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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

quando os mortos regressam da morte, oh hell

Decorria tranquilamente o ano de 1928 quando, numa noite em que a sobriedade foi deixada em casa, acabei a dançar o jajão com um mocinho. Sim, o jajão - e isto é ótimo para situar a ação no tempo. Estão a pensar há quantos anos andávamos nós a cantar era só jajão? Três. Three. Trois.

Não posso dizer que em algum momento tive a ilusão de que era o homem da minha vida, apesar de esse facto se ter confirmado numa fase muito prematura da nossa pseudo-relação; assim como assim, era livre que nem um passarinho e fui conversando com a criatura numa boa, sem que tivesse chegado a acontecer o que quer que fosse entre nós. Graças a deus.

Mais tarde, descobri-lhe umas mentiras, cansei-me de histórias enroladas e mandei-o às couves. Ressuscitou uns meses depois - fui rápida a matá-lo novamente e nunca mais tive notícias do gajo.

Até hoje.
Quase três anos depois do último ataque, mais de três anos depois da fatídica noite em que dançámos o jajão, por algum motivo que me transcende, o ser mais-que-falecido nos recônditos da minha memória, enviou-me uma mensagem a meter conversa.

Repito: perto de três anos mais tarde.
Será que ficou este tempo todo à espera de que eu me esquecesse da falta de valores - e da de noção - e lhe desse outra oportunidade? 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

vou só deixar isto aqui



Parece-me importante anotar que:

1) as minhas skills para fazer montagens são exatamente o que se vê: sei fazer desenhos no paint, só;
2) limitei-me a cortar nomes e comentários e tudo e tudo - as hashtags foram mesmo colocadas ali pela criatura;
3) estou a perder a fé no mundo;
4) vou só ali tirar uma foto no bidé, até amanhã.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

breve história de uma lontra distraída

Dona lontra foi à praia, sozinha, e passou a tarde a oscilar entre momentos de tranquilidade extrema e momentos de deprimência profunda. Dona lontra foi quase que expulsa da praia durante aquilo que mais parecia uma tempestade de areia. Dona lontra decidiu aproveitar para ir atestar o depósito e consolar o coração destroçado e as banhas num big mac. Dona lontra pensou até em comer no próprio macdonalds, mas avistou gente conhecida ainda antes de entrar. Dona lontra fez uma conta mentalmente e decidiu que não queria conversar porque se estava a sentir mal naquele vestido, com o cabelo desgrenhado e, de qualquer forma, aquelas pessoas nem sequer gostam de lontras. Dona lontra pede um big mac e sai, com a carteira, o telemóvel, as chaves do carro, o saco do hamburguer e a bebida nas mãos. Dona lontra pousa o ice tea de pêssego em cima do tejadilho do carro momentaneamente e instala-se dentro do mesmo. Dona lontra continua deprimida e pensa em comer ali mesmo, no parque de estacionamento, sozinha, dentro do carro. Dona lontra muda de ideias e decide ir para casa, comendo as batatas pelo caminho. Dona lontra pensa em ir aviando a bebida também porque, afinal, o gelo vai derreter até que a dona lontra chegue a casa e o ice tea vai estar ainda mais aguado. Mas a estúpida da dona lontra muda de ideias; arranca. Dona lontra entra na rotunda e ouve alguém a apitar - ainda pisca os olhos aflita, mas sabe que está a fazer tudo direitinho como manda a lei e parte do princípio de que não deve ser para si. Dona lontra prossegue. Dona lontra, a meio da autoestrada, entra em pânico: esqueceu-se de acondicionar a bebida e a esta hora já deve ter o banco encharcado. Dona lontra apalpa o banco. Nada. Dona lontra olha para o tapete do lado do pendura. Nada. Dona lontra reflete; o ice tea ficou no tejadilho do carro. Dona lontra percebe, finalmente, o porquê da buzinadela na rotunda: todos queriam um adereço daqueles. Mas o mais triste de tudo: dona lontra encostou, assim que saíu da autoestrada, e numa esperança vã e absurda, ainda foi confirmar, não fosse deus ter metido uma mãozinha ao copo e a bebida ainda estar lá, direitinha, em cima do tejadilho.

Nem deus lhe valeu, deixem-me que vos diga. Nem deus.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

mas porque é que não tens namorado, cinderela?

