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sexta-feira, 23 de junho de 2017

a land of confusion

Eu cá não sei, mas creio que o demo tem mão - ou um corno - nisto: de alguma forma, é sempre na altura de decidir que todas as certezas se tornam em dúvidas, que o mundo parece dar mil e uma voltas de uma só vez e damos por nós exaustos e sem saber muito bem onde pára a sanidade mental.

É assim que me sinto neste momento, mais coisa menos coisa. Não sei para onde ir, não sei o que escolher: reparo que fui guardando sonhos na manga e escondendo as decisões debaixo da almofada. Agora tenho de assistir ao confronto, o tête-à-tête final, os prós e os contras de qualquer caminho que eu escolha. Em boa verdade, a minha vida nunca bateu tão certo mas também nunca esteve tão desacertada; tenho o coração no sítio e a cabeça perdida. Fazer o quê?

Sinto-me em contra relógio: o que quer que eu decida, exige que seja rápida e que não me lamente no fim. Passo os dias a mudar de ideias e a sonhar com várias versões de um mesmo futuro: não sei para onde ir. Numa altura em que todos os caminhos me parecem certos e errados ao mesmo tempo, não faço a mais pequena ideia do que escolher.

E sento-me.
Amanhã penso nisso.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

sobre as terapias de choque

Por mais que tente, juro que não consigo situar na minha história o momento em que passei a ter medo de andar de elevadores, mas aconteceu - e não é o elevador em si, é a ideia de ficar trancada naquele cubículo apertado. 

Ora, estou entre a espada e a parede - ou, usando o meu motto preferido em noites de bebedeira, se tudo correr bem, vai dar merda. Só que, desta vez, não mete álcool: mete elevadores. Se tudo correr bem, terei de me habituar à ideia de que não posso continuar a correr escadas acima, alegando que não tenho ido às aulas de step. É só meio triste.

E então, fazem-me terapias de choque: enfiam-me no elevador e metem-se aos saltos. Eu não sei se me borro ou se tenho um piripaque qualquer, ou se faço ambos em simultâneo, e então, na dúvida, agarro-me a quem estiver mais perto e rezo três pais nossos e cinco avé marias até que a puta da porta abre - já alguém pensou, assim na pura da loucura, em não deixar que as portas dos elevadores demorem mais do que dois segundos a abrir? - e eu reencontro a paz e a harmonia até me lembrar de que quero fazer disto vida.

domingo, 24 de agosto de 2014

até depois

Já me cruzei com tanta gente, já me apaixonei um milhão de vezes, mas é a ti que volto - não que sejas o melhor, entenda-se. Na realidade, gostar de ti só é equiparável a estar abandonada num barco podre, em mar alto, a meio de uma tempestade. Não te iludas; não vales nada e o teu único feito é virares a minha vida do avesso - mas transformas a minha vida nesse tal inferno em que vale a pena viver. Esse inferno viciante de onde se sai com a certeza de que um dia se há de voltar.

Não senti a tua falta, inicialmente. E mesmo agora, confesso, não são saudades que me tiram o sono à noite, porque sei que não me adianta muito ficar a pensar em ti, onde estarás, como estarás. Com quem estarás. Deixei-te ir porque sei que temos tempo e que se tempo não houvesse ainda havíamos de o inventar - hei de te voltar a pertencer, sim, e cagaremos de alto nesse gajo que diz que ninguém é de ninguém. Hei de ser tua, nem que seja quando tiver de te espreitar a barriga de cerveja por trás dos meus óculos fundo de garrafa e dos meus cabelos brancos. 

Mais tarde ou mais cedo, vou acabar por te encontrar. Vai parecer um acidente mas não acredites muito nisso - é provável que eu acabe por andar louca à tua procura. Começa a desconfiar da gaja que encontras todos os dias na tua rua, enconstada à parede, a fumar com o olhar vago de quem não está realmente ali - mas tem cuidado! Se me confundires com uma prostituta é mais ou menos provável que eu esteja do outro lado da rua e acabes com uma pochette entalada no cu. Meu amigo, eu vou estar em todo o lado. Vou dar por mim sentada na estação do metro que apanhas todos os dias para o teu emprego chato, tão chato quanto tu, à espera que em algum desses dias possamos viver um reencontro como os outros tolos apaixonados. Ou então vou aparecer à tua porta, despenteada e de pijama, com o ar de quem acabou de sair da casa ao lado, e usar a desculpa do punhado de sal para fazer o almoço.

Ou talvez não. Talvez tome coragem e te toque à campainha e te responda, quando a tua voz rouca soar no intercomunicador a perguntar quem é, que sou eu. Só assim. Sou eu, e espero que esse laço inquebrável, imutável e, definitivamente, inexplicável, te conte quem sou eu. Quando isso acontecer, abre a porta de par em par e deixa-me entrar; vê-me sentar no canto do teu sofá, pés descalços e joelhos encostados ao peito, e oferece-me um café.

