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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

sobre as insónias

Os pensamentos surgem a uma velocidade que me entontece - penso nisto e naquilo, ligo os pontos, baralho-me, começo do início. É difícil traçar mapas de histórias que ficaram por contar; canso-me e finjo que sou capaz de esquecer, que não sou má nas pontas soltas e que sei dar-lhes um nó sozinha. Mas não sei.

Acordo mais confusa do que me deitei, mais perdida; nessa mania de não ouvir ninguém, já não sei onde está a minha própria voz, já nem eu sei o que penso. Soubesse eu - mas não sei. Parece loucura, porque talvez o seja mesmo. A loucura dos que estão perdidos e não se conseguem encontrar em parte alguma.

E então, a necessidade volta, a urgência instala-se outra vez. Respiro fundo... e vou ver o mar.
Um dia destes descubro o que fazer comigo mesma - espero que seja hoje. Espero que seja já.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

chubby cinderella

Acho que já deve ter passado quase um ano desde  que eu decidi ir para o ginásio - mas sou portuguesíssima e não via motivo para gastar dinheiro e gordura quando toda a gente sabe que basta assolapar a peida no sofá e ficar à espera do dia em que acordamos magras e gostosas. 

Quando, finalmente, disse a mim mesma «agora é que é!», comecei a comer que nem uma porca insaciável porque a ideia de emagrecer me dá fome e já sabia que ela me ia começar a proibir de comer tudo o que é bom.
Fui hoje inscrever-me e amanhã começo a ir.
Vou passar a noite a chorar baba e ranho e a comer chocolate. Só isso.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

ser eu é isto

Outra prova de que eu não regulo bem do sistema é o facto de eu ser daquelas pessoas chaaaatas que pensam em tudo e mais alguma coisa com todos os pormenores possíveis e prováveis e tudo e tudo e tudo, mas depois tomo sempre as decisões mais loucas de repente, de forma impensada e completamente aleatória.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

e isto ainda não é nada ao lado do que será depois

Estava a ficar tão desesperada para ocupar os dias que comecei a temer pela minha sanidade mental e já só imaginava o dia em que acabava a fritar o meu próprio rim, só para me divertir.

Consegui, como já disse - agora, durante seis dias por semana, pertenço a outras terras, sou de outras pessoas, faço coisas pela vida. E, aquela que julguei ser a melhor parte, isso implica uma ida e vinda de comboio todos os dias, o que, a avaliar pelos textos deprimentes cujo cenário que lhes serve de palco é exatamente um comboio, já deve ter dado para perceber que eu adoro.

O que eu não pensei é que ele acabaria, inevitavelmente, cheio de pessoas que vão para onde eu queria ir - acho que, apesar de tudo, só hoje me deixei abater realmente por estar, mais uma vez, impedida de ir para a faculdade. Só hoje me apercebi de que estou mesmo triste por ainda não ter sido desta e que de pouco adianta fingir para mim mesma que estou feliz com a forma que arranjei para não pensar em nada.

Durante meia hora, estive rodeada de estudantes cujas conversas rondam à volta das praxes, dos professores, do dinheiro que se gasta e da latada que aí vem, e acho que só sobrevivi a outra viagem porque, quando estava a voltar para casa, sentei-me ao pé de uma velha barbuda e afundei-me num livro. Mas não consigo parar de pensar nisto. Acabei por aperceber-me de que, e apesar de isto ser quase considerado um crime para alguém da minha idade e que vive perto de coimbra, nunca meti os pés na latada e também ainda não vai ser este ano porque me estou a meter em tantas coisas ao mesmo tempo que me cheira que a pouca vida social que ainda tinha está à beira da morte e saídas só em tempo de férias e, ocasionalmente, em folgas. Isto assusta-me pra caralho porque sinto que é uma ilusão, que, de tanto me tentar manter distraída e seguir em frente, vou estagnar a minha vida e acabar por enlouquecer na mesma quando me aperceber de que todos os outros continuaram, menos eu. E tenho medo de perder os poucos que ainda tenho comigo, mas pareceu-me que me estava a perder a mim mesma e agora já não tenho a certeza de nada. Devia ter pensado nisto antes. Agora acho que mal me vai restar tempo para respirar. Pelo menos, até que eu tome uma decisão.

