30/05/15

we could have had it all

Não é por mal mas, já se sabe, gaja que é gaja não desiste - foram só precisas umas quatro frases para que eu me apaixonasse pelo mocinho das massagens e o quisesse trazer para casa mas, infelizmente, o rapaz não está disponível para adoção. E foi então que eu me lembrei de uma forma de descobrir o fb da criatura; de tão empenhada que estava, nem cinco minutos demorei.

Provavelmente, ele vai só ficar assustado quando descobrir o meu pedido de amizade e esconder-se debaixo dos cobertores durante, no mínimo, uns três dias, só com medo de que eu o persiga - mas note-se, o único problema do rapazinho é ser mais baixo do que eu e passar-me pouquinho do nível do mamaçal; de resto, apesar de ter todo o ar de quem ainda arrota ao leite da mãe, descobri que é uns míseros cinco dias mais velho do que eu e isso significa que até podemos fazer uma festa conjunta dentro de pouco mais de um mês, para comemorar os vinte anos, e tudo o que ele tem de me oferecer é uma massagem de, sei lá, dez horas, ou coisa que o valha.

Depois também temos o pequeno senão de o rapaz ter namorada, mas tudo bem.

29/05/15

ai angústia

Descobri hoje que há um requisito mínimo para qualquer potencial namorado: ser massagista.

28/05/15

os dias merecidos

Não quero fazer inveja a ninguém nem coisa que o valha - mas estou só a fazer uma playlist catita e vou ali espetar-me na praia. 

25/05/15

sobre as terapias de choque

Por mais que tente, juro que não consigo situar na minha história o momento em que passei a ter medo de andar de elevadores, mas aconteceu - e não é o elevador em si, é a ideia de ficar trancada naquele cubículo apertado. 

Ora, estou entre a espada e a parede - ou, usando o meu motto preferido em noites de bebedeira, se tudo correr bem, vai dar merda. Só que, desta vez, não mete álcool: mete elevadores. Se tudo correr bem, terei de me habituar à ideia de que não posso continuar a correr escadas acima, alegando que não tenho ido às aulas de step. É só meio triste.

E então, fazem-me terapias de choque: enfiam-me no elevador e metem-se aos saltos. Eu não sei se me borro ou se tenho um piripaque qualquer, ou se faço ambos em simultâneo, e então, na dúvida, agarro-me a quem estiver mais perto e rezo três pais nossos e cinco avé marias até que a puta da porta abre - já alguém pensou, assim na pura da loucura, em não deixar que as portas dos elevadores demorem mais do que dois segundos a abrir? - e eu reencontro a paz e a harmonia até me lembrar de que quero fazer disto vida.

22/05/15

o que há em mim é sobretudo cansaço

Não, não abandonei o cinderela definitivamente - continuo em pausa até me organizar e voltar a ter vontade de escrever como antes. Até lá, continuo a devorar livros - e, isto sim, sabe-me a um regresso a casa. A um regresso a mim mesma.

19/05/15

ready, set, go

Tenho menos de duas semanas para me habituar à ideia de que os elevadores são nossos amigos e não é por parecerem cubículos demasiado apertados para albergarem o meu cu e o resto do corpo que vão parar a meio do percurso e deixar-me a hiperventilar e a morrer de pânico, até que alguém se lembre de ir à minha procura.

Temo que acabe por fossilizar antes de alguém dar pela minha falta. Mas eu vou conseguir.

18/05/15

isto.

As pessoas nunca querem saber exatamente como te sentes - na realidade, estão só interessadas em obter depoimentos que lhes mostrem que, no final das contas, até se podem lograr da vida que têm e, enquanto te dizem que entendem o quanto sofres, esfregam as mãozinhas de satisfação por não estarem na tua pele. Isto enoja-me. Mas, por outro lado, não terei eu já feito o mesmo?

Provavelmente, já - sou produto da mesma massa, farinha do mesmo saco e, bem vistas as coisas, ninguém é melhor do que ninguém; somos todos a mesma merda, mas alguns disfarçam melhor. É uma ilusão: as pessoas vão dizer-te que compreendem o que sentem porque têm uma prima, uma amiga ou uma vizinha que passou pelo mesmo. É mentira. És a única pessoa a saber como te sentes. E, já agora, és a única que quer saber também.

