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sábado, 2 de setembro de 2017

curtas

Uns 6 meses depois, volta e meia olho para ele e ainda me custa acreditar na sorte que tive por o ter encontrado. Palavra de honra. 
Sinto que descobri uma pepita de ouro.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

note to self

Quero nunca mais me esquecer de que a dor passa, se lhe dermos tempo. E que as histórias mal resolvidas, as pontas soltas, os ses e os mas, também cabem na gaveta para onde já nem queremos olhar - as feridas saram, mesmo as mais difíceis, mesmo as mais profundas. Mesmo as que mais doem na altura, também fecham. E, um dia, as dúvidas entram no campo da indiferença e o passado arruma-se por si no sítio onde pertence.

Quero nunca mais me esquecer do bem que me soube lembrar-me de alguém que marcou o meu passado e não sentir absolutamente nada. 
Nem saudades.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

escola para corações

Não é raro dar por mim a observar casais de velhinhos e a perguntar-me de que massa é feita um amor assim: enternece-me ver um par de cabeleiras brancas, duas mãos engelhadas enlaçadas e os passos, mais ou menos curtos, dados lado a lado, como dois artistas premiados que caminham em direção ao óscar: conseguimos aguentar. Até que a morte nos separe.

Invejo essas histórias, talvez: os casamentos de hoje já não são feitos para durar 50 ou 60 anos. O amor caiu em desuso e os amores para sempre são um mito: os corações são mais bem educados do que os próprios filhos, estão prontos para aniquilar o parceiro à mínima falha, e cada relação não é mais do que a transição entre a anterior e a seguinte. O amor não dura porque as pessoas não estão para se chatear e desistem umas das outras porque dá menos trabalho do que lutar.

Não há amores perfeitos: mesmo esses, os que duram, tiveram de se manter firmes quando a terra por baixo dos pés estremeceu. É impossível que se tenham entendido à primeira. É impossível que, mesmo ao fim de 60 anos de casados, não se desentendam de vez em quando – mas não se amam menos por isso. É o que nos falta, a todos nós: a capacidade de aceitar que não vamos concordar com tudo o que o outro faz, e não há mal nenhum nisso. Faz parte.

Vivemos descontentes, sempre com sede de mais. Queremos gente perfeita, que ande ao nosso ritmo, que ouça a mesma música, que pense de igual forma, que goste tanto de bacalhau com natas quanto nós. Treinamo-nos para gostar de quem nos preenche todas as medidas, de quem consegue satisfazer todas as nossas exigências. E, quando conseguimos, aumentamos a lista e partimos para outra.

Podemos estar loucos de amor por um homem que sabe fazer massa como ninguém, mas um dia acordamos e percebemos que isso não chega: queremos um homem capaz de fazer massa como ninguém e o melhor arroz do mundo. Ficamos descontentes, achamos que merecemos mais do que um inútil que sabe fazer massa mas não percebe nada de arroz – deitamos tudo a perder e partimos para outra.

Se algum dia encontrarmos o expert em massa e arroz, vamos lembrar-nos de que nos faltam batatas e ninguém pode viver só de massa e arroz: passamos a vida toda à espera de um poiso certo, saltitamos de um lugar para outro, destruímos os nossos sítios felizes e ensaiamos uma infelicidade baseada no descontentamento injusto dos que acham que o mundo tem de se render a seus pés. Não tem. A sério.
No que toca a sentimentos faz-nos falta o descontrolo. O gostar só porque se gosta, como se gosta. Porque sim – e gostar muito, apesar de não nos conseguirmos entender com a quantidade de sal na sopa, apesar dele não gostar da roupa que eu uso, apesar de me enervar que chegue a casa tão tarde. Gostar aceitando que se pode gostar muito sem se gostar de tudo – talvez seja esse o princípio para que não se antecipe o fim.

E este texto poderia ser para uma pessoa em especial, mas não é – é para todos, incluindo para mim mesma, como nota futura: exigimos demasiado até daquilo que nos faz felizes porque acreditamos sempre que poderíamos ser muito mais. O mal está em racionalizar, em comparar, em misturar razão com emoção, em pesar prós e contras, em quantificar o inquantificável: deixem-se de merdas e sejam felizes.

domingo, 22 de novembro de 2015

esses dias em que se bate no fundo

Quando vocês acham que este blog não pode piorar, eis que eu decido contar-vos a forma mais deprimente de se passar uma noite de sábado: fazer colagens no picasa.
É triste, eu sei - mas, enquanto engolia os soluços e limpava as lágrimas o mais depressa que conseguia, visto estar numa sala com mais quatro pessoas e não gostar de me assumir tão lame - acabei por ouvir (ou ler, vá) uma frase no if i stay que me bateu assim com muita força no osso do fígado porque me lembrou de algo.

