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segunda-feira, 2 de julho de 2018

aos 23

Gosto de poder dizer que nasci numa noite de verão, embora, talvez, ainda nem tivesse anoitecido completamente, embora, talvez, nem estivesse assim tão quente. Nunca perguntei, porque há coisas que preferimos não saber para podermos manter o sonho, e para que possa escrever a minha história com um início poético mesmo que a minha vida tenha tido sempre tão pouco de poema.

Hoje, já são vinte e três. 
Vinte e três anos completos, vividos num carrocel, como todas as outras pessoas - não, não sou a última bolacha do pacote, não sou a mais sortuda nem a mais azarada, a mais feliz ou a mais sofrida. É um carrocel. Uma montanha russa - queixamo-nos todos do mesmo, e ainda bem. 

Chego aos vinte e três de bagagem pesada, e grata por tudo o que vem dentro dela. Mesmo pelos medos, pelas dores, pelos dias em que achei que pouca diferença fazia se respirava ou não - é uma sensação estranha, esta. Uma conclusão improvável depois de tudo, mas hoje até me sinto grata por ter vindo com defeito lá da fábrica dos bebés, por me ter sentido diferente durante tantos anos. Até por todas as vezes em que me senti mínima, ínfima, menos que nada. Em que achei que não valia a pena, que seria sempre a anormal. Estou grata, porque o que dói também nos faz crescer, também nos molda, também nos ensina - e, perdoem-me a presunção, mas estou muito contente com a maturidade com que chego aos 23. Lamento ter demorado tanto tempo a perceber isto, tudo o que mudou em mim, com tudo o que cresceu e, acima de tudo, com a pessoa em que me tornei - e não, esta não é uma sessão de autopromoção, é para não me permitir a esquecer disto. De que cheguei aqui, e de que me orgulho disso.

A vocês, só interessará isto: hoje, já são vinte e três.

domingo, 1 de julho de 2018

(não quero dizer nada, mas julho é o meu mês favorito)

No ano passado, fui para o somnii em sofrimento: estava doente, assim à beira de cuspir um pulmão, tinha um ouvido tapado e, como se não bastasse, já que trabalhava no hospital, a única forma de conseguir ir foi saíndo do turno da noite no primeiro dia de forrobodó, e trabalhar mais 16 horas, seguidinhas, na segunda feira seguinte - ou vá, das quatro da tarde de segunda até às oito da manhã de terça - para poder ter o sábado e o domingo para abanar o cu no areal.

Não me bastassem estas condições tão favoráveis à diversão, esqueci-me por completo de que sou uma senhora de idade, cuja coluna não permite estar tanto tempo em pé no mesmo sítio, o que me levou a um desespero de que não gosto sequer de me lembrar. Estava, portanto, bastante rabugenta e com vontade de correr à lambada todas as amáveis criaturinhas que, (quase) com idade para serem minhas filhas, me mandavam fumo para cima, para o caso de eu ainda não estar a tossir o suficiente.

Saímos de lá, eu e ele, a jurar para nunca mais, a prometer que este ano iríamos arranjar um programa alternativo para esta época. Ou seja, como é óbvio, tirámos o bilhete para o somnii em fevereiro. 

A (menos de) uma semana do evento, a pessoa já está aqui em ânsias, mesmo que vá ficar com raivinha dos dentes a olhar para crianças seminuas a comemorar a passagem para o sétimo ano, mesmo que se vá sentir velha, mesmo que vá ficar em desespero porque estas costas já vão no 86º aniversário, no mínimo. Sei lá. Não tenho desculpa para continuar a gostar tanto disto - e vai com culpas mesmo, que o que importa é abanar o cu.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

parecendo que não, já só faltam 5 meses!

Se há coisa de que me orgulho bastante é da consistência das minhas decisões. Ainda no ano passado, por exemplo, saí do somnii a dizer que foi muito bom mas não voltava porque, parecendo que não, a idade já pesa nas costas e a pessoa começa a sentir-se mal misturada com miúdas, que podiam ser minhas filhas, ali a aguentar o frio à força só para poderem mostrar as carnes ao povo - ah, sim, frio na praia, no mês de julho e no meio de, literalmente, milhares de pessoas! Nem é bom lembrar.

Portanto, tendo decidido não ir este ano, parece-me óbvio que estejamos em fevereiro e aqui a pessoínha já tenha comprado o passe para os três dias, assim logo no primeiro lote de bilhetes porque, apesar de estúpida, é sovina que dói e sabe que não estaria disposta a pagar mais do que pagou. E também sabe que, se tiver a sorte de ir para lá em melhor estado do que no ano passado, vai gostar, que vai.

De momento, ainda só há três confirmações mas é positivo que nenhuma delas seja os caricas, o panda ou a xana toc-toc. Vai correr tudo bem.

domingo, 28 de dezembro de 2014

esse momento

Em que os planos para a passagem de ano ficam seriamente ameaçados e uma pessoa começa a ponderar esquecer a bebedeira e passar a noite a fazer uma maratona de harry potter. Vamos fazer de conta de que não me importo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

1 day to go

Perdi o entusiasmo todo - mais um bocadinho e perdia a vontade de ir. Resta-me só aquele fiozinho de esperança de que acabe bem.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

2 days to go

Dias e dias a dramatizar e agora dou por mim estupidamente desapontada por uma súbita mudança de todos os planos que me afasta da probabilidade de dar merda. Mas ninguém percebe que eu gosto é de agitar as águas? Ah pá.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

reconstituindo a noite de sexta, fragmento a fragmento*

- sou o joão.
- odeio joões! são todos uma merda. 

