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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O meu problema é que eu continuo a não me achar merecedora das coisas boas - ainda estou aqui a achar que é muito bem feito que tenha acabado assim, que mereço cada lágrima que me cai compulsivamente dos olhos - eu e a minha mania de gostar das coisas, eu e o meu vício de acreditar na felicidade.

Eu nunca tive sorte: não nasci para viver contos de fadas e para ser feliz por aí. Já devia ter aprendido que tudo o que é bom tem um prazo de validade muito curto na minha vida.
E já devia saber que era exatamente assim que ia acabar.

e já arruinei tudo

Deveria existir um prémio nobel atribuído a pessoas que tivessem o dom de estragar tudo quanto lhes fizesse bem. 

Era a única forma que eu tinha de ganhar alguma coisa na vida.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

dia sim dia não

Sentei-me à beira mar, a tremer de frio - de todos os lugares do mundo, este continua a ser o meu preferido nos dias em que não sei de mim. Como hoje.

Apetece-me perdir-te desculpa, uma e outra vez, todos os dias, por ser um poço de problemas, por não saber como ser tão leve e tão simples como tu, por não conseguir encarar os sentimentos de frente e deixar-me ir: a vida é um ir e vir, como as ondas deste mar que vêm e vão ao encontro dos meus pés, mas nunca chegam a tocar-me a alma, e eu temo isso em ti. Temo não suportar ver-te ir embora no dia em que perceberes que eu não valho o esforço.

O frio enregela-me os ossos: perco-me num casaco demasiado grande para mim. As mangas, compridas demais para os meus braços, deixam a descoberto as pontinhas dos meus dedos que procuram, ansiosamente, as tuas mãos para aquecer as minhas. Mas não estás: frio como outubro, gelado como a água do mar, permaneces demasiado longe para que eu te possa tocar. Tenho medo de ti na mesma medida em que te admiro: tudo em nós é contraditório e, quando ninguém está a ver, admito a mim mesma que temos tudo para acabar mal. Mas tento, ainda assim, que acabe bem.

Culpo-te um bocadinho mas apetece-me pedir-te desculpa logo a seguir. Sou má a confiar, em ti e em mim; olho-me ao espelho e tenho mais medo outra vez - medo de que os meus modos simples te envergonhem, medo de que te sintas embaraçado ao meu lado, medo de nunca ser suficientemente boa, inteligente, bonita. Medo de que percebas que eu não sou mais no mundo do que qualquer um destes grãos de areia que o vento arremessa contra mim. Medo de que percebas de que sou nada e que nada valho, embora me sinta tudo ao teu lado. Tenho medo de gostar de ti - medo de que o teu espírito livre e leve te arraste para longe de mim se algum dia eu gostar demais. E ainda não gosto?

Sentei-me aqui hoje porque não sabia de mim, e aqui continuo porque não sou capaz de me achar: tenho um milhão de perguntas na cabeça, um milhão de dúvidas que mal me deixam respirar. A vontade de te fugir só é equiparável à vontade que tenho de esquecer o mundo e de me perder nos teus braços: trouxeste-me a luz de volta, depois de meses e meses de trevas, e é exatamente isso que me faz temer-te tanto. Sinto que não me entendes, apesar de tudo. Sinto que ainda não percebeste a raíz das minhas inseguranças e o quanto eu preciso de alguém que me segure na mão e não largue até eu ganhar pé.

Desculpa, mas gosto de ti - e isso é quase como estar perdida, em alto mar, e nunca saber muito bem se me vais salvar ou se me vais afogar.
É por isso que não posso ficar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

my merda de feitio and i, take 2

O problema é que eu não me limitei a cancelar os planos para o fim de semana - eu também já acabei com tudo o que há entre nós. Na minha cabeça, já encontrei 928920 frases perfeitas e essenciais para que ele entenda exatamente o porquê de eu estar zangada e de querer mandá-lo de volta para o útero da mãezinha dele, e isto vai durar exatamente até ao momento em que eu ouvir a voz dele.

Embora me apeteça mais cair num rio cheio de crocodilos do que acabar com isto

my merda de feitio and i

Nunca senti a minha instabilidade e a minha insegurança tão à flor da pele como desde que ele apareceu na minha vida: estou sempre a querer ir e a querer ficar ao mesmo tempo. Estou sempre zangada  e derretida em simultâneo; nunca sei o que pensar e, às vezes, acho que estou melhor assim. Outras não.