E dei-me ao trabalho de voltar a essa parte, já depois da choradeira e o filme terem ambos cessado, e fazer cinco print screens, só porque não tenho vida e isto é basicamente o que eu quero dizer. Entretanto apercebi-me de que escolher diferentes imagens para cada colagem acabava por mudar as coisas.

Fiz três. 
Ainda não decidi qual é que lhe quero mandar.





segunda-feira, 16 de novembro de 2015

sobre os dias sem sabor

Hoje vesti o meu casaco grande, aquele que deve ser uns quatro tamanhos acima, e passeei por aí, de mãos enterradas nos bolsos e com o som das folhas a estalarem por baixo das minhas botas a cada passo - sorri. Pela primeira vez em muito tempo, senti-me em casa na cidade que sempre foi a minha.

Estou cansada dos dias mornos; sempre precisei do caos para me sentir viva, sempre precisei de sentir alguma coisa. Ultimamente, não estou feliz nem triste - sinto-me vazia e essa é a pior sensação de sempre. Queria que tudo fosse diferente. Queria que fôssemos diferentes.

Se há dias em que a distância me dói, hoje é um deles - estou cansada da incerteza, da dúvida, da sensação de que estou em contra-relógio e o meu tempo se pode esgotar a qualquer instante. Baralhas-me, confundes-me, entorpeces-me os sentidos; queria ouvir-te dizer que tens um plano para nós, que entendeste as indiretas, que descobriste que não somos inconcretizáveis como teimas em rotular-nos. Esperava que tivesse sido óbvio neste tempo que estou aqui de corpo e alma por ti, apesar de nem sempre estar certa de que o mereces. Queria que entendesses que as coisas difíceis sempre foram as que me sabem melhor e que tu não és exceção; queria que te decidisses, que me decidisses, que me escolhesses, pelo menos uma vez na vida. Que me mandasses embora ou que me prendesses para sempre.

Hoje vesti o meu casaco grande e perdi-me dentro dele - queria que me encontrasses, meu amor, que me devolvesses à realidade, a uma realidade onde os dias sem sabor não me estivessem a consumir por dentro e onde eu pudesse voltar a sorrir com vontade. Mas, mais uma vez, só restei eu. 

E as folhas secas, desfeitas em mil bocados.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

uma mistura de #acinderelaémámastambémseapaixona e de #bringmycolhõesback

Não é bem como se eu me orgulhasse desta minha nova faceta extra-derretida, mas a verdade é que hoje, quando o irmão do mocinho se lembrou de me mandar fotos do mesmo, fiquei a babar-me mais tempo do que me orgulho e só conseguia questionar-me como é que o meu rapazinho consegue estar há internado há tantos dias, cheio de sedativos no bucho e ainda com uma anestesia geral para sobremesa e, mesmo assim, estar tão irresistivelmente fofo, apesar do ar de quem está a ver unicórnios a saltar de nuvem em nuvem - e entretanto comecei a dar-me conta de que esta pode ser uma patologia grave.

Quero o meu lado de macho latino de volta.

a continuação da saga #acinderelaémámastambémseapaixona

Eu queria ser forte e desapegada, que queria, mas a verdade é que já vou no sexto dia consecutivo sem o meu rapaz, o que equivale a cinco - cinco! - noites seguidas em que acordo a meio, sem sono, e fico às voltas na cama, agarro o telemóvel três mil e oitocentas vezes para confirmar que não tenho mensagens (como poderia se ele nem tem o telemóvel com ele?), até voltar a adormecer no auge da deprimência.