Talvez porque tenho uma certa tendência para atrair monglóides - refazendo: tenho uma certa tendência para só atrair monglóides.
Foi assim que ontem acabei a ser, literalmente, perseguida por um que até se deu ao trabalho de esperar por mim à porta da casa de banho. E no multibanco.

Deus abandonou-me mesmo.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

eeeee este é o futuro do país

Há alguma coisa pior do que a típica selfie durante um beijo, com as linguitas à mostra?

Há.
Uma foto tirada por uma terceira pessoa onde um dos intervenientes da endoscopia está a olhar para a câmera, de olhos bem abertos, a fazer-se à foto.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

a primeira sequela da tragédia

Dos mesmos autores de eu-posso-ter-um-filho-porque-já-tive-um-tamagotchi-e-correu-tudo-bem chega o já-agora-também-posso-ter-uma-casa-só-para-mim-porque-já-joguei-sims-e-parecia-fácil. Até o meu fígado se contorce só de pensar.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

google it



Não sei se o que me preocupa mais é haver quem pesquise por isto ou se é mesmo o facto de haver quem chegue ao meu blog através dessas mesmas pesquisas. Mas tenho medo.

aquele carinho na zona mais preciosa

Estão a ver aquela tendência típica das grávidas de tirarem fotos com a mão na barriga?
Eu acabei de ver uma foto assim no fb.

Mas era um homem.

E não era na barriga.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

e é isto

Cheguei ao recinto do festival pouquíssimo depois da meia noite e decidi ir imediatamente marcar território; mal entrei na casa de banho, deparei-me com uma rebanhada de pitas à volta da porta de um cubículo onde a amiga estava a vomitar. Àquela hora. 

Elas tinham todo o ar de quem ainda bebia leite pelo biberon e, assim na pura da loucura, quisémos acreditar que aquilo fosse mesmo uma congestão. Falámos com as miúdas:

- ah, ela comeu bacalhau com natas e frango (?). isto foram as misturas.

E isto, crianças, é o que acontece quando vocês bebem coca cola e fanta no mesmo dia.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

um dia destes eu volto a dormir

Não sei se vos interessa, mas achei por bem informar-vos de que as minhas skills no que toda a adormecer em sítios estranhos estão mesmo a desenvolver-se a olhos vistos - ainda ontem, por exemplo, adormeci sentada com as pernas à chinês, no meio da cama e sem estar apoiada a nada, enquanto dobrava cuecas.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

vidas tristes

Em temos temi que o facto de eu só conseguir desenvolver as minhas skills em mandarim quando estou bêbeda pudesse pôr em causa o meu futuro promissor - esse pesadelo acabou.

Ontem, devo ter demorado apenas uns trinta segundos a adormecer - mas depois, não sei precisar quanto tempo mais tarde, chegou a já habitual mensagem foficoisa de boas noites. De alguma forma, eu devo ter acordado e continuado a dormir, tudo em simultâneo, porque eu respondi e não me lembro de tal coisa. Só sei que hoje de manhã percebi que o meu futuro não está arruinado nem dependente de uma inscrição nos alcoólicos anónimos quando encontrei a mensagem, por mero acaso, e dizia:

eu adoro. adoro mesta.

Creio que a intenção fosse escrever eu adoro-te. adoro mesmo. mas não tenho tanta certeza acerca disso quanta tenho sobre isto ter sido obra do demónio. Fordalóbeógod.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

perco a fé no mundo oito vezes por dia


Não tenho a certeza se isto será uma carta de suicídio ou se a miúda demorou mesmo 19 anos a chegar à maravilhosa conclusão de que não vai ficar neste mundo para semente e isso lhe acalentou o espírito, talvez cansado de ser um lagar de azeite ambulante.

sábado, 27 de dezembro de 2014

ainda do falecido*

Não é que o gajo seja má pessoa - mas nem ao diabo o recomendava porque, inocentemente, julgou que teria hipótese de me mentir duas vezes. Não teve - apanhei-lhe a primeira mentira e o gajo voou. Só. De qualquer forma, há traumas que eu nunca consegui ultrapassar, como o dia em que isto aconteceu:

(uma qualquer lamúria da parte dele)
eu: que tens? dói-te o ovário?

(faz-se uma pausa dramática em que ele fica a olhar para mim)
ele: agora deixaste-me confuso... eu tenho ovários?

