Ter um namorado no dia de são valentim até deve ser giro, mas o que eu queria mesmo era um bichinho assim. E não, não me refiro ao que tem o risco ao meio.
Mostrar mensagens com a etiqueta a cinderela é má mas também se apaixona. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta a cinderela é má mas também se apaixona. Mostrar todas as mensagens
sábado, 11 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
escola para corações
Não é raro dar por mim a observar
casais de velhinhos e a perguntar-me de que massa é feita um amor assim:
enternece-me ver um par de cabeleiras brancas, duas mãos engelhadas enlaçadas e
os passos, mais ou menos curtos, dados lado a lado, como dois artistas
premiados que caminham em direção ao óscar: conseguimos
aguentar. Até que a morte nos separe.
Invejo essas histórias, talvez:
os casamentos de hoje já não são feitos para durar 50 ou 60 anos. O amor caiu
em desuso e os amores para sempre são um mito: os corações são mais bem educados
do que os próprios filhos, estão prontos para aniquilar o parceiro à mínima
falha, e cada relação não é mais do que a transição entre a anterior e a
seguinte. O amor não dura porque as pessoas não estão para se chatear e
desistem umas das outras porque dá menos trabalho do que lutar.
Não há amores perfeitos: mesmo
esses, os que duram, tiveram de se manter firmes quando a terra por baixo dos
pés estremeceu. É impossível que se tenham entendido à primeira. É impossível
que, mesmo ao fim de 60 anos de casados, não se desentendam de vez em quando –
mas não se amam menos por isso. É o que nos falta, a todos nós: a capacidade de
aceitar que não vamos concordar com tudo o que o outro faz, e não há mal nenhum
nisso. Faz parte.
Vivemos descontentes, sempre com
sede de mais. Queremos gente perfeita, que ande ao nosso ritmo, que ouça a
mesma música, que pense de igual forma, que goste tanto de bacalhau com natas
quanto nós. Treinamo-nos para gostar de quem nos preenche todas as medidas, de
quem consegue satisfazer todas as nossas exigências. E, quando conseguimos,
aumentamos a lista e partimos para outra.
Podemos estar loucos de amor por
um homem que sabe fazer massa como ninguém, mas um dia acordamos e percebemos
que isso não chega: queremos um homem capaz de fazer massa como ninguém e o
melhor arroz do mundo. Ficamos descontentes, achamos que merecemos mais do que
um inútil que sabe fazer massa mas não percebe nada de arroz – deitamos tudo a
perder e partimos para outra.
Se algum dia encontrarmos o
expert em massa e arroz, vamos lembrar-nos de que nos faltam batatas e ninguém
pode viver só de massa e arroz: passamos a vida toda à espera de um poiso
certo, saltitamos de um lugar para outro, destruímos os nossos sítios felizes e
ensaiamos uma infelicidade baseada no descontentamento injusto dos que acham
que o mundo tem de se render a seus pés. Não tem. A sério.
No que toca a sentimentos faz-nos
falta o descontrolo. O gostar só porque se gosta, como se gosta. Porque sim – e
gostar muito, apesar de não nos conseguirmos entender com a quantidade de sal
na sopa, apesar dele não gostar da roupa que eu uso, apesar de me enervar que
chegue a casa tão tarde. Gostar aceitando que se pode gostar muito sem se
gostar de tudo – talvez seja esse o princípio para que não se antecipe o fim.
E este texto poderia ser para uma
pessoa em especial, mas não é – é para todos, incluindo para mim mesma, como
nota futura: exigimos demasiado até daquilo que nos faz felizes porque
acreditamos sempre que poderíamos ser muito mais. O mal está em racionalizar,
em comparar, em misturar razão com emoção, em pesar prós e contras, em
quantificar o inquantificável: deixem-se de merdas e sejam felizes.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
paixões e outras merdas
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
das saudades
Portuguesíssimos, o saudosismo exacerbado está-nos cravado a ferro e fogo na alma: crescemos a acreditar que se morre de saudades. E vivemos à espera de que as saudades nos matem; demorei, mas percebi que é verdade. Percebi que são as saudades nos consomem mesmo, por passarmos a vida a tentar voltar atrás.
Entendi isto recentemente: as saudades aprisionam-nos no passado. Levam-nos a achar que nunca poderemos ser tão felizes quanto já fomos e fazem-nos insistir na ideia absurda de arrastar o passado para o presente - e tentamos, tentamos, tentamos. Levamos uma vida inteira de lágrimas pelo que já passou e somos tão estúpidos que nunca percebemos que somos infelizes porque insistimos em impedir-nos de ser felizes hoje - alimentamo-nos de recordações, de sentimentos passados, tantas vezes mortos, e acreditamos que não há mais nada a fazer por nós.