Entenda-se, é certo e sabido que ser viciada no beijinho e na mensagem de boa noite mesmo que isso implique ele acordar, ligar-me às seis da manhã e irmos dormir outra vez (don't even ask) não é, de todo, um hábito saudável. Mas, de todos os maus hábitos, é certamente o que me sabe melhor.
E o que me faz mais falta também.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

também pode ser #acinderelaémámastambémseapaixona

[há dias em que gostava de poder voltar atrás, de regredir, se quiserem, mas de voltar a esse tempo em que era mais feliz. há dias em que me apetece voltar a ser pequena, esquecer os saltos altos e o eyeliner preto e sentar-me outra vez na cadeira do médico a balançar as pernas, ainda demasiado curtas para chegar ao chão. há dias em que me apetece voltar a ser essa menina, encostar a cabeça ao ombro da minha mãe e esperar, sempre atenta, sempre curiosa, sempre a questionar o mundo ao meu redor - queria crescer nessa altura. queria ser grande e ir aos sítios sozinha, saber ser sozinha, poder ser sozinha. hoje posso pegar no carro e ir a qualquer lado mas, na maior parte do tempo, não me apetece ir a lado nenhum - apetece-me um abraço quente e um beijo na testa. talvez dois - talvez não na testa. apetece-me o amor puro, esse em que eu jurava a pés juntos não acreditar ainda há uns três ou quatro anos atrás, e hoje ainda não sei se acredito mas percebi que não há definição nem fé que o faça desabar sobre a minha cabeça. é esperar - ou não esperar, deixar estar, as coisas inesperadas também sabem bem. há dias em que me apetece esquecer-me de que cresci mas que mantive intacta a intensidade com que sinto tudo, sempre sem meios termos, sempre sem filtros. há dias em que gostava de voltar aos dias em que a gravidade me era sempre alheia e eu não ia para a cama a temer o dia seguinte por não saber muito bem o que esperar  - e acabar por me aperceber de que estou a sofrer pelos dois.]

domingo, 1 de novembro de 2015

sobre isso de gostar em tempos de dor

[passei o dia todo a vigiar o telemóvel, à espera que me ligasses - achava que só ia conseguir sossegar quando ouvisse a tua voz mas, quando ouvi, apeteceu-me chorar por perceber que é pior do que me dizias, que vai demorar, que não posso fazer nada. e que estou longe, sempre longe, sem poder sentar-me ao teu lado e esperar contigo que um dia destes a vida te sorria como mereces, meu amor. e desliguei quase sem falar, sem dizer que te adoro, sem dizer o quanto sinto a tua falta, sem te prometer que vai correr tudo bem e que eu vou estar aqui, à espera, porque é isso que se faz quando se gosta. não te soube dizer nada disto - resumi-me num fogo... quando o que eu queria dizer era foda-se!, foda-se para esta vida, foda-se para a nossa sorte, foda-se para o mundo que parece estar sempre a conspirar. e foda-se para o quanto eu gosto de ti porque há dias assim, em que isso é realmente fodido.]

sábado, 31 de outubro de 2015

sobre os dias de angústia

Há dias assim, em que o coração fica pequenino, pequenino, e as horas teimam em não passar. Há dias em que a ausência de notícias me sufoca, me impede de respirar. Há dias em que angústia é a palavra do dia e eu me sinto perdida por não poder fazer nada. Há dias em que eu odeio ainda mais a distância e a impotência de estar do lado de cá. Há dias em que lamento que tenhamos força suficiente para construir pontes sobre o abismo que nos separa, mas que sejam sempre pontes de ar, suficientemente fortes para que quase consigamos sentir os dedos enlaçados mas nunca  fortes o suficiente para que os consigamos enlaçar.

Há dias em que me pergunto como que raio me fui meter nesta situação, como é que me permiti a ligar tanto a alguém que o facto de saber que há alguma coisa errada me parece chumbo cravado no peito - mas depois lembro-me de tudo, de todas as conversas tardias, de todas as vezes que ele me fez rir - de todas as que me fez chorar também. E lembro-me que, ainda ontem, na última vez que o ouvi, ele me ligou a meio do dia só para dizer que gosta muito de mim. Como poderia não me ligar?

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

o peixe morre pela boca, ou a adele não serve para pessoas felizes

Shame on me - depois de tanto ter criticado todos os casalinhos fofos que, emotiva e apaixonadamente, dedicavam a someone like you ao morxituh da vida deles, dei por mim a ouvir a hello, também da adele, com um sorriso de orelha a orelha, como se fosse a música mais feliz deste mundo.

E nem uma palavra acerca do facto de eu estar a ouvir adele, boa? Boa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ups.

Sempre odiei - ou achava que odiava - nomes foficoisos, pirosos, ranhosos, melosos e blá blá blá.
Depois eles passaram a fazer parte de uma mensagem de boa noite, deu-se-me assim uma crise qualquer, e vai que estou menos macho ao ponto de me derreter toda, todinha, com os nomes fofos que a criatura arranja para me chamar.