*também responde à pergunta porque é que não tens amigos, patrícia?

domingo, 7 de setembro de 2014

na sexta

Acabei a noite com a bicha e mais três rapazinhos mas, como um estava a arrastar a pata para a bicha, fiquei até às seis e meia a falar ininterruptamente com os outros dois. Tenho a sensação de que me repeti mil vezes e de que eles se aperceberam do meu atraso mental - não me lembro de metade, mas sei que lhes disse que me chamava ernesto e era trolha.

Não me lembro de, em algum momento, lhes ter dito o meu nome verdadeiro.

sábado, 6 de setembro de 2014

num bebas auga

Confesso - quando a música acabou e o rapazinho me pediu o número, eu estava tão atordoada lho dei sem oferecer grande resistência. Actually, eu queria voltar a vê-lo; ele era giro e foi super simpático. Porque não?
Para facilitar, pedi-lhe que me mandasse um toque. E ele mandou. Gravei o número com o nome.

Em menos de nada, tinha começado a avalanche de mensagens mas, talvez devido ao meu estado, só horas depois é que eu reparei que o número com que ele me enviava sms não era o tal que eu guardei com o nome dele.

Foi mais ou menos nessa altura que eu me apercebi de que não faço ideia de quem é o número que adicionei aos contactos com o nome dele, ou se terei trocado o nome em algum contacto já existente. Só sei que, quando liguei, quem atendeu foi uma mulher.
Se tudo correr bem, não se chama alexandre.

welcome to the jungle

Eu acho que vou encerrar este verão com uma inscrição nos álcoolicos anónimos - juro que nunca fui dessa gente que bebe para esquecer, mas sabe deus o quão fodido é sair à noite deprimida, a música ser uma merda e uma gaja poderar cortar os pulsos no meio daquilo. E então, iniciam-se as excursões ao bar, o que tem acabado sempre mal para o meu lado.

Acabei agarrada ao telemóvel, claro está, a ser eu própria e a dizer tudo o que tenho calado de enxurrada, bruta que só eu, com três mil chamadas pelo meio e oito mil vai-te foder. Ia chorando, senhores, ia chorando com o encerramento oficial de um capítulo que nunca devia ter existido. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

sozinha é que eu não fico

Ou corre bem e eu acabo agarrada ao gajo, ou corre mal e eu acabo agarrada ao copo. Tanto me faz. Haja álcool e a ver se eu não danço, até ao som da desfolhada!

um dia vamos ter saudades disto.

Chegámos a casa já de manhã, devia passar das seis, meio surdas, com muito álcool à mistura e completamente atordoadas depois de uma noite que não se poderia ter revelado mais surpreendente, para as duas. 

Deitámo-nos, com os cobertores por cima das cabeças, e obriguei-nos a sussurrar durante mais de uma hora sobre todos os acontecimentos das últimas horas, só naquela de evitar que os meus pais ouvissem os relatos da noite porque, oh hell, há coisas que só se contam a quem lá esteve para ver, num é?

Depois de quase termos sufocado, fui à casa de banho e acabei por descobrir que estávamos sozinhas em casa.

Passaram-se quase 3 meses e ela continua a ter vontade de me matar sempre que se lembra.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

vou cortar os pulsos


Acabei de ver o resumo dos dois melhores dias do verão. Só isso. Aiiiii ó tempo, volta para trááááás!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

algures, na noite

De um lado ficam os que trauteiam a seven nation army com o típico oh-oh-oh, e do outro lado fica a patrícia, que canta a música toda. Não nasci para ser das multidões.

domingo, 27 de julho de 2014

auto-controlo

Saí à noite de sandálias e acabei, na linha da frente, com um gajo aos saltos em cima do meu pé. Se não fosse um amigo do rapazinho ele teria acabado a noite em cima de uma coluna.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ao ver fotos do sunset

Estou dividida entre o ohhh, que pena que não tenho nenhuma foto e o ainda bem que não há registos fotográficos. Acho que é mesmo melhor assim. Coisas muito más poderiam acontecer.

no sábado

Um amigo meu, depois de ter constatado que me estavam a transformar num burro de carga porque eu era a única que tinha mala no nosso grupo e toda a gente tinha alguma coisa para atirar lá para dentro (sério, eu nunca fui pelas marcas mas, verdade seja dita, as eastpak, além de boas, parecem não ter fundo), decidiu ser fofinho e oferecer-se para a levar.

Estava tudo bem até eu lha ter tirado, a rir-me muito mais do que me orgulho, enquanto estávamos na fila para sermos revistados onde, ainda por cima, separavam o gajedo das pilas ambulantes. Tudo para que a criatura não fosse humilhada - mas ia adorar ver como é que ele explicava ao segurança a abundância de maquilhagem e tampões na suposta mala dele.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

estou nostálgica, aturem-me

Ironia é ter pesadelos com tsunamis quase desde que me lembro de mim e depois perceber que às vezes tsunami também é um sonho. Tipo na sexta - e eu juro-vos que se o vídeo fizesse jus aos dvbbs acho que perceberiam do que falo.

podemos voltar?

Não quero saber se vocês já estão ou não cansados de ler sobre o sunset, porque eu vou continuar a deprimir, vou continuar a querer repetir aqueles dois dias, e vou continuar a mostrar-vos vídeos... porque eu estive lá e foi awesome.

domingo, 13 de julho de 2014

juro

Saímos sozinhas e acabámos num grupo enorme, só de gajos, que de repente já pareciam conhecer-nos há anos e se tornaram super protetores em relação a nós, sem qualquer tipo de interesse. E isso foi tão mas tão awesome - continuo a achar que, e contra mim falo, os gajos dão mil a zero a qualquer gaja. 

Não estou habituada a ser uma bicha sociável que faz amigos em qualquer lugar - mas fui, gente. Nestes dois dias, fui e soube-me pela vida essa facilidade em encontrar um grupo. Soube tão bem, geez.