23/02/17

mistérios

Depois de me perder duas vezes e de conseguir a proeza de me enganar uma terceira, mesmo com o rapaz a dar-me instruções em chamada, fui a casa de um amigo. Ele partilha a casa com um outro gajo e, é preciso que se note, nenhum dos dois tem namorada.

A dada altura, o instinto canino que há em mim despertou e eu tive mesmo de ir à casa de banho, ou não fosse eu moça para fazer xixi em todos os lugares onde vai; algo me despertou a atenção. Uma embalagem familiar e um conteúdo mais familiar ainda. Havia ali qualquer coisa que não batia certo.

Não lhe perguntei nada na altura - mas, hoje, com esta minha alma intrigada, liguei-lhe e perguntei qual deles os dois tinha o período e por que raio haveriam de ter pensos higiénicos em casa.

(afinal era só para as sapatilhas)

22/02/17

este blog não é só desgraças

Os dias são o que queremos fazer deles - o dia de hoje poderia ter sido outro dia de desapontamento, mas não foi. Decidi que ia ser um dia bom: vesti roupa bonita, pelo menos aos meus olhos, meti o meu perfume preferido e saí a sorrir.

Bati a outra porta e fechei-a porque não gostei do que ouvi - hei de bater noutras e há de correr melhor. Mas hoje, finalmente, soube não desanimar; fiz um par de coisas que há uns tempos atrás não me imaginava a fazer e senti-me estupidamente bem com isso. Tenho muito para aprender ainda... a começar por mim mesma. 

Hoje foi um dia bom.
Foi mesmo.

21/02/17

eu hoje tinha acordado feliz.

Quando era mais nova e gostava de alguém, era o mais parva que conseguia para a pessoa, até ele achar que eu não o suportava. Dessa forma, não lhe ocorreria que era por ele que o meu coração adolescente se dava ao luxo de bater descompassado - cresci a ensinar a mim mesma que não era suficientemente boa para gostar de alguém, que gostar era coisa de gente normal e eu nunca faria parte desse grupo.

Nessa altura, doía, mas tinha como trunfo a noção de que nunca havia tentado. Estava consciente de que o facto de ser impossível era uma lição que eu tinha ensinado a mim mesma, ninguém me disse, ninguém me mostrou. Ninguém me fez senti-lo: eu decidi que assim teria de ser.

Agora é diferente. É pior.
Passaram poucas pessoas pela minha vida, e pouquíssimas foram as que me tocaram realmente - ainda assim, parecem surgir com o propósito de me provar que, no final das contas, ensinei a mim mesma a lição certa durtante todos estes anos: eu não sou boa o suficiente. Já ouvi de tudo: que sou boa miúda, que tenho um coração do tamanho do mundo, que sou única, que é muito difícil encontrar alguém como eu. Mas que não chego. Na hora de ser mais, sou sempre deixada a gostar sozinha, a ser uma pepita de ouro ímpar que não merece mais do que um lugar na plateia. Falta sempre qualquer coisa. Sempre.

Sei que não sou bonita, que nunca o vou ser. Sei que não há roupas giras nem toneladas de maquilhagem que me façam parecer normal - não nasci normal e é assim que serei sempre. Também sei que não tenho o feitio mais fácil nem sou a encarnação da madre tereza de calcutá, além de que tenho medos e cicatrizes, colecionados ao longo de todos estes anos, que me tornam complicada. Sei de tudo isso, mas continuo a achar que não tenho defeitos que justifiquem isto - sentir que fico sempre aquém consome-me. Não sou capaz de entender o que me falta e porque raio parece que a felicidade me é sempre vetada. Eu não sou perfeita, mas merecia mais. Também merecia ser feliz volta e meia.

Estou cansada. 
O golpe mais duro é este: fazerem-te acreditar que está tudo bem, que és especial, que és única. Tratarem-te como tal. Mostrarem-te o outro lado, aquele em que sentes que alguém está ali por ti, que quer realmente estar ali por ti, que gosta genuinamente da pessoa que és, apesar de todas as tuas falhas. É veres o que fica do outro lado do muro onde achas que podias ser mais feliz. É sentires-te desejada por aquilo que és. Sentires que alguém olha para ti como se tivesse encontrado uma raridade que não está disposto a perder. É sentires-te inebriada por um turbilhão de sensações novas, habituares-te a elas. Começas a ser um bocadinho mais feliz porque te sentes especial, sentes que afinal és alguém passível de se gostar. Afinal vales a pena, vales alguma coisa!

E depois?
O típico: és uma excelente pessoa mas... não chega.

Nunca chega. Nunca dá.
O que és é um pequeno nada que nada vale. Foi sempre assim... e é assim que sempre será.

20/02/17

solta a psicopata que há em ti

Há muitos anos que desconfio que há algo muito errado com a minha cabeça - volta e meia, sinto essa certeza a percorrer-me as veias e a transformar-se numa verdade absoluta e aterradora. Hoje é um desses dias.