Estúpidos. É isto que somos todos: estúpidos.
O passado pode ter sido bom, mas o presente pode ser ainda melhor - há que desligar, há que recomeçar, há que permitirmo-nos a ser felizes outra vez. Há que arrumar cada tempo no seu lugar... e ser feliz. Ser muito feliz.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
coerência
Dizia-me há uns meses que as coisas tinham mudado, que o que sentia por mim já não era a mesma coisa e que eu precisava era de ir arejar, de conhecer novas pessoas, conhecer alguém.
Por respeito, e porque continuamos amigos, contei-lhe quando aconteceu, quando alguém conseguiu, finalmente, fazer-me sentir algo de bom outra vez.
Ficou com ciúmes e deixou de me falar por dois dias.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
quinta-feira, 28 de julho de 2016
foda-se ao cubo
Se respondo rápido, é porque estou sempre à espera e pronta para tentar prolongar a conversa. Se demoro, é porque enrolo. Se respondo sempre, é porque sou uma chata. Se não respondo, fica triste. Se me chateio, ignora. Se o ignoro, chateia-se. Se me queixo, diz-me que preciso de conhecer novas pessoas. Se conheço novas pessoas, tem ciúmes. Se desaparece, tenho de entender que a nossa relação não é o que era e que não deixamos de ser amigos por não falarmos dois dias. Se desapareço, fica amuado, que arranjei mais que fazer e não estou para o aturar.
Eu gosto da pessoa na mesma medida em que estou cansada da mesma pessoa - e quero mandá-lo embora na mesma medida que o quero manter. Tento distrair-me, abstrair-me, seguir em frente. Conhecer gente - mas nunca funciona porque essa gente não é a gente de quem eu gosto. E então é chato e eu estou chateada.
Grrrrr.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
sexta-feira, 6 de maio de 2016
sobre o amor.
Dorothea levara anos a compreender, mas agora acreditava convictamente: o amor é assim. Não se pode pintar a preto e branco. Acabava sempre por ser uma mistura estranha de tons de cinzento.
Jodi Picoult,
ilusão perfeita
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
livros
é sempre isto
Bloqueei-lhe as chamadas e as mensagens, arquivei as fotografias numa pasta oculta; passaram meia dúzia de horas e já estou a ponderar desbloquear as mensagens outra vez; as chamadas ficam registadas mas as mensagens não. E se ele tentar? E se a mensagem nunca chegar? E se...?
E se nada, cachopa burra.
Esta coisa de se gostar de alguém é só mais uma das muitas formas de se enlouquecer.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
coisas de gajas
quinta-feira, 5 de maio de 2016
pensando bem
Olha, lembras-te do meu pijama às bolinhas e do dia em que me mediste a tensão? Acho que teríamos filhos lindos.
Ewn. Não seria um bom começo.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
a magia dos comboios
Quando estive internada, a propósito de ter ido parir a vesícula, havia um estagiário de enfermagem que não era mau de todo - mas, entenda-se, nem era tipo ai-chega-para-lá-ca-nojo, nem tipo anda-cá-que-eu-preciso-de-ajuda-no-banho. Achei-o engraçadito, mas nada por que me perdesse.
Hoje cruzámo-nos, por acaso, no comboio; mudei de ideias.
Afinal, acho que escolhi um novo pai para os meus filhos.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
segunda-feira, 2 de maio de 2016
monday morning
Livrei-me da indumentária que me fazia caminhar pelas ruas como se fosse um traficante de droga com ar duvidoso e toda a gente soubesse disso - sabe deus o quanto eu odeio andar de collants, mas mesmo uma gaja com pouca alma de gaja faz uns sacrifícios para se enfiar dentro de um vestido.
Os meus dias não melhoraram milagrosamente, não estou mais feliz do que nunca nem recuperei por completo dos últimos meses - mas passou-se quase uma semana desde que arrumei um assunto que me atormentava há mais tempo do que deveria e sinto que estou a recomeçar, pouco a pouco, a recuperar tudo o que fui perdendo.
Acordei com a sensação de que ontem me apaixonei um bocadinho mais, pela mesma pessoa, e que isso tem de ser necessariamente um bom sinal, um sinal de recomeço, um sinal de que começo a escalar as paredes do poço onde mergulhei há demasiado tempo. E é por isso, só por isso, que hoje é o dia zero outra vez.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
ser eu tem destas coisas
domingo, 28 de fevereiro de 2016
#rebolandoocuparaumladoeparaooutro
Sabem aquelas pessoas deprimentes que dizem ao mundo o quão tristes estão e o quanto as coisas vão mal mas, quando acontece algo bom, ficam com tanto medo de que o diabo esteja a ver que nem ousam contar a ninguém? Pois, estou a tornar-me numa dessas pessoas.
