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domingo, 25 de junho de 2017

das coisas que não entendo

Há uns tempos, dediquei-me a ver vídeos de maquilhagem - a ideia era, única e exclusivamente, inovar e deixar de usar sempre a mesma combinação, que uma pessoa também enjoa. Como criatura básica e pouco prendada que sou, pesquisei por maquilhagens simples e looks naturais - é aqui que o drama começa. 

Caramba, no título diz "look natural para o dia a dia", e no vídeo a mocinha diz que precisamos de base, primer - desconhecia a existência de tal coisa - corretor de olheiras, iluminador, bronzeador, blush, rímel, eyeliner, quatro sombras diferentes, um revirador de pestanas, um lápis para contornar os lábios, um baton mate, um gloss para estragar o efeito mate, três mil oitocentos e quarenta e três pincéis diferentes, uma pena de galinha preta, um olho de lobo da alsácia e excrementos de morcego albino.

No fim, exibem uma cara de boneca de cera - simples e natural, não é?

Temo pelo dia em que vou ver um vídeo de uma maquilhagem elaborada.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

2017

O mundo está minado por pseudo-feministas raivosas de sofá; popicam os posts referentes às criaturas asquerosas que os homens são, montam-se manifestações a proclamar a igualdade de direitos, mulheres querem-se com pêlo, mulheres querem-se a arrotar em público, mulheres querem-se a mijar em pé. Não faz sentido mas, se os homens podem, nós podemos! *palmas de um público histérico*

Somos tão boas quanto eles - perdão! -, somos mil vezes melhores do que eles! Tudo porque não deixamos a tampa da sanita levantada, sabemos de cor dois mil truques para tirar nódoas com vinagre branco e até já nascemos a saber que os putos não se podem lavar na máquina. Mulher que é mulher faz o que lhe apetecer, usa o que lhe apetecer, faz o que lhe apetecer, mas ai do cabrão do homem que a olhe durante mais de cinco segundos seguidos - elas juntam-se todas e gritam violação. Aparece a cmtv, aparece a polícia, aparece o marcelo e ainda vem o papa dar um ar de sua graça: tudo porque, aquele homem nojento, com idade para ser pai dela, violou os seus direitos ao observá-la. Sentiu-se violada, ultrajada, uma puta, coitada, sem ter feito nada por isso. E o pobre homem, que por acaso até via mal ao longe, vai preso, ela sente-se vingada e vem para as redes sociais escrever sobre como não precisa dos homens para nada.

No entanto, depois disto tudo... experimentem, mas experimentem só, serem o gajo e não se oferecerem para pagar a conta da princesa.
Ah, meus amigos, já se foderam - a gaja gosta muito de independência mas é só para o que convém.

(quase quase 22 anos depois... continuo a achar que devia ter nascido gajo)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

the vag life

É certo que o meu lado mais girly não é muito diferente do lado girly de qualquer homem mas, ainda assim, há já uns anitos que ganhei o hábito de me maquilhar regularmente e gosto disso. No entanto, eu maquilho-me sempre, rigorosamente sempre, da mesma forma: base, eyeliner e rímel. Só.

Quer vá sair com alguém especial, quer vá a uma festa qualquer, a um casamento ou comprar ovos ao supermercado, vou sempre mascarada de panda (ah, o drama do eyeliner) a todo o lado, mantendo o trio primordial: base, eyeliner e rímel.

Entenda-se que para mim já foi um grande avanço começar a usar base em pó para fixar a líquida e sabe deus o tempo de demorei a conseguir meter o rímel - serviu-me de orgulho ter um talento inato para o eyeliner mas, mesmo assim, volta e meia passo por aquele drama de querer só um risquinho e acabar com o risco preto quase na testa porque aquela merda nunca fica igual nos dois olhos.