Não tenho uma explicação lógica para este sonho: vivia numa casa com desconhecidos. Um deles era uma mulher, grávida, manienta até dizer chega, que dava ordens a todos os outros. Os outros eram homens, um deles parecia o chapeleiro louco da alice no país das maravilhas. A vida decorria tranquilamente - digo eu, que não me lembro desta parte - até que a mulher me mandou matar dois homens, além de um terceiro que já tinha sido morto por alguém.

Decapitei o chapeleiro louco, e esfaqueei um outro - lembro-me de que gostava dele e isso me custou particularmente -, em lágrimas. Quando vi o sangue a jorrar das feridas, passei a faca por cima como se estivesse a barrar uma torrada com manteiga.

Entretanto, fez-se luz: as pessoas iam descobrir que o meu crime e eu ia ser condenada. Eu, que não fazia mal a uma mosca, ia ser condenada pela morte de dois homens, concretizada a mando de uma puta manienta que, durante todo este processo, se lembrou de parir na sala ao lado e apareceu no fim, de criança nos braços, para me agradecer.

Quando acordei, ainda sentia o estômago a arder, tal era a minha aflição.
(interno-me ou...?)

cinderela e os caminhos apertados

[foi só no fim.
não foi durante aquele tempo todo. não foi enquanto me pedias que dissesse o que sentia. não foi quando me apertaste contra ti. não foi quando me deste beijinhos em todo o lado. 
foi no fim, quando te foste embora. quando te vi a afastar.
foi só no fim que me senti a afogar num mar de dúvidas, que me apeteceu ir atrás de ti e perguntar como é que tudo isto é sequer possível, em que mundo é que isto faz sentido - porque não faz. nenhum. 
demorei a sair dali, mas demorei muito mais a conseguir controlar as lágrimas; é uma espécie de tortura - uma tortura que sabe bem mas que, ainda assim, é uma tortura. não faz sentido nenhum, não tem como fazer. voltei para casa mais baralhada do que saí, mais incerta do passo a seguir do que estive neste tempo todo. 

o que é que eu ando a fazer com a minha vida?
parece que ando a ver se me mato.]

18/02/17

mixed feelings

É uma junção de ansiedade com nervosismo: de cada vez que penso no assunto, não sei dizer se fico bem, se fico mal, se fico mais ou menos. Imagino, uma e outra vez: na minha cabeça já desenhei todos os cenários possíveis, e escolho os piores para  afogar as expectativas, alimento-me com os melhores para não desanimar.

No fundo, só quero um abraço. No fundo, só quero que fique tudo bem.
Que seja.

17/02/17

eu não tenho os parafusos todos

Quantos erros consegues cometer de uma só vez, cinderela? Uma infinitude deles.
Hoje eu não acordei particularmente bem disposta, mas acordei decidida a fazer as pazes com o meu passado e com a vida no geral. Enviei umas mensagens a pedir desculpa, meti a conversa em dia com pessoas que me aborreceram há uns tempos. Portuguesíssima, mal vi o sol decidi logo que hoje era dia de estrear uma daquelas blusas giras que comprei... no lidl. Ah, sim! Sou uma fã incondicional do lidl. Shame on me.

Quando saí de casa, até estava animada: visivelmente menos enchouriçada porque, pela primeira vez em muitos meses, não ostentava oito mil camisolas, sentia-me particularmente embonecada hoje. Manias. 

Tinha em mente oferecer um almoço a mim mesma, toute seule, e desfrutar dessa mesma companhia à beira mar para ver se me ajudava a alinhar as ideias de uma vez por todas. Tinha tudo para correr bem, não tinha? Tinha! E então, o que é que eu fiz? Estraguei tudo.

Correu tudo bem na parte do almoço, all by myself. Mas depois, num momento de lucidez duvidosa, peguei no telemóvel. O tipo estava mesmo ali ao lado, a menos de um quilómetro de mim, e eu pensei olha, safoda! Parecendo que não, eu sou moça de dar oportunidades às pessoas, e já tinham passado uns meses. Se eu sabia que este não era um desses casos? Sabia. E aceitei na mesma? Aceitei, sim. Porquê? Pelo mesmo motivo da primeira vez: não tinha mais nada para fazer. 

Arrependi-me na hora, é certo, mas já era tarde demais. A criatura parecia ter estado a estudar-me: questionou-me sobre coisas de que lhe tinha falado há uns meses atrás, aquando da outra semi-loucura, e quem estava a ficar louca era eu. 

Até contava a história, mas torna-se desnecessário - assim meio inspirada no my best friend's girl, estava a cometer todos os erros que julgo possíveis num encontro. E documentei-os em direto, para piorar a coisa, a um moço que se deve ter divertido bastante.