Safoda: há dias bons, há dias felizes. Há notícias capazes de dissolverem duas semanas terríveis e meses de angústia; não é diretamente comigo, mas é como se fosse. Afinal, o que é que nos são aqueles de quem gostamos senão uma extenção de nós próprios?
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
domingo, 31 de janeiro de 2016
vou parar com os posts deprimentes, um dia destes.
Sinto-me como um prisioneiro que marca na parede os dias que passam - todos os dias, quando acordo, é uma nova vitória constatar que resisti mais uma noite; não te liguei, não te disse nada e só tenho de me voltar a preocupar com isso na noite seguinte.
Durante o dia eu aguento-me bem. Estou ocupada, tenho sempre sítios para onde ir, pessoas com quem falar, coisas para fazer; lembro-me de ti nos intervalos, nesses que eram religiosamente guardados para ti, mas passa. É à noite que o silêncio se abate sobre mim e a saudade aperta mais. Já não sabia o que era viver sem te ter na minha vida todos os dias. Já não sabia o que era adormecer sem a certeza de que me acordarias a meio da noite, só para me dar um beijinho.
E eu, que odeio que me acordem, era tão mais feliz nessa altura.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
sábado, 30 de janeiro de 2016
não morri,
Tenho dado o meu melhor para não pensar nos últimos dias - ocupo a cabeça com tudo o que encontro e, quando finalmente tenho tempo para refletir, deito-me; tenho dormido mais horas, e começo a desabituar-me a acordar a meio da noite, mas não durmo tão bem. Quando acordo, só me resta a sensação de vazio e a falta que me fazes. O que é que nos aconteceu?
Gozavas comigo quando te dizia que tinha acabado um livro e não sabia o que fazer com a minha vida - estava a brincar, nessa altura, mas agora é mais ou menos assim que me sinto. O que é que fazemos quando perdemos uma das poucas coisas boas que tínhamos? Para onde vamos quando parece não restar um sítio para onde ir? Como é que sobrevivemos quando o mundo parece desmoronar em cima de nós?
Não sei quem posso culpar; eu, tu, o acidente ou o tempo. Todos, talvez - não foi fácil, nunca foi fácil, mas estava certa de que valia a pena tentar. Ironicamente, ainda estou, mas não há nada a fazer; quem me dera, meu amor, poder recuar exatamente três meses. Quem me dera poder ter mudado o teu destino naquele dia, quem me dera ter adivinhado, quando me ligaste a meio da tarde, que essa seria quase a nossa despedida. Que, poucas horas depois, a tua vida iria mudar para sempre.
Nunca podemos prever o passo que se segue - mesmo eu, que planeio tudo, sei que faço tudo torto e que não tenho paciência para seguir uma rota certa, e ainda tenho de contar com as rasteiras da puta da vida. Mas desta vez ela foi longe demais; foi uma puta para ti. E para mim.
Talvez nunca tenhas percebido o quanto me doeram estes meses. E ainda doem, claro - mesmo que ao longe, agora que te perdi, estou a torcer por ti porque nunca te poderia desejar outra coisa que não o melhor. Só preferia que me tivesses deixado ficar ao teu lado, neste momento e em todos os que te seguissem. Preferia que não tivesse sido isto a afastar-nos, nem nada deste mundo.
Menti-te, ainda assim. Disse-te que iria desaparecer definitivamente, mas é mentira; continuo lá, com a porta entreaberta, no caso de quereres voltar. Disse-te que iria embora, mas nunca o poderia fazer; gosto de ti, porra! Onde é que eu hei-de ir sem o meu coração?
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
afinal também refleti, mas passou logo
[há precisamente um ano atrás, ele foi das primeiras pessoas a desejar-me um bom ano. disse que não o passava comigo, mas que talvez este ano fosse diferente. ri-me. achei-o tonto por pensar que nos íamos mesmo aguentar um ano, que escapávamos às lanças afiadas da distância, que algum sentimento pudesse resistir tanto tempo nestas condições. e hoje, um ano passado, continuamos juntos - não hoje, por motivos diferentes e pouco felizes, mas juntos ainda assim. conseguimos, resistimos a um ano. e o sentimento, essa coisinha ténue que eu achava que desapareceria ao fim de pouco tempo, triplicou. enraizou-se. e, no final das contas, essa é talvez a única coisa boa que levo deste ano.
mas, ainda assim, acho que não poderia pedir melhor.]