Sério - vocês ainda hão de ver o cinderela pintado de cor de rosa, com uma kitty como fundo e posts sobre sapatos de verniz e malas da michael kors na minha wish list. Ai o medo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

about my guy

Há dias difíceis, que há. 
Há dias em que eu me pergunto o que raio tinha eu na cabeça quando não fugi disto a sete pés antes de me ter deixado envolver desta maneira, que há. 
Há dias em que eu duvido de tudo e o quero meter a andar, que há.

Mas depois também há dias, muitos dias, em que ele me se mostra tão presente que eu quase não sinto a distância, dias em que me surpreende de tal maneira que eu me pergunto como que raio é que é suposto habituar-me a viver sem ele a colorir a minha vida a preto e branco. E hoje foi um desses dias em que me surpreendeu, em que me derreteu, e em que eu não quero, de forma alguma, deixá-lo ir embora, que foi.

domingo, 27 de setembro de 2015

excertos desse nada

Nunca nos encontrávamos a horas certas, mas ela esperava sempre por mim - sentava-se no chão, de pernas penduradas na borda do rio, virada para o cais que jurava a pés juntos ser o seu sítio preferido mas que eu sempre soube que não era mais do que uma metáfora; queria que eu atracasse de vez. Queria ser o meu porto seguro. E era-o, mas não o sabia.

Lembro-me sempre de a encontrar quase sempre a escrever e com o ar descontraído de quem não se esforçava minimamente para ser tão maravilhosa quanto era; sê-lo-ia na mesma se não se esforçasse, mas nunca o descobriu. E, quando eu chegava, tinha de ficar uns momentos a observá-la de longe, o cabelo caído nas costas em forma de V, uma perna a balouçar levemente enquanto a minha menina apoiava o caderno no outro joelho e escrevia vigorosamente o que lhe ia na alma; nunca me deixava ver, mas o rosto dela enquanto escrevia era já por si só um poema que eu não me importava de ler eternamente. Mas, mais uma vez, nunca lho disse.

Um dia ofereci-lhe um caderno e uma caneta com o nome dela escrito. Queria que ela o visse como um gesto romântico, como uma daquelas quase-provas-de-amor silenciosas que oferecemos só para mostrar ao outro o quanto nos apaixona, mas só consegui comprar uma guerra. «Em vez de vires a horas, compras-me isto para me manteres entretida à espera. Sempre, sempre, à tua espera.». Armei-me em parvo, como sempre «Mas nunca chegámos a marcar uma hora!», e juro que achei que ela me ia bater, tal era a fusão da raiva e do desapontamento impressos no seu rosto. Virou-me as costas, mas no dia seguinte voltou para o cais, como sempre. E eu, como sempre, deixei-a à espera durante horas, embora soubesse que ela se sentava lá, religiosamente, assim que saía do trabalho. Estava mal habituado, é o que é.

Não me interpretem mal, não é que eu não gostasse dela! Se eu acreditasse num deus, certamente só ele saberia o quão louco e apaixonado eu estava por aquela miúda. Mas era um sacana descomprometido e tinha-a tão segura em mim que nem me preocupava em tentar prendê-la. Sabia-a minha, tal como achava que ela sabia que eu era dela - não há necessidade de verbalizar o que os corpos sabem de cor, pois não?

Ela não era fácil de aturar, mas eu ainda gostava mais dela por isso - estava sempre a resmungar e ficava melindrada pelas coisas mais sem sentido, ficava desconfiada e jurava a pés juntos que um dia desses se iria embora e eu nunca mais a veria, mas era sempre nesses momentos de vulnerabilidade, em que eu a apertava contra o meu peito e a sentia descontrair como se os meus braços fossem a sua casa, que eu a sentia mais minha. Que eu nos sentia mais nós.

Envergava quase sempre roupa escura que contrastava com a luminosidade do seu sorriso. Não digo que era louco por ela? Anos depois, ainda me causa arrepios lembrar-me da forma como me derretia sempre que a via sorrir. E o quanto me arrependo por tudo o que lhe fiz.

Amava-a tanto e nunca a soube amar em condições. Deixava andar, porque para a frente é que era o caminho e eu sabia que ela me acompanharia, mesmo que dois passos atrás, mesmo que às vezes tivesse de correr um bocadinho para não me perder de vista. A certeza de que ela lá estaria sempre dava-me o à vontade suficiente para pensar em nós como um casal de idosos que tinham passado a vida toda lado a lado; não importava a quantidade de coisas que eu metesse à frente dela, mesmo que demorasse uns dias, eu voltava. E ela estaria lá.