(e sim, eu sei que vocês não perceberam um caralho e que estou a fazer um mistério enorme à volta do que realmente se está a passar comigo mas paciência. é esta a desvantagem de não se ter um blog anónimo e haver imensa gente que me conhece a ler; se queremos falar sem deixar que os outros fiquem a saber tanto quanto nós porque, até agora, são pouquíssimos aqueles a quem contei, só nos resta expressarmo-nos por meias palavras. btw, não, não virei stripper nem prostituta.)

o mal da existência

Costumava rever o mr nobody sempre que precisava de tomar alguma decisão importante, mas depois percebi que isso acaba por ser absurdo e que não existem decisões importantes e outras insignificantes - todas, de alguma forma, fazem a diferença. E, na maior parte do tempo, nem nos apercebemos de que as tomámos e de que elas mudaram a nossa vida.

em jeito de confissão

Já tomei uma decisão e já voltei atrás outra vez; por qualquer motivo, não consigo organizar as ideias durante mais do que meia hora seguida sem que alguma coisa me volte a abalar as certezas, ainda demasiado frágeis, que vou tendo. O problema é que sei que não tenho muito mais tempo para hesitações, para estar armada em nem-fode-nem-sai-de-cima, e o que quer que eu decida fazer, tem de ser já. E, na dúvida, não o posso deixar ir sem voltar a tentar; sei que vou conhecer muitas mais pessoas e que algumas serão um milhão de vezes melhores do que ele mas, neste momento, é ele que me parece das melhores pessoas com quem algum dia me cruzei. É dele que eu quero ir atrás.

Posto isto, e porque neste momento o mail é mesmo das poucas formas que me restam para chegar até ele, acabei por ter uma ideia um bocado estranha, dois bocados pirosa e muiiito à filme; lembrei-me de uma amiga que disse que, se pudesse, se casava comigo só para eu lhe escrever cartas bonitas, e ocorreu-me que isso podia resultar. Ocorreu-me escrever-lhe sempre que os meus surtos de insanidade mental me atacassem e eu não conseguisse mais conter-me. Ocorreu-me ir-lhe contando como é que me estou a sentir da maneira que melhor me sei expressar. Ocorreu-me escrever-lhe tantas vezes quantas forem necessárias até que alguma coisa aconteça. Ocorreu-me tentar explicar-lhe, de mansinho, tudo o que ele nunca me deu oportunidade de explicar.

Sei que, provavelmente, ele não vai ligar e que fodi demasiado as coisas para ele ainda se deixar levar por meia dúzia de palavras bonitas, mas também sei que não sei ser de outra maneira. Que, se é para me mostrar exatamente como sou, como me sinto um peixe na água e dizer, palavra por palavra, como me sinto, só escrevendo - e se, mesmo assim, nada disto resultar, se ele continuar sem conseguir acreditar em mim, eu deixo o cansaço e o orgulho ganharem. Mas agora não - ainda não. Não desta vez.

domingo, 21 de setembro de 2014

siga

Eu sou essa pessoa terrível que vai pedir conselhos a oito mil pessoas diferentes, vai escutar cada um deles atentamente e, por fim, vai acabar por fazer exatamente o que lhe apetece fazer desde o início. Mesmo que isso vá contra tudo e contra todos. Não quero saber disso para nada - pelo menos até vir aquele filho da puta com o típico eu bem te avisei!, porque isso deixa-me fora de mim.