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
estou a ficar domável, socorro
Uma das expressões que sempre detestei foi o querida. Por mais que seja, aparentemente, inocente e até doce, parece-me caber demasiado bem em discussões, só para enervar, ou em amantes que deixam os respetivos marido e mulher em casa para irem pinar para um hotel cinco estrelas.
Também me lembram aquelas criaturas que bebem café com o mindinho espetado no ar, como se estivessem a tentar captar a rádio, e falam como se estivessem permanentemente constipadas. Sempre detestei o querida, sempre me pareceu impossível conseguir não ter uma crise se alguém tivesse a infeliz ideia de me tratar assim.
Depois ele apareceu e sabe deus o que um querida me faz. E um adoro-te querida pode até ser frase de amante, de tia, de puta sarcástica, mas sabe bem, oh se sabe.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
sobre o amor e essas merdas
Há uns anos atrás, eu jurava a pés juntos que não acreditava no amor - depois deixei de ser parva, percebi que o amor e o pai natal são coisas diferentes e, no caso do primeiro, não há isso de acreditar ou não acreditar: ou se sente ou não se sente, ponto final.
Não o sinto, ainda assim, e ainda me rio das pessoas que confundem tesão com amor dizem amar alguém que conheceram há um par de horas. Ou há um par de dias - semanas, meses, talvez anos. O problema do amor é ser uma palavra tão pequenina que cabe em relações mais pequeninas ainda que o deixam com má reputação. E o desgraçado não teve culpa nenhuma, porque nem chegou a aparecer.
O que sinto neste momento, é difícil de explicar. Tenho uma relação esquisita, improvável e muito complicada com alguém. Talvez nem lhe deva chamar paixão, mas chamo, às vezes, para justificar as noites mal dormidas quando estamos chateados, as torrentes de lágrimas e ranho sempre que as coisas vão mal, a inquietação de saber que ele não está bem, o sorriso de orelha a orelha quando ele é querido. Gosto dele. Gosto dele mesmo quando não gosto e digo que me quero ir embora - não vou, nunca vou, porque não consigo. Gosto mesmo dele. Mas não é amor.
Acredito que o amor é o que vem depois, mas a maioria das pessoas nunca chega a ter paciência para esperar por ele - o amor é o que vem a seguir ao beijo apaixonado com que o filme acaba, mas ninguém tem paciência para ficar no cinema a olhar para a ficha técnica. As pessoas querem amores perfeitos desde o primeiro instante, e desistem quando entendem que isso é impossível.
Não há nada de errado em discutirem às vezes. Não há nada de errado em serem incapazes de concordar um com o outro à primeira, não têm de ter personalidades idênticas e lidar com as coisas de igual forma. Às vezes vão magoar-se um ao outro. Outras vezes vai magoar-se mais um do que o outro; não há volta a dar, não pode correr tudo bem à primeira - e perdoar não é o mesmo que transformarem-se no tipo de mulher que passa anos a ser agredida mas nunca conta a ninguém porque ama o marido. Perdoar é tentar de novo. Dar uma hipótese às coisas de funcionarem, com tudo o que aprenderam sobre o outro.
Entendi isto hoje, quando senti que era assim que alguém me via neste momento - como a que perdoa, como a que morre às mãos de um amor antigo e, mesmo assim, perdoa. Mas eu não sou essa pessoa - sou um bocado antiquada, mas acho sempre bonito ver casais de idosos de mão dada. Ou simplesmente sentados um ao lado do outro - sempre me perguntei como é que será envelhecer ao lado de alguém, numa altura em que a paixão já se foi e só sobrou o amor, o amor infinito, àquela com quem se partilhou uma vida inteira. Mas entristece-me ver que os casamentos duram cada vez menos. As pessoas deixam de tentar quando fica difícil, e isso está tão errado.
Há quem troque de camisa quando a que tem se descose - há quem a remende, e fica bonita na mesma; aposto que não foi sempre fácil com estes casais que se aguentam 50 ou 60 anos casados. Também devem ter demorado a acertar o passo, a chegar a um consenso sobre a quantidade de sal que cada um gosta na comida, ou a descobrir quantos cobertores têm de pôr na cama para que fiquem os dois confortáveis. E talvez tenham tido discussões idênticas - ela, chata e impulsiva, ele sempre calado para evitar conflitos; não acertaram à primeira, aposto. Mas não pararam de tentar, porque sabem que nunca se gosta em linha reta; há dias em que se gosta mais e dias em que se gosta menos, e o truque é tentar equilibrá-los.