Agora, o problema é outro: meti na cabeça que está na hora de mudar. Que talvez não fosse assim tão má ideia aprender a maquilhar-me como gente grande e deixar de usar sempre a mesma coisa - mas o drama começa quando a pessoa vai ver vídeos de maquilhagem e se perde no meio de tantos pózinhos diferentes, que nem o diabo sabe para que servem, e fica sem entender muito bem porque é que parece ter de possuir 3192 pincéis diferentes. Além de que o resultado me parece sempre exagerado, demasiado artificial, uma fusão entre a belle dominique e o joker - a única coisa que eu queria era uma maquilhagem simples e discreta, não era ir a um baile de máscaras.

Desisto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ser mulher também é

Ser portadora de genitália feminina é algo bastante mais complexo do que se possa pensar - porque uma parte da gaja não se deixa afetar por aí além, mas a outra parte está a remoer num comentário absurdo que foi mal interpretado, e a gaja tem consciência de que o foi porque sabe que o moço não diria o que a gaja percebeu que ele quis dizer. 

E fica ali, horas, de molho, mergulhada noutro disparate sem sentido porque é insegura até dizer chega  e tem tanto asco do próprio corpo que tudo faz o triplo do sentido se se convencer de que os outros sentem o mesmo.

ser mulher é

Não sabes se vai acontecer, mas já tens três outfits escolhidos para o evento - um para se estiver mais frio do que o suposto, outro para se estiver a chover e, como não poderia deixar de ser, aquele carinhosamente escolhido para o caso de os astros estarem alinhados e quererem cooperar -, já escolheste a cor das unhas, o penteado e só não treinas o sorriso e as deixas porque sabes que é absolutamente inútil e, na hora, nem do teu nome te vais lembrar.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

singularidades

Há um bichinho que vive na cabeça das mulheres e que serve, essencialmente, para plantar a dúvida. A pessoa até pode ter o lado mais racional a dar o litro para impedir esse bicho de fazer-se ouvir - mas ele existe, está lá, e gosta de nos fazer passar pelas loucas que não somos.

Por exemplo, um dia o moço trata-vos pelo segundo nome, por acaso. O vosso primeiro pensamento é que giro... ninguém mais me trata assim! Mas depois surge o bicho, o tal filho da puta que gosta de fazer sobressair o lado mais feminino e maníaco que há em cada uma de vocês, e vem-vos à ideia...



- foda-se! mas quem é a filipa?!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

mulher que é mulher

A pessoa pode até não ser de vinganças, que não é, nem tão pouco de desejar mal às pessoas porque o karma é um filho da puta e a pessoa não precisa de mais problemas - mas há um gostinho especial, assim a roçar a felicidade sádica, em constatar que aquela gaja que nos fez mal está cada vez mais gorda.


Vou ficar aqui a ver-te rebolar.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

tpm para totós

Ok, agora vai, eu vou emagrecer!




Olha... há comida ali!


Eu não devia ter comido isto.


Sou uma gorda miserável, só penso em comer.


Vou acabar sozinha com 27 gatos.


E gorda.

aconteceu!

Estão a ver aquele moço, giro que só ele e absolutamente adorável, que foi da vossa turma no secundário e vocês já imaginavam um casamento na praia, um apartamento envidraçado e oito monstrinhos de berço a chamarem-lhe pai? Aquele gajo que é tão querido que uma pessoa arranja uma maneira de ficar com ele nos trabalhos de grupo, pede-lhe explicações de matemática, de biologia, de mandarim, se for preciso, só para o ouvir? Ah. Eu tive uma tara dessas - no meu 12º ano, era meio louca pelo meu coleguinha de carteira.

Para variar, as coisas nunca deram em nada - o mais perto que estivemos de ter uma relação íntima foi aquela vez em que ele se riu tanto que caíu ranho na nossa mesa, e eu senti que podia ser o início de uma bonita história de amor. Mas não deu, claro.

Hoje, percebi porquê.
Hoje, anos depois, descobri o que me faltava.