Os fins de semana servem-me de reforço positivo nos dias maus - e hoje devia ser um dia bom mas estou estupidamente desapontada outra vez e já decidi mandá-lo às couves. Ele ainda não sabe que cancelei os planos na minha cabeça, porque o plano é o mesmo de sempre: fugir antes de me magoar. E, inevitavelmente, magoar-me exatamente por isso.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

.

[no dia em que te despediste com um adoro-te, pela primeira vez, tive medo.

nunca te disse, mas sou muito esquisita com as palavras; mais do que qualquer outra coisa, gosto que estejam arrumadas, ordenadas, cada qual no seu lugar, cada qual no seu tempo. e tive medo - arrepiei-me - porque senti que era cedo demais. porque temi que, com a pressa de sentir, sentíssemos tudo de uma vez e nos esgotássemos as hipóteses. tive medo de não ser sincero - mas depois percebi o que querias dizer.

sempre odiei casais pirosos - desses que andam por aí de mãos dadas, que se beijam em público, que se abraçam só porque sim. achava desnecessárias e exibionistas as demonstrações de carinho à frente de toda a gente: depois apareceste tu e deste-me a mão. apareceste tu e abraçaste-me enquanto eu estava a ouvir a tua banda preferida. apareceste tu e beijaste-me, no meio de tanta, de toda, a gente, só porque sim. apareceste tu e começámos a ser um casal piroso. e eu gostei disso.

apareceste tu e não me vou esquecer de ti: não me vou esquecer dos abraços prolongados, carregados de saudade, de carinho, de desejo. apareceste tu e não me vou esquecer dos teus beijos na testa, na bochecha, no cabelo. apareceste tu e prometo guardar para sempre os sussurros, trocados quando nem seria preciso sussurrar, só porque tudo parece melhor quando o mundo somos só nós. apareceste tu e eu tenho medo todos os dias, medo de me ligar demasiado, medo de me magoar outra vez, medo da incerteza de um vamos ver no que dá. medo de que percebas que mereces melhor contrabalançado com o orgulho de, ainda assim, me teres escolhido. 

foi quando apareceste que aprendi que há coisas que têm de ser ditas na hora em que se sentem, sem guardar para depois: amanhã talvez eu já não goste de ti, mas hoje sei que foste a bonança por que eu tanto ansiei depois de meses e meses de tempestade. sei que foste o melhor possível em muitas - tantas - situações. e obrigada por não teres desistido de mim, mesmo depois de perceberes que sou terreno minado. obrigada.

mais tarde, também me despedi com um adoro-te. e acredita quando te digo que adoro mesmo.]

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

percebe isto

A minha confiança é como um castelo de cartas construído em cima de um vibrador em funcionamento. 

E tu teimas em metê-lo no máximo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

- Podemos ficar assim para sempre?, sussurraste.

[Houve mil e uma tempestades antes de chegares à minha vida, mil e um dias em que me questionei sobre o mal que eu teria feito a esse deus de quem tanto falam para me sair sempre em sorte tanto azar. Houve mil e uma preces por dias mais felizes, por pessoas melhores, por momentos em que alguém me fizesse crer que todas as tormentas são recompensadas, mais tarde ou mais cedo. Mas, perdida no teu abraço, não existem dores nem tempestades, nem dias maus nem recordações dolorosas: existe uma espécie de paz. Um refúgio.

No teu abraço, não há fantasmas: existes tu a plantar-me beijinhos na testa, na cabeça, na bochecha, e a lembrar-me de que não preciso de ter medo, a dizer-me que gostas de mim e que vai correr tudo bem. Não me sobra espaço para temer o que me fazes sentir quando sussurras, junto aos meus lábios, que eu sou especial. Que sou bonita. E, pela primeira vez, sinto que alguém me vê realmente dessa forma. Pela primeira vez, acredito - e essa vai ser sempre a tua maior vitória.

Ajeitei a cabeça no teu ombro e apertei-te mais contra mim: fomos rápidos a acertar o passo, a aprender a encaixarmo-nos um no outro, a entrar em sintonia. Descobrimos gostos e manias com a sagacidade de quem tem pressa de absorver tudo num instante - e, no entanto, deixámos tanto, mas tanto, para depois. Para não esgotar as hipóteses, para não estragar o encanto. Para apreender com o tempo. Para precisarmos de mais tempo - e eu estou a adorar passá-lo contigo. Gostar de ti é um desafio constante: ainda temos muito de nós para domar. Ainda há muito de nós que falta enquadrar - e, mesmo assim, já está quase perfeito. 

