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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

nem sempre uma pessoa é para o que pensa que é

O impensável acontece exatamente quando achamos que as coisas vão correr bem.
Por exemplo, tudo indicava que pessoas do meu curso, na mesma fase de aprendizagem, seriam, pelo menos, capazes de medir a tensão arterial - meteram-me a braçadeira no antebraço e tão laça que rodava à volta do mesmo.

Tentei dizer-lhe que estava mal; olhou-me como se fosse louca.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

a saga continua

Isto também podia ser sobre como o spotify me trama de vez em quando - está aqui uma moça a amanhar um trabalho chato como tudo, de fones nos ouvidos e a tentar manter um semblante sério, como se estivesse a ouvir chopin ou o diabo a quatro, e isto vai de adele, que teve um efeito estranho em mim, a redfoo.

Fica um bocado difícil parecer normal quando se está sentada em frente a um computador, ao som da juicy wiggle.

o peixe morre pela boca, ou a adele não serve para pessoas felizes

Shame on me - depois de tanto ter criticado todos os casalinhos fofos que, emotiva e apaixonadamente, dedicavam a someone like you ao morxituh da vida deles, dei por mim a ouvir a hello, também da adele, com um sorriso de orelha a orelha, como se fosse a música mais feliz deste mundo.

E nem uma palavra acerca do facto de eu estar a ouvir adele, boa? Boa.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

cinderela desfila o fat ass pelos corredores do hospital - take6

No seguimento do post anterior, ainda tive uma senhora que me disse que estava muito feliz por estar no hospital, que estava a gostar muito e ainda não queria ir para casa. Nada de novo, portanto.

Começou foi a assustar-me ligeiramente quando a criatura disse que até gostou de ser operada porque a acordaram com festinhas na cara e ela achou muito divertido. Foi e veio ao bloco sempre a rir.

Seriously, mas agora as pessoas são anestesiadas com cocaína?

cinderela desfila o fat ass pelos corredores do hospital - take5

É sempre curioso ver como, enquanto alguns doentes estão mortinhos por ter alta, outros quase imploram aos médicos para que os deixem ficar mais uns dias porque ainda não estão preparados para enfrentar o dia a dia fora do conforto do hospital, onde tudo está à distância de uma campainha.

Mesmo assim, volta e meia ainda há alguém que consegue animar o circo e mostrar que há sempre mais alguma coisa quando se pensava que não podia piorar.
Desta feita, temos um jovem de 86 anos a chorar e a perguntar que mal fez ele aos médicos para eles o quererem mandar para casa.

Não se compreende, de facto - uma pessoa a tratá-los com tanto amor e carinho e os filhos da puta ainda dão altas. Irra!

sábado, 26 de setembro de 2015

contornando o «vai à volta que por aí não passas»

Lembro-me de dizer em pequena, na inocência inerente à infância, que queria trabalhar num hospital, nem que fosse a fazer limpeza. Pode parecer uma loucura dada a quantidade de vezes que me queixo de lá passar a vida, mas fascinava-me a ideia de um dia estar do lado de lá, de conhecer os bastidores, de saber como era não ser sempre a paciente.

Passei o secundário a babar por um curso de enfermagem (ou de jornalismo, mas isso são outras andanças) - mas chumbei a matemática. Oh hell, o drama, o horror, a tragédia: wild bicha fica mais uma vez impedida de concretizar o seu sonho. E agora? 

Podia ter feito qualquer coisa - podia ter continuado a tentar passar no exame até me crescerem barbas brancas (isto porque, entenda-se, eu acredito cada vez mais que velha nenhuma se escapa a uma barba que pingue sabedoria e azeite) ou procurado outras soluções porque, afinal, o que importa não é tanto o caminho mas sim a meta. E, apesar de, por vezes, meter o pé em falso e dizer que não quero mais do que isto, sei que sou demasiado teimosa para me conformar e que a meta continua lá, à espera de que eu lá chegue, quer vá a correr, a andar ou a rebolar. Hei de lá chegar.

Decidi-me por um curso que me desse equivalência ao 12º ano, oportunidade de entrar na faculdade e alguma experiência na área de que gosto. Se implicou voltar atrás? De certa forma, sim. Mas cada vez mais tenho a certeza de que também me deu a oportunidade de dar dois passos à frente naquela que continua a ser a profissão que eu almejo.

Neste momento, sou uma mera estagiária de auxiliar de saúde, mas cada dia que passa tenho mais a certeza de que é esta vida que eu quero para mim - não a de auxiliar, entenda-se. Este é um contentamento temporário que me serve menos à medida que a paixão pela enfermagem aumenta e as minhas oportunidades também. E o saber que sou boa naquilo que faço apazigua-me e dá-me mais força para não desistir assim tão facilmente; sei que ganhei uma destreza que me será favorável um dia destes e que já passei por aquele que achei que seria o meu teste de fogo: feridas feias não me impressionam mas não sabia como lidaria com a morte e acabei por me surpreender a mim mesma pela positiva. 

Isto para dizer que o importante é não ficar parada a meio do caminho a choramingar porque aquele que eu sabia que me levaria mais rápido está interdito - é ir na mesma. É ir à volta, é escolher outro. E não ter medo de errar, de voltar atrás, de dar dois saltos. Ou três.
Se nunca pararmos, um dia destes, estaremos no sítio certo.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

try again, please

Não vou à praia desde que cometi o suicídio.

 Já vos disse que fico louca com as merdas que ouço?