Podíamos ter sido felizes... mas ele é gay.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

sobre o nervosismo

A pessoa pensa em oito mil outfits diferentes e conclui que nenhum a convence - dois segundos depois de entrar em stress, vai para a cama e deixa na mão de deus.

Amanhã.
Amanhã eu vou acordar e saber exatamente o que vestir, sem trocar doze vezes de roupa antes de sair de casa. Sem me arrepender antes de chegar ao fim da rua.
Amanhã.

domingo, 11 de dezembro de 2016

nasci para ser homem

Gente que consegue pintar as unhas sem que pareça que tal tarefa foi desempenhada por um cego com uma trincha: you rock.

Um dia eu também vou ser assim. Até lá, vou continuar a sentir-me à beira da depressão de cada vez que olhar para as unhacas.

sábado, 5 de novembro de 2016

estou preparada para combater hipoglicémias por este mundo fora

Há meses que deixei de meter açúcar no café e que passei a ser mais uma dessas gajas gajíssimas que atiram os pacotes para o fundo da mala. 

Por acidente, a minha mão passeou por esse recôndito misterioso e descobriu que, a avaliar pela quantidade de pacotinhos que a minha mala alberga, devo estar quase a conseguir fazer um bolo com o açúcar que vou trazendo dos cafés.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

o gajo ideal

Acreditem quando vos digo que ser gaja a tempo inteiro é muito mais desgastante do que qualquer emprego: há uma certa bipolaridade inerente à condição, e isto é muito mais complexo do que se possa imaginar.

Por força de todas as catástrofes sentimentais que deus nosso senhor me mete em mãos, só para gozar com a minha cara, acabei por me aperceber de algo sobre mim mesma, que acredito que seja comum ao restante gajedo que habita este mundo: inconscientemente, tenho uma lista mental daquilo que seria o gajo perfeito.

Baseada nas experiências anteriores, uma pessoa começa a pensar ah, eu não gostava que este só me mandasse mensagem de três em três dias, então quero um que faça questão de saber diariamente se eu ainda respiro. Ou uhmmm, de cada vez que este gajo sai à noite, eu imagino-o num festival de mamas saltitantes a fazer endoscopias com a própria língua a todas as criaturas portadoras de uma vagina, ou não, então eu prefiro um pacato que prefira o calor de uma lareira para passar o serão a fazer crochê. Ou ainda este aqui é cheio de manias esquisitas e pensa que os alperces são pêssegos pequeninos, quero é um simples que perceba estas coisas.

Um dia, minhas caras alforrecas, a magia acontece: livres que nem um passarinho, encontram o gajo ideal. O gajo que parece ter sido feito à medida das vossas exigências, o enviado especial de deus para satisfazer todos os vossos desejos e para fazer de vocês a mulher mais feliz do mundo.

E o que é que vocês sentem?
*badum tsssss*
Asco!

No more, no less: o gajo ideal existe, mas é mais fácil vocês imaginarem-se a ter uma noite louca com o Marco Paulo do que com a criatura em questão, porque ele é uma seca. O gajo ideal não dá trabalho nenhum, não vos desafia, não vos dá motivos para resmungar, e isso torna-o num molengão insuportável aos vossos olhos.

Estúpidas como só as gajas conseguem ser, preferimos sempre os patetas que nos dão problemas e que inspiram dramas intermináveis. A pessoa imagina sempre um romance foficoiso mas, no final das contas, prefere o caos - e um amor de faca e alguidar.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

esta coisa das malas

Quero deixar aqui, publicamente, um beijinho grande a todas as gajas que conseguem encontrar exatamente o que querem, à primeira, dentro da mala. 

