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domingo, 13 de novembro de 2016

demasiada areia para o meu camião

Contrariamente ao que seria expectável, eu não fico feliz quando apanho alguém a olhar muito para mim, como acontece lá com o interno giro - convenhamos que um moço bonito, adorável e inteligente, nunca olharia para a miúda feia e medianamente gorda que não passa de uma mera auxiliar esquisita, demasiado burra para passar a matemática e ir para enfermagem.

Foi por isso que quando ele veio falar comigo - sobre um doente, cumé óbiu - eu senti que tinha 16 anos outra vez, fiquei atrapalhada e a tagarelar, com uma vontade enorme de me esbofetear no fim. Eu podia, pelo menos, parecer normal quando abro a boca, não podia?

segunda-feira, 14 de março de 2016

ups!

Ontem fui uma pessoa mais feliz: constatei que há gente cujas paragens cerebrais conseguem ser ainda mais tristes do que as minhas.

Depois de mais uma ida ao supermercado, paguei em dinheiro - a senhora da caixa tinha a dar-me 3,36€. Faz as contas, recolhe as moedas e entrega-me o troco, enquanto pede desculpa por ter de ser em moedas.

Ainda não percebi como é que ela me queria dar uma nota, mas ok.

quinta-feira, 3 de março de 2016

ir às aulas sem conseguir que os vossos coleguinhas vos detestem - guia para totós.

Quer estejam só agora a entrar na escolinha, quer tenham andado no 1º ano com um dinossauro, acho que há uma regra de ouro que, infelizmente, a maior parte dos comuns mortais não domina. E é aí que a cinderela entra - está na hora de perceberem isto.

E a aula de hoje é...

*ba dum tsssss*

É verdade que os professores vos vão dizer que valorizam muito a participação na aula e que, tão ou mais importante do que o teste, tem o seu peso na avaliação final - e não, não é mito. Tudo bem. Retenham esta informação. Está?

Ótimo. Mas espero que os mesmos dois neurónios que vos permitiram compreender a premissa anterior também vos façam entender esta: participar não é dizer a primeira merda que vos passa pela cabeça. Não é com uma resposta aleatória e descontextualizada que vão conseguir um 20 na participação. 

Lamento informar-vos mas vocês não vão parecer mais inteligentes por, a meio de uma aula de biologia sobre, sei lá, hereditariedade, espetarem a antena aka dedo no ar e gritarem "sapatos!", ou "arroz de feijão...". Também não resulta lembrarem-se de, numa aula de matemática, decidirem perguntar a massa do sol, só para parecer que têm alguma coisa a dizer e para mostrarem que sabem que há um sol e que o sol tem uma determinada massa e que vocês têm um atraso mental e não sabiam como dizê-lo sem uma demonstração prática. 

Desculpem: vocês são o terror das pessoas que gostam de aprender e fazem com que elas temam, diariamente, ficar estrábicas dada a quantidade de vezes que acabam a revirar os olhos por vossa causa.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

em véspera de dia dos namorados

No hospital onde estagiei não se pode dizer que houvesse muita gente a fazer as delícias da minha vista - mas há um mocinho jeitoso que, felizmente, trabalha logo na portaria e, nos dias em que ele entrava à mesma hora que eu, parecia natal. 

Claro que nunca cheguei a saber o nome da criatura, até porque nunca me interessei que chegue para isso. É, sei lá, imaginem qualquer coisa tipo uma montra com uma imagem do papa joão paulo II, esculpida em cera, com quase dois metros de altura, vestido de bailarina clássica e vocês acham piada à coisa e passam por lá muitas vezes porque gostam de mirar a estátua, mas nunca chegam a entrar na loja para perguntar o preço porque sabem que não precisam daquilo para nada nem tinham espaço para um mamarracho daqueles lá em casa. Era mais ou menos isto, mas eu tinha espaço de sobra na minha cama e um coração gigante para o albergar.

Quis o destino que eu, hoje, andasse aqui a fazer umas investigações por conta própria (aka, satisfazer os desejos da minha curiosidade) e encontrasse, por acaso, um moço giro que só ele. Convenhamos que, muito embora o meu moço seja ciumento, uma pessoa pode, e deve, sempre permitir-se a orgasmos cerebrais múltiplos quando encontra uma peça de arte destas. E depois esse tem um amigo. E o amigo é giro. E aquela tromba é-me estupidamente familiar.

Foi assim que eu descobri o nome do mocinho giro do hospital.
E o da namorada também.


(mas tem uma namorada plus size e ficam adoráveis juntos, so i got that going for me)

sábado, 23 de janeiro de 2016

não faleci

Escrever-vos-ia mais vezes de boa vontade se:

a) não andasse tão cansada, entre o hospital e o ginásio, que acabo por adormecer pouco depois das dez da noite;
b) a minha internet colaborasse um bocadinho e não desmaiasse de dois em dois minutos;
c) me acontecessem montes de coisas giras que originassem posts interessantes e cenas que tais.

Da maneira que as coisas andam, creio que só vou ter alguma coisa a dizer - e vontade de o fazer! - quando for eleita presidente da república (tino de rans ao poder!) ou, acidentalmente, encontrar a maddie debaixo de uma banca da fruta no mercado de domingo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

o dia da desgraça

Fui deitar um doente que estava sentado numa cadeira de rodas; posicionei a dita cuja, travei-a, assegurei-me de que os suportes para os pés estavam levantados, e puxei o homem pela parte de trás das calças, comme il faut. 

Quando dei por mim, estava meio abraçada a um jovem com o quíntuplo da minha idade e mais meio metro de altura, que me olhava a sorrir enquanto me dizia olá e se metia a balbuciar - percebi depois que o homenzinho baixou um dos suportes para os pés, sabe deus como, e estava a pisar-me com ele.

E a parte triste da coisa?
Isto foi o mais próximo que eu tive de um momento romântico nos últimos, sei lá, mil anos?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

damn you, autocorrect

Estava eu aqui fodida desta vida mas depois a correção automática decidiu trocar o meu inocente «não sei como é que vou conseguir não me constipar! sou super frágil nesse aspeto.» por um «não sei como é que vou conseguir não me consolar! sou super frágil nesse aspeto.», e o meu dia não melhorou mas pelo menos tive direito a mostrar a deusa do desastre que há em mim, so i got that goin' for me.