Talvez um dia me vá embora como todos os outros vão quando desistem, talvez nunca passemos disto - talvez sejamos mais fortes do que as circunstâncias e a erosão do tempo. Talvez também consiga resistir a adversidades, a conflitos, a paranoias - e talvez um dia sejamos os dois velhos sentados, de mão dada, num banco de jardim.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
episódios da vida romântica
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
a lição de vida dos últimos tempos
Por muito mau que tudo esteja, acredita, há sempre uma forma de piorar. Sempre.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona,
está tudo fodido
domingo, 20 de dezembro de 2015
adeus,
Não acredito em almas gémeas ou em predestinações, mas acredito que, às vezes, temos a sorte de encontrar alguém que nos faz sentir tão confortáveis que se tornam na nossa casa, na casa para onde fugimos quando temos medo, na casa onde gostamos de ficar quando estamos tristes, na casa para onde queremos correr para comemorar quando estamos felizes, na casa que queremos fazer mais nossa a cada dia que passa. De uma forma estranha, tu és a minha. Ou eras.
Se me quisesses ouvir, não te pediria desculpa - também estou cansada disso, de discussões, de desculpas, de acordos tácitos, de problemas varridos para debaixo do tapete. Se me quisesses ouvir, recomeçariamos. Eu prometeria ser mais calma se prometesses ser menos calmo. Eu prometeria ser menos insegura se prometesses ter paciência até eu voltar a ter pé. Eu prometeria ser diferente, se tu também prometesses. O erro está nos dois.
O meu problema é que nunca soube ter calma - sempre fui dessas pessoas que morrem antes de levar com a bala, que sentem necessidade de falar sobre o assunto nos dois nanossegundos seguintes a ter surgido um problema, uma dúvida, um mal entendido - disparo antes de saber para onde, para quem, porquê. Disparo antes de ter tempo de pensar.
Tu és o oposto, e isso irrita-me, magoa-me, dá-me a volta à cabeça - consegues passar dias sem falar se essa for a melhor ou a única forma de evitar uma discussão, apesar de saberes que isso faz com que o problema cresça, com que se torne cada vez mais difícil para mim geri-lo, que eu esteja a sofrer com o teu silêncio. Tanto egoísmo, tanta covardia, dão-me tanta vontade de fugir quanto aquela que sentes pela minha impulsividade.
Se fosse forte o suficiente para te perder pelas minhas próprias mãos, garantia que nunca mais me havias de encontrar em lado nenhum, mas não consigo - há sempre aquele meu lado que, mesmo ferido, resiste e se obriga a ser o último a morrer no meio da guerra que é isto que sentimos, e esse meu lado ainda está aqui, à tua espera, à espera de que voltes, à espera de que isto faça sentido. Apesar de acreditar cada vez menos que isso aconteça.
Li num livro que não há palavra mais triste, em qualquer língua, do que adeus. Talvez tenham razão, mas esqueceram-se de mencionar que dói mais quando esse adeus não chega a existir, quando as horas passam e a despedida não chega, quando tudo o que resta é dor e incerteza, quando não há uma única noite em que eu não acorde com este nó no peito. E quando misturada com toda a tristeza há ainda uma raiva crescente pela tua incapacidade de pensares em mim, por saber que definitivamente não estás a sentir o mesmo, por estar certa de que não te importas.
O que resta, é desistir.
Assumir que deixaste de ser a minha casa, que já não há lugar para mim aqui. Fechar-te a porta para tudo aquilo que sou, trancá-la a sete chaves para deixar o meu coração a salvo - mas, já sabes: a chave suplente está no sítio do costume.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
over and over
O meu problema é essencialmente este: a minha dignidade adormece antes de mim.
Se por um lado passei o dia consideravelmente calma e consegui praticamente nem falar com ele, à noite é sempre outra história; começa a faltar-me o miminho, começa a faltar-me a voz, começa a faltar-me ele, e isto nunca corre bem. Ora mando o orgulho ir dormir para outro quarto, ora consigo adormecer mas acordo a meio da noite e envio-lhe a biblía em oito mensagens diferentes, todas elas carregadas de raiva, de nervos, de sono, de rabugíce, de drama, de insegurança e de amor, tudo em doses desmesuradas.
Intervaladas, até o cansaço me vencer, umas horas depois; adormeço angustiada e acordo com vontade de entalar as orelhas no forno porque, de facto, tudo aquilo era evitável, o erro do moço não foi assim tão grave e tão imperdoável que justifique a tortura a que me submeti.
deixem-me que vos fale de
a cinderela é má mas também se apaixona
Subscrever:
Mensagens (Atom)