motivado isso, não me consigo lembrar de nenhuma razão que justifique o facto de eu morrer de medo do mar desde pequena, e entrar em pânico sempre que não tenho pé. Desconfio que os meus pais me tenham tentado afogar quando se aperceberam de que eu ia ser uma lontra faminta a vida toda, mas não tenho a certeza. Só sei que é frustrante como a merda e que todos os santos verões me apetece esbofetear-me a mim mesma pela minha falta de coragem.

E não, não sei porque me lembrei disto em pleno inverno. A patrícia é um ser estranhíssimo, lidem com isso.