Estou-me a cagar para os avisos quando sinto que quero arriscar. Mesmo que isso seja o pior para mim - quando não se sabe o que é melhor, faz-se o que se quer e acabou. Se correr mal, paciência. Contrariar-me a mim mesma é que não.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

uma pausa

Antes dos 18, mais do que tirar a carta, eu ansiava poder tornar-me dadora de medúla óssea - já tenho 19 e ainda não sou. Suspendi essa ideia por ter a minha mãe sempre a martelar-me aos ouvidos que, com o meu historial, devia era querer afastar-me dos hospitais e não me meter noutra dessas. Confesso - por momentos, cheguei a achar que ela tinha razão. Mas não tem.

A bia morreu. Eu nunca vi a bia, mas lembro-me da impotência que senti quando, aos 17 anos, li a história no blog da pólo norte, lembro-me de me terem vindo as lágrimas aos olhos, especialmente quando a bia passou a ter um rosto na minha cabeça - quando vi aquele par de olhos cor do mar, quando vi o sorriso dela. Mas esqueci-me dela com o passar do tempo.

Lembrei-me dela da pior forma possível. E voltei a sentir as lágrimas nos olhos e a chorar a morte de quem eu não conheço - já me morreu uma criança na família. Já me morreu uma criança de quem eu gostava mais do que tudo, e estas coisas não deviam acontecer. Nunca. Mas acontecem e são de lamentar. Hoje, o cinderela está de luto e voltou-me a certeza de que não hesitaria em ser a mana da bia. Quero ser dadora de medúla óssea, sim. E hei de sê-lo.

sábado, 26 de julho de 2014

manias antigas

Eu ainda penso no mr nobody de cada vez que tenho de tomar uma decisão importante, e ainda ouço a voz do jared leto a dizer as long as you don't choose, everything remains possible. Fosse tudo assim tão linear - ou pudêssemos nós ver todas as consequências das nossas escolhas antes de as fazer. 

like a lady

Achei que ia ficar nervosa mas por acaso estou estranhamente calma, dizia eu na maior das inocências. Pois sim, patrícia. Passei a noite às voltas a fazer pequenas sestas e a acordar ainda mais confusa, ora porque tive sonhos que me pareceram tão reais que tive de conferir três vezes para ter a certeza de que aquilo não tinha acontecido mesmo, ora porque olhava para as horas e me sentia perdida no tempo porque não entendia o que se estava a passar comigo. Com isto tudo, não devo ter chegado a dormir uma hora seguida e agora estou aqui, meio em modo zombie, meio com energia para dar e vender. Parece-me um bom dia para me enfiar na cozinha, a ver se acalmo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

verdade seja dita

Não encontro nenhum motivo para estar a fazer exatamente o contrário daquilo que quero, a não ser o orgulho - e eu nunca gostei de me contrariar, sempre gostei de me dar ao luxo de fazer o que me apetece, mas desta vez sei que tenho de mandar o gajo com o caralho e segurar-me o suficiente para não ir com ele. Uma pessoa acaba por se cansar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

torçam por mim

Para o bem ou para o mal, amanhã arrumo as tralhas de matemática todas e começo, finalmente, a tomar decisões. Sinceramente, nem sei o que é que é mais complicado.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

serviu para uma amiga, serve para vocês

Não se refugiem no "eu não consigo". 
Façam o que quiserem, mas não façam de conta que é por não conseguirem fazer outra coisa qualquer. Percebem o que quero dizer? Temos tendência para fingirmos que não aguentamos porque, na realidade, não queremos aguentar. Queremos escolher outro caminho, fazer outra coisa - e, se for isso que querem, façam-no, mas assumam-no. Não se refugiem na ideia de que são fracos, porque não são. Só não querem ser fortes.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