Talvez eu esteja a chorar, talvez esteja feliz. Talvez esteja hipnotizada por essa espécie de apatia que nos chega sempre que chegamos onde realmente queremos ir e entendemos que valeu mais o caminho do que a meta. Não sei. Não faço ideia do que pode acontecer a seguir - talvez tenhas alguém, talvez eu já nem queira saber. Mas deves-me uma conversa; deves-me um par de horas e um abraço. Ou então, deves-me o silêncio barulhento a que me habituaste - consigo ouvir cada palavra do que não dizes. Mas deixa-me entrar e depois logo se vê. Temos tempo.

sábado, 9 de agosto de 2014

e eu sei que eles não tiveram filhos

Sempre soube que a minha famelga era pior do que os coelhos e que havia gente com a sorte de partilhar dos meus genes em tudo quanto é sítio - mas, até há uma semana atrás, eu não fazia ideia do quão gigante é realmente a minha família e da quantidade de primos que tenho.

Começo a ponderar pedir que me façam uma árvore genealógica detalhada porque temo mudar-me para o outro lado do mundo e acabar por me casar com um primo em 290303º grau. Ao menos, se tudo correr bem, irmãos não tenho - se tiver, mudo o meu nome para maria eduarda e vou ter filhos (ainda) mais deficientes do que a mãe.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

boltar atás

Depois de ter passado o dia de escola em escola, à procura das ditas soluções, a única conclusão a que chego é que o mal é geral e que afinal é uma estupidez da minha parte passar a vida a falar mal dos funcionários da minha santa escolinha - nenhum quer trabalhar. Em lado nenhum. Fiquei a saber pouco mais do que sabia antes e decidi ser chata. Hei de ligar para lá e mandar mails atrás de mails até que alguém se digne a esclarecer-me sem me despachar porque, certamente, tem a roupa na lixívia e não pode ficar a fazer aquilo para que é paga.

Entretanto lembrei-me da minha voz de pita que fica ainda mais apitalhada quando estou com vergonha. Como é que eu vou ligar para 99983939 escolas e universidades? Temo que se limitem a avisar-me de que o infantário não é ali e desliguem. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

é triste

Depois de ter enviado vários emails, descobri que até era capaz de conseguir entrar num CET virado para o jornalismo e para as línguas. Por outras palavras, o melhor sítio onde eu algum dia poderia estar.

Entretanto fui ver o preço das propinas. Nah. Neeeeeeext.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

verdade seja dita

Não encontro nenhum motivo para estar a fazer exatamente o contrário daquilo que quero, a não ser o orgulho - e eu nunca gostei de me contrariar, sempre gostei de me dar ao luxo de fazer o que me apetece, mas desta vez sei que tenho de mandar o gajo com o caralho e segurar-me o suficiente para não ir com ele. Uma pessoa acaba por se cansar.

sábado, 5 de julho de 2014

o que é que eu quero?

Quero que chegue o fim de semana que vem. Quero sexta e quero sábado. Quero que chova muito - que esteja calor, mas que chova. Quero encontrar o gajo que mais me marcou e já ter bebido o suficiente para o espetar contra uma rocha e obrigá-lo a falar. Ou a engolir um búzio, caso mantenha o voto de silêncio. Quero que passe a summertime sadness, e quero berrar-lha ao ouvido - farei questão de não dizer baby, you're the best, porque seria mentira. Mas hei de gritar-lhe a parte do kiss me hard before you go e hei de o fazer arrepender-se pelo que me fez. Pelo menos, arrepender-se mais do que eu por aquilo que não fiz. Ou talvez não aconteça, talvez eu acabe a cantar sozinha até me doer o peito e me falhar a voz, e talvez tenha de esperar mais um tempo para conseguir o que quero - mas juro, juro-vos, que não hei de morrer sem resolver isto.

de hoje a uma semana

Ando há tantos meses a falar do sunset que sei que, de amanhã a uma semana, quanto tudo estiver terminado, vou ter vontade de cortar os pulsos. Ou então, começo a rezar o terço todas as noites para o ano haver mais!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

felicidade em papel

Podia ter sido um livro - que podia! - mas hoje variei um bocadinho e comprei o bilhete para os dois dias do sunset. Ando desde o ano passado a sonhar com isto e já estou em contagem decrescente, god.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

sobre a instabilidade

Oficialmente, ainda nem chegámos ao sétimo mês deste ano e eu já pintei o cabelo com umas três cores diferentes, já o tive até meio das costas porque o queria comprido, já me passei e já o cortei pelos ombros e já decidi que amanhã vou voltar ao escadeado para que ele cresça outra vez, além de mudar a cor. Tudo isto, repito, nos últimos seis, sete meses.

Agora expliquem-me: como é que é suposto eu escolher uma profissão para o resto da minha vida, uhm?

mirror, mirror in the wall

Querem um conselho? Nunca acreditem quando as vossas miguxas o curassaum vos disserem que estão muito bonitas, muito magras e muito bem vestidas porque, muito provavelmente, é mentira.

A prova disso é que, sempre portadora de uma autoestima invejável, é um tanto ou quanto frequente eu deprimir sempre que as objetivas têm o azar de me apanhar - o que, diga-se, é um tanto ou quanto complicado porque eu sou uma plus size e é preciso estar a uns 50 metros de distância para me enquadrarem na totalidade. Como tal, é igualmente frequente a patrícia, a puta que tem um cargo privilegiado como amiga, vir fazer-me festinhas ao ego naquela de ah mas estás gira, não és assim tão gorda e gosto muito da tua roupa. E então? É mentira!