Demorei um bom tempo a perceber que ela me metia em primeiro lugar, e demorei mais tempo ainda a perceber que a iria perder se continuasse a deixá-la esperar que um dia as coisas mudassem.

Então, tomei uma atitude: um dia saí do trabalho a correr, fui a casa tomar banho e enchi-me do perfume que ela mais gostava. Depois, sentei-me no cais, no mesmo de sempre, ainda antes da hora de ela sair do trabalho; tinha decidido que era hora de lhe dizer que a amava e de lhe pedir desculpa por todas as vezes que a fiz duvidar de mim, por todas as vezes em que a fiz duvidar dela própria.

Mas as horas foram passando, e ela não apareceu. 
Nem nesse, nem nos dias seguintes. Semanas. Meses.
Todos os dias eu repetia o ritual, esperançoso, mas ela nunca vinha. Não atendia o telemóvel e a casa dela estava já ocupada por outra família.

Nunca mais a encontrei e agora, passados tantos anos, ainda me pesa o peito ao sentar-me aqui, no mesmo cais onde a perdi para sempre, no mesmo cais onde um dia ela se cansou de esperar por mim. Mas, embora doa, continuo a vir aqui: o último sítio onde vi o amor da minha vida.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

quase-amor

Para evitar outra discussão, decidi pagar-me da mesma moeda - se ele pode demorar as horas que lhe apetecer a responder, porque é que eu não posso fazer o mesmo sem que ele comece logo a ponderar ligar para a polícia, para os bombeiros e para os hospitais da região só para ter a certeza de que eu ainda respiro?

E armei-me em má; fui forte, fui durona. Durante escassas horas; depois ele aproveitou a primeira oportunidade para me dizer que se tinha sentido mal, e eu sabia que aquilo era mais para me amansar do que outra coisa porque até já estava bem, mas demorei aproximadamente 2 segundos a ficar preocupada e esquecer o assunto, e toma lá mimo que eu quero é que estejas bem. 

De cada vez que penso no que isto de gostar de alguém fez àquele meu lado oh-amigo-eu-quero-mais-é-que-tu-te-fodas, apetece-me não gostar. Mas gosto na mesma, só por causa das tosses. E até sabe bem.

(o momento romântico acabou aqui e eu voltei a ser o ernesto, boa? boa.)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

podíamos ter sido outra coisa qualquer

eu: podias sempre dizer que eu sou a tua deusa. buddha.
ele: buddhapeste.
 Mas acho que estamos mesmo a adorar ser parvos.
(e eu, claramente, a peste de serviço)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

.

O que há de mais mágico neste mundo é que nunca saberemos de nada - nunca poderia ter previsto o impacto que um dia terias na minha vida. E, se tivesse tido, provavelmente ter-te-ia fugido a tempo, antes de me deixar apanhar por este sentimento devorador. Ainda bem que não fugi.

Foi-me demasiado fácil viciar em ti - de resto, somos sempre mais rápidos a apanhar maus vícios do que a curar-nos deles, e é esse o meu mal. Avisei-te a tempo, mas nunca me deste ouvidos: eu disse-te que nunca me dava pela metade, que, quando gostava, gostava a sério, de corpo e alma. Que nunca serias capaz de gostar tanto quanto eu. E foi isso que aconteceu, como sempre.

Ter-te na minha vida tem o mesmo travo amargo que eu deixo sempre propositadamente no café - vivo convencida de que nunca serei realmente capaz de lhe tomar o gosto se o beber doce. E gosto deste inferno que criámos a dois. Gosto de te ter na minha vida, mais do que quero expulsar-te dela. Quero mais beijar-te do que quero gritar contigo por me conseguires arrastar até um lado de mim mesma que eu própria não conhecia ainda. Apetece-me mais abraçar-te do que vingar-me por todo o mal que me tens feito, mesmo sem querer.

Não és perfeito: meu amor, tens um quê de cobardia que me tira do sério. E a forma como te conformas com o mundo, só porque te dá menos trabalho, mete-me raiva. Odeio a forma como desistes porque não te apetece sair da zona de conforto. Sobretudo, não te perdoo o punhado de sonhos que acabas por desfazer quando te apercebes de que realmente precisas de tirar o cuzinho da cadeira. E que evites cada discussão da forma mais despropositada possível. És o protótipo de gajo que eu nunca suportaria nesta vida - e, mesmo assim, fui-me apaixonar logo por ti.