Inspiro com força. Todos temos dias maus, não é verdade? Provavelmente isto foi uma confusão típica da posição dos astros naquele dia ou coisa do género. Ele não podia estar a falar a sério. Comecei então uma explicação como se o meu público alvo fosse um puto de três anos com um atraso mental:

eu: sabes, há orgãos que eu tenho e tu não tens, há orgãos que tu tens e eu não tenho...

(o olhar dele ilumina-se como se estivesse a receber um sinal divino. eu senti o meu coração cheio de amor e esperança; ainda não era o fim.)

ele: pois é! vocês não têm pâncreas, não é?

Acho que foi neste dia que eu comecei a desconfiar que as coisas entre nós não iam resultar.

*será que eu mencionei que ele conhece o cinderela e que é mais ou menos provável que ainda cá passe? não? não? então imaginem só a emoção.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

nojo

Um velho, bem velho, que me atirou beijinhos e me convidou para ir com ele ali. Então não? Pois amigo, vai andando que eu já lá vou ter.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

obrigada?

Cruzei-me com duas velhas e elas ficaram a olhar para mim - de repente, uma diz aaah, tu emagreceste tanto! como é que fizeste para perder a barriga toda?

Comecei-me a rir. Emagreci, sim, é um facto, mas nem eu sei explicar esse fenómeno porque a) o meu exercício físico não vai muito além de rebolar para um lado e para o outro e b) eu adoro comer. Respondi-lhes olhe que ela ainda aqui está toda!

Calam-se as duas por um momento. Do nada, vira-se uma para a outra:

- já se come!


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

pelo menos, parece

Não posso dizer que seja uma expert em conselhos e cenas, tanto mais que sou horrível a segui-los, mas gostava de deixar uma sugestão para os moços que, eventualmente, andem por aqui:

se forem à praia com a namorada e vos apetecer tirar uma daquelas fotos sem jeito onde ainda aparecem da cintura para baixo, pra botá nu feicibuqui, certifiquem-se de que não deixam, no primeiro plano, uma tenda armada. 

A gerência agradece.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

that awkward moment

Assim que entrei no centro de emprego, vi que o rececionista era um pequeno com uns dois metros de altura e quatro de largura, com o ar austero de quem preferia estar a tirar cera dos ouvidos da sogra com a lígua a estar ali. 

A imagem que eu tive do homem não melhorou quando o ouvi falar com uma mulher. Era, declaradamente, um brutamontes. Mas eu estava sozinha, meio desorientada, sem saber o que é que era suposto fazer e onde é que era suposto ir; fui-lhe pedir informações.

O homem foi super simpático e eu acabei por me sentar na sala de espera a pensar como às vezes as pessoas nos surpreendem. Passado um bocado, inclinei a cabeça de encontro ao pilar que ficava ao lado da minha cadeira, porque me sentia capaz de adormecer a qualquer momento. Mais ou menos nessa altura, reparei que o homem estava a olhar para mim e até inclinou a cabeça, enquanto me sorria. E eu continuei a vê-lo ser bruto pra caralho e a olhar para mim de vez em quando.

Okay. Podia ter sido impressão minha, num é? Não foi. Não foi, porque ele se cruzou comigo assim que eu saí do gabinete onde fui atendida e voltou a desfazer-se em sorrisos. Já está? Já, já estava a postos de me meter a fugir dali a sete pés, já. 

Das duas uma: ou sou tão boa que ando por aí a partir corações, ou o homem apercebeu-se de que eu tenho um atraso mental. Pequena pista: sou uma lontra obesa e anormal. Fim.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

nada acontece por acaso

Há anos que queria ler este livro - mas não mais do que queria ler qualquer um dos outros dois mas, por qualquer motivo, peguei no para a minha irmã em primeiro lugar.

Já vi o filme umas seis vezes e juro que chorei baba e ranho em todas elas - mas nada se assemelha ao momento em que conheci a julia, uma personagem que não aparece no filme e que parece ser o meu reflexo, e percebo que a história dela com o campbell podia, pelo menos parcialmente, ser escrita sobre mim e o rapaz. Não chorei quando me apercebi disto mas engoli em seco - porquê agora? Há um mês atrás, esta história não me faria metade do sentido. Agora parece ter sido talhada para mim.

Como é que, depois de anos a querer ler o livro, o fui ler num momento da minha vida em que parece que a jodi picoult tinha escrito sobre a minha vida? Epá.