quinta-feira, 17 de abril de 2014

sério

Aproximadamente quarenta e dois segundos após me ter acomodado no comboio, de fones nos ouvidos e livro no colo, entrei noutra dimensão e deixei de ver o que quer que fosse à volta, até acabar o livro; quando levantei a cabeça, comecei a hiperventilar, e tive a certeza de que aquele era o meu fim. Sentado ao meu lado, estava aquele que eu estava capaz de jurar ser o rapazinho, que por acaso é das últimas pessoas que me apetece ver neste momento. Só podia ser ele; de perfil, era igual. Tinha os mesmos tiques, a mesma forma de estar, gesticulava como se o gajo com quem conversava fosse surdo. Até que decidi, finalmente, meter a música em pausa e, com o coração na garganta, tentar ouvir a voz do bicho - era brasileiro. E, depois de uma eternidade a olhar para ele, cheguei à conclusão de que era meio encardido e feio como tudo, ao contrário do rapazito em questão. 

Nem sei. Sobrevivi por pouco, mas estou a conter-me há horas porque fiquei a morrer de vontade de lhe dizer que descobri que ele tem um sósia brasileiro com cara de marroquino, mas se há coisa que não tenciono fazer nos próximos vinte anos, é falar com ele. Valha-me deus. Se não fosse o orgulho ser mais forte, nem sei o que era de mim.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ponto final

O truque é não pensar, não planear. 
Contar até três e explodir. Acredito que possa acabar muito mal, mas estou certa de que em vou sentir mais livre do que nunca. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

reflexões de uma mente perturbada

Eu sou, definitivamente, um caso perdido. Quando acontece alguma coisa, tanto faz dizerem-me que vai correr tudo bem como não - estou-me a foder para o que os outros dizem, eu é que sei da minha vida. Claro que na prática não é bem assim, mas eu fico com vontade de me isolar do mundo e enterrar a cabeça na areia, até que a tempestade passe.

Mais tarde, lá entendo que enrolar-me no meu canto a chorar baba e ranho enquanto passo em revista todos os momentos em que errei, todas as oportunidades que eu tive para fazer bem as coisas e, mesmo assim, fiz merda, não adianta. E então, fico capaz de tudo e mais alguma coisa, o que chega a ser um perigo. Só não separo as águas do mar vermelho para não aborrecer moisés, que diz que isso foi ideia dele.

Isto é quase bom, não fosse eu estar certa de que, para variar, sou eu quem vai acabar mal. Safoda.

sábado, 18 de janeiro de 2014

na margem

A maior parte das minhas decisões são tomadas completamente à toa, mesmo depois de ter esmiuçado todas as hipóteses e possíveis consequências. Na maior parte do tempo, estou em pânico com o que se segue - mas, na maior parte das vezes, decido preocupar-me com isso só na altura certa, e amanhã logo se vê.

Estão a ver aquela hora do dia em que vocês pensam que querem mesmo escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho? É mais ou menos por essa altura que eu decido. E depois, como é óbvio, dá merda - ou porque vai haver noites em que o pânico se vai apoderar de mim, ou porque vai haver noites em que a coragem e a ansiedade vão falar mais alto e eu vou querer acabar com isto tudo.

Mas decidi. Decidi ontem. Ou então decidi há imenso tempo mas só descobri ontem - chega disto. Chega mesmo. Está na hora de acabar com isto tudo de uma vez por todas.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

patrícia e as indecisões permanentes

Foi graças a um sonho que percebi que a resposta me vai ser difícil de digerir quer seja um sim ou um não. Talvez mais ainda se for um sim, porque mete demasiadas coisas em jogo; ainda assim, queria arriscar. Que seja sim, desta vez. Que resulte. É só.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

problemas de ser eu

Andei a hesitar durante semanas - não sabia se ia, se ficava. Tinha medo, digamos assim, porque qualquer uma das hipóteses tinha consequências com que talvez não conseguisse lidar.

Claro que a minha indecisão acabou quando soube que é bastante improvável que me deixem ir; então é óbvio que eu vou fazer tudo e mais alguma coisa para contrariar isso porque, agora mais do que nunca, eu sei que não posso e não quero ficar. Haja quem me entenda.