Admiro-vos e invejo-vos: sabe deus quantas vezes eu já me senti à beira de um ataque cardíaco por não encontrar a chave do carro, o telemóvel ou a carteira: por mais que uma gaja seja pouco gaja, há sempre mais qualquer merda inútil para enfiar na mala. Sempre! Além do indispensável, uma gaja ainda atira para lá uma carrada de lenços de papel, um pacote de toalhitas, desodorizante, uma escova, perfume, toda aquela parafernália inerente ao gajedo - pensos, tampões, um unicórnio -, sacos para as compras, um casaquinho para se estiver frio, a dentadura que pertenceu ao tetra-tetra-avô, um alguidar, um aquário e um carro de mão.

Quando o telemóvel toca é um desespero; em primeiro lugar, uma pessoa até tem medo de enfiar a mão dentro da mala e acabar maneta, porque nem deus sabe o que para lá se esconde. Em segundo lugar, o mais provável é acabarmos a expor tudo - tu-do - o que carregamos connosco, porque a puta da mala gosta de brincar às escondidas.

E é por isso - gajas que sabem mesmo das vossas coisas! - que eu vos admiro tanto. E invejo, também.

terça-feira, 24 de maio de 2016

a mais profunda de todas as confissões

Eu podia ter nascido com um dom natural para ser gaja, como me parece ser comum à maioria das gajas dignas de se autodesignarem como tal. Ao invés, isto não é para mim.

Um dos meus maiores terrores é a depilação; não é por mal, mas eu tenho um qualquer problema muito grave que me impede de tirar todos os pelos quando me depilo. Sobra sempre uma fileira chata, teimosa, e em sítios improváveis. Sítios onde eu confirmei, mil e uma vezes. Sítios onde os pelos só se lembram de se mostrar à luz do sol.

E foi assim que aconteceu. Foi assim que ontem, de calções, tive de pedir socorro a uma colega que só entrava umas estações à frente. 
Ontem foi o dia em que eu me depilei no comboio.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

descansem, alforrecas!

Apesar do meu medo, sobrevivi ao ataque das esteticistas e safei-me relativamente bem. Graças a deus, não voltei para casa com umas unhas capazes de tirar um olho a alguém nem com coroas pirosas. Nem com unhas de gel sequer - e, confesso, respirei de alívio ao constatar esse facto.

Também pensei que iam estar bonitas e arranjadinhas, prontas a servir de orgulho a uma gaja tão pouco gaja que vai de férias dentro de dois dias. Qual quê? Mal saí da marquesa, a gaja fodeu-me uma unha do pé quando me calçou. 

As outras três, das mãos, destruí-as eu, numa ida à casa de banho. Mas eu tenho emenda? Pois.

domingo, 22 de maio de 2016

instala-se o pânico

Pareceu-me mesmo boa ideia ir fazer as unhas à borla, porque a pessoa é pobre e pouco talentosa no que diz respeito a essas coisas de gajas e dá mesmo jeito ter as unhacas arranjadinhas.

Agora, a umas horas do evento, começo a panicar ligeiramente. E se me fazem uma merda tão pirosa que eu acabo por as arrancar ainda no caminho para casa? E se me enchem de coroas e lacinhos e merdas horríveis? E se me fazem umas unhas bicudas, apropriadas para tirar o cerume do ouvido? 

Começo a temer desenvolver uma nova fobia.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

é sempre isto

Bloqueei-lhe as chamadas e as mensagens, arquivei as fotografias numa pasta oculta; passaram meia dúzia de horas e já estou a ponderar desbloquear as mensagens outra vez; as chamadas ficam registadas mas as mensagens não. E se ele tentar? E se a mensagem nunca chegar? E se...?

E se nada, cachopa burra.
Esta coisa de se gostar de alguém é só mais uma das muitas formas de se enlouquecer.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

ser gaja é isto

Prometi a mim mesma que não lhe atenderia se ele me ligasse.
Fiquei fodidíssima da vida por ele não o ter feito.

I mean... como é que ele vai saber que eu o estou a ignorar se não tentar falar comigo?

terça-feira, 19 de abril de 2016

ginecologista em casa

Ninguém me tira da ideia que as unhas de gel gigantes servem para raspar o útero.