Se pudesse escolher, fazia como tu: não gostava de ti. Gostava de alguém mais fácil, alguém que não se esquecesse de mim a toda a hora, alguém que parasse de me desiludir. Mas não deixas de me derreter um bocadinho todos os dias. Não deixa de me surpreender que estejas sempre lá quando eu preciso, mesmo que longe, mesmo de que mansinho. Não deixo de gostar da forma como me mimas, à tua maneira. Não deixo de adorar o teu lado mais doce, mesmo que o escondas de mim tantas vezes. Não deixo de gostar de ti.

Há dias em que não é nada fácil manter-te por perto - não sei se não te apercebes ou se não te queres aperceber do quanto mudaste e do quanto a tua quase indiferença me magoa. Há dias em que eu gostava de conseguir fugir-te de vez, porque não mereces ter-me nas mãos se a única coisa que consegues fazer é mandar-me fugir. Porque há dias em que não sei se não me agarras porque continuas convencido de que não podes, ou porque não queres,

sábado, 22 de agosto de 2015

ser gaja é

Não sei em que momento perdi as minhas qualidades de macho latino, mas dei-me conta de que me transformei no tipo de gaja-coquete que, ainda antes de saber se o encontro vai acontecer, já decidiu exatamente a roupa que vai levar, o que vai calçar, penteado e cor das unhas.

Deus esqueceu-se mesmo de mim.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

shhh

[é sempre difícil despedirmo-nos do que nos faz um bocadinho mais felizes - deve ser por isso que já me despedi tantas vezes de ti mas acabamos sempre por voltar ao ponto de partida. e eu acredito que vale a pena, que é sempre tempo de nos reinventarmos; acredito em nós e sei que isso te assusta. sei que te assustas de cada vez que tomas consciência do quanto eu gosto de ti: e eu retraio-me, sempre envergonhada, como se tivesse culpa por gostar demais. mas eu disse-te, tenho a certeza de que te disse, de que nunca me daria com os meios termos: ou te nego uma única gota ou te entrego um oceano em mãos. ensinaste-me a gostar de ti devagarinho. ensinaste-me a ganhar fôlego e a perder o medo de ir mais e mais longe. e eu fui, atrás de ti, ao teu lado. às vezes à frente. e chegámos onde estamos hoje, mesmo que eu não saiba dar um nome a isto ou se me hei de orgulhar do tempo a que estamos a caminhar; há dias em que dói e eu quero voltar atrás. há dias em que eu me arrependo de me ter deixado ir. há dias em que eu sei que, apesar de tudo, fazes toda a diferença na minha vida e nunca seria a mesma coisa sem ti: quer fosse melhor ou pior, seria diferente. e eu já estou habituada a ter-te aqui, não te quero deixar ir embora. só preciso que continues, que não me deixes - se correres metade do mundo, eu prometo correr a outra metade, já de braços abertos. se ficares, eu fico. se gostares, eu gosto. e, se não gostares, também.]

terça-feira, 28 de julho de 2015

déjà-vu

Está tudo errado outra vez - já não me lembro da última vez que me senti realmente bem e neste momento dava tudo para recuperar um bocadinho da paz e da sensação de que tinha alguém ao meu lado - mas até isso se fodeu agora. 

Oscilo entre momentos em que ninguém diria que se passa alguma coisa e momentos em que começo a chorar do nada - no comboio, na praia, no meio da rua, na cama. Estou sempre tonta; às vezes basta-me baixar e levantar a cabeça de repente. Outras vezes, estou sentada e acho que vou cair da cadeira abaixo de tão tonta que estou. Disfarço-o bem, é certo; é a segunda rodada que me servem disto. Sempre no verão.

Também dou por mim trémula, sem saber porquê. E não consigo dormir; acordo de hora a hora e levanto-me mais cansada do que quando me deitei - volta e meia, acordo a tremer descontroladamente e demoro até recuperar. Até o meu coração, que se habituou a bater como o das pessoas normais quando entrei no ginásio, decidiu voltar a andar permanentemente demasiado acelerado e ainda faz com que seja mais difícil eu adormecer.

Já para não falar que mais um bocado e sou barrada à porta do ginásio até ter feito exames - estão a ficar um bocado cansados de me ver à beira do desmaio. Eu também estou a ficar um bocado cansada disso, por acaso, mas tenho pouca vontade de repetir a bateria interminável de exames que fiz há uns anos para me dizerem que, mais uma vez, não fazem ideia do que se passa comigo. Com sorte, é só ansiedade.

Com sorte.