Nunca te poderia agradecer o suficiente por não me teres deixado ir na altura em que te tentei fugir - espero nunca fazer com que te arrependas disso. Espero que te orgulhes por me teres feito ficar. E fazer-te tão bem quanto me tens feito a mim.]

- Por mim sim - respondi-te. Por mim, ficávamos assim para sempre.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

isto é tão ridículo que me apetece bater a mim mesma

Ele ainda não sabe, mas afinal já não vamos estar juntos no fim de semana. E porquê? Porque ele está quase sempre online e hoje esteve 8h seguidas offline, e então eu decidi fazer filmes na minha cabeça - algures entre o romance e o porno - e zangar-me. Melhor: não lhe comunicar a zanga. Não lhe dizer nada até que se aperceba de que cancelei os planos.

E porquê? Porque sim. Porque sou gaja - a mais complicada da história das gajas complicadas. E porque tenho um feitio de merda que nem eu consigo domar; não confio. Não há nada a fazer.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ainda não lhe contei que tenho um blog

[não te vou mentir: às vezes ainda me apetece fugir. apetece-me fugir exatamente na mesma medida em que te quero agradecer por não deixares. por teres aparecido na minha vida. às vezes quero fugir-te porque tens um sorriso adorável e porque o teu abraço é o meu novo lugar preferido; repito para mim o mantra não te apaixones, não te apaixones, não te apaixones, como se acreditasse realmente que está ao meu alcance impedir-te de me tocares o coração. 
não te vou mentir: às vezes também tenho medo que me fujas. lidar comigo é como viver em terreno minado: assusto-me, temo a minha própria sombra, temo os meus sentimentos. e os teus. mas depois vens e o mundo é mais bonito outra vez: e é a minha mão que se perde na tua, e é a minha cabeça contra o teu peito, e são as tuas palavras a fazer-me sentir.
não sei quanto tempo vais ficar na minha vida - não sei se serei corajosa que chegue para não te mandar embora. mas sei, tenho a certeza, de que és a resposta às minhas preces.

obrigada. 
obrigada por seres a coisa boa que eu tanto pedi.]

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

agosto de 2016

A fase da vida de uma 'çoa em que a frase mais romântica que se pode ouvir é...

*rufam os tambores*

és um pokemon raro. raríssimo.

Da saga: socorro, estou interessada num nerdzinho!

este feitiozinho de merda

Podia escrever-vos sobre o quão bom foi o meu primeiro encontro oficial, que podia - mas, ao invés, também posso contar que o meu feitio danado fez das suas: uma gaja ligou-lhe. Atendeu, disse-lhe que lhe ligava em seguida e nunca mais aconteceu. Eu fiquei calma, aceitei a explicação de que já estava à espera da chamada da criatura, mas o nome ficou-me gravado na mente.

E então, como boa gaja que sou, expert em stalkarismo, apressei-me a iniciar uma pesquisa avançada sobre a vida da gaja. 
Encontrei uma foto deles, juntos. Há mais de um ano. E a foto é inocente mas o meu cérebro não e os comentários não são conclusivos - nham nham nham de certeza que têm um caso, nham nham nham de certeza que eles estão juntos agora e que é por isso que ele não responde, nham nham nham estou zangada da vida.

A miúda vive longe dele pra caralho mas nem isso ameniza a dose de ciúmes, de insegurança e de vontade de acabar já com isto antes que acabe comigo.
Não há cu que me entenda.
E é exatamente por isto que ele nem sonha que eu tenho um blog.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

gajas

Ele continua convencido de que invento desculpas para não estar com ele porque não estou interessada - estou para ver a cara dele quando eu arranjar coragem para lhe explicar que só adiei o encontro porque não tinha o cabelo em condições para ter um encontro.

Ó deus.

domingo, 21 de agosto de 2016

perks of being complicada pra caralho

A vantagem de ter este feitio retorcido, de mostrar as garras de dois em dois minutos, de deixar assente que dou muito trabalho e que estou bem longe de ter a cueca aberta ao público é que, quando alguém passa por todos estes testes de fogo e continua a querer estar comigo, não há espaço para dúvidas: a pessoa quer mesmo estar comigo.

E tem uma coragem do caraças.