Como prova disso tenho o facto de, enquanto víamos fotos tiradas há um ano e meio, wild bicha ter ficado com o mesmo ar de choque que eu e ter concordado que eu era uma saponga gorda e horrivelmente feia, além de estar mais mal vestida do que o dobby - que, para os incultos, só andava com uma fronha de almofada.

A única coisa boa disto é perceber que, apesar de continuar a sentir-me feia, gorda e com pouco jeito para me vestir como se gosta, estou mesmo muito diferente. Menos feia e menos gorda. Muito menos gorda, pelos vistos. Okay. Pelas minhas contas, por volta dos 80 anos devo ser gostosa que eu sei lá - mesmo já cheia de caruncho e hemorróidas.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

fingers crossed

Mea culpa - não estudei um caralho para o exame de biologia. Comecei a ler ontem à noite as páginas de resumo do livro de exames, mas cansei-me antes de chegar a ler um completo - estudar para biologia é inútil e eu estava mais ou menos consciente de que, às custas da matemática, enfermagem tinha ido com os porcos.

Afinal, enganei-me. Ninguém diria que o meu 10ºano já lá vai há 3 anos e que odeio a matéria do 11º - correu-me mil vezes melhor do que aquele exame para que, no meu 11º ano, eu passei trezentos e oitenta e quatro anos a estudar. Apesar de achar que tenho a maior parte das perguntas de desenvolvimento bem, não quis sonhar muito alto e contei só com as de escolha múltipla certas - habemus prova de ingresso!

Agora é rezar para que matemática corra bem. Estou a um exame de distância para me livrar do secundário e ir ser - se tudo correr bem - o que quero. Escusado será dizer que estou nervosinha que eu sei lá!

terça-feira, 10 de junho de 2014

a minha mãe é melhor do que a tua

- queres ir passar umas semanas a frança, patrícia?
Parecia natal outra vez - mas para isso é preciso que eu acabe com o trauma da matemática primeiro. Deus em ajude.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

almost a love story

Começo a entrar em desespero. Juro que nunca senti isto antes - não consigo parar de pensar nele. Desde que acordo até que me deito e, no intervalo, ainda sonho com ele todas as noites. Todas. 

Acordo sempre aflita e com uma sensação de impotência enorme. Parece que nada do que eu possa fazer é suficiente e acabo a chorar por isso e por mil e uma outras coisas que me assomam à mente nessas alturas. Não sei mais o que fazer; por mim, resolvia isto de uma vez por todas. Marcava o encontro para amanhã e depois ia à minha vidinha, desse no que desse. Mas dizem-me que ainda há tempo e que tenho de o aproveitar. De pensar bem, de me preparar para o derradeiro encontro. Dizem que vai valer a pena a espera, mas eu só me sinto a desesperar.

Sinceramente, o exame de matemática está a dar cabo de mim.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

só isso

Uma das sensações mais esquisitas de sempre é reler posts antigos - não creio de que vocês estejam minimamente conscientes da reviravolta dos últimos meses. Honestamente, também não creio que vos interesse mas, já que não vos faço um giveaway a oferecer chourição e sabonetes da avon, parece-me boa ideia deixar o suspence.

terça-feira, 3 de junho de 2014

contrariando

Felicidade é chegar, finalmente, ao último teste de química.
Infelicidade é tomar consciência de que agora já não tenho nada a separar-me dos exames.



E que a clausura comece!

sobre as outras, sobre mim

Quanto mais sei sobre gajas, mais certa estou de que devia ter nascido gajo. Especialmente agora que parece ter pegado moda os bolos personalizados, maioritariamente com maquilhagem e sapatos, pirosos e fúteis que só eles, como se só fosse possível relacionar uma gaja com tais objetos.

Não precisam de tentar fazer de mim uma menina. Eu aceito um bolo daqueles com decorações alusivas aos livros, de preferência o harry potter. Ou então nem quero nada daquilo - sério, não quero mesmo. De ontem a um mês faço anos e já fico feliz por passar o dia de fat ass espojado na praia. É só.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ouvi ontem

Em que altura das nossas vidas é que o tema preferido das conversas com as nossas amigas começa a ser sobre qual consegue dar o maior peido ao acordar e a reação dos respetivos maridos? É que, sinceramente, fiquei assustada.

Tanto com o tema como com a perspetiva de passar a soltar um trovão todas as manhãs. Com alguém ao lado. (eww, i wanna be foreeeeever yooooung!)

terça-feira, 27 de maio de 2014

for geeks

Sempre achei os casamentos uma perda de tempo e um desperdício de dinheiro mas, shame on me, não consegui não ficar com um bocadinho de vontade de organizar um casório assim. Se bem que eu acho que a única parte boa dos casamentos é o copo de água - será que fazia sentido casar-me saltando a seca da igreja, da troca de anilhas, do 'pode beijar a noiva'? It'd be great, thanks.