É sempre assim; há dias bons, dias maus. E depois chegas a uma sucessão de dias que tendem a piorar a cada instante e tu não sabes como, ou não podes, pará-lo. Aprende que estás sozinho no mundo, porque estarás sempre; momentaneamente, poderás ter alguém a dar-te a mão, mas a dada altura também se há de cansar. Ninguém tem paciência para batalhas a tempo inteiro. A não ser, claro, quem não tem alternativa.

Escrevo isto como alguém cansado, demasiado cansado, para sequer ter vontade de respirar - sinto-me como presumo que se deve ter sentido o último sobrevivente de uma batalha quando se apercebe de que está sozinho. Não há glória, apenas dor e um vazio que se alastra de fora para dentro. E uma enorme vontade de se fazer trespassar pelo mesmo punhal que roubou a vida a todos os outros. Uma enorme vontade de fazer o que for preciso para escapar a essa dor.

De vez em quando, há alguém que se instala na nossa vida e que passa a ser a nossa dose certa de endorfina; é fácil deixarmo-nos enganar e mais fácil ainda deixarmo-nos viciar. Há pessoas que parecem mesmo acabarem-nos com as dores e amenizarem-nos as sequelas de anos e anos de tormentas. Mas são uma miragem. Sol de pouca dura.

Quando dermos por nós, foram-se embora. A endorfina acabou e a dor é ainda mais lancinante do que antes. Mas quem quer saber?
Ninguém. Estaremos - como sempre - entregues a nós próprios.

picoult resume a minha vida

Uma coisa era cometer um erro; outra era continuar a cometê-lo. Sabia o que acontecia quando nos aproximávamos de alguém, quando começávamos a acreditar que essa pessoa nos amava: ficávamos desiludidos. Quando confiamos em alguém, o melhor é admitir que vamos ser pisados, porque quando precisarmos mesmo dessa pessoa, ela não vai estar lá. Ou isso, ou fazemos-lhe confidências e trazemos-lhe mais problemas do que os que já tem. Só podemos contar mesmo connosco, e isso é mau, se não formos absolutamente fiáveis. 

Jodi Picoult,
frágil 

isso

As escolhas são curiosas - se perguntarem às pessoas de uma tribo nativa, que sempre comeram larvas e raízes, se são infelizes, encolherão os ombros. Mas dêem-lhes filet de mignon e molho de trufas e depois peçam-lhes para voltarem a viver do que a terra lhes oferece, e ficarão sempre a pensar maquela refeição requintada. Se não soubermos que existe uma alternativa, não sentimos a falta dela.

Jodie Picoult,
frágil

16/05/15

o cinderela vai de férias

Queria ser importante - não para o mundo inteiro, nem tão pouco para um país. Queria ser importante para alguém, mas falhei redondamente. Tenho falhado a minha vida toda.

Não estou bem há demasiado tempo; estou só. Estou sozinha com os meus fantasmas que crescem mais e mais a cada dia que passa, e deixam-me esgotada; precisava de recomeçar, precisava de pessoas novas, de um mundo novo. De um sítio onde as pessoas olhassem para mim e tivessem medo de me perder. De um sítio onde a minha presença não fosse indiferente. Um sítio longe daqui - mas não me adianta fugir se tenho de levar aquilo que sou comigo. E se isso é só a merda do costume.

Neste momento, não consigo continuar o blog. Tenho tentado, tenho ignorado o facto de isto ser o meu muro das lamentações e nada tem a ver com aquilo que foi o meu cinderela em tempos, mas não dá mais. Preciso de fazer uma pausa de todos os sítios, de me afastar de tudo, de ficar definitivamente sozinha. Preciso de me recompor.

E talvez volte aqui. Talvez não.

14/05/15

a minha cabeleireira é melhor do que a tua

«faz o que quiseres»

E saí de lá com o cabelo vermelho, madeixas espalhadas e as pontas pintadas de preto. Assim, sim.

é só

Os dedos mindinhos são os enjeitados da família - não os das mãos, entenda-se, porque esses sempre vão sendo úteis, mas sim os dos pés.

Não lhes bastava serem gordos e anões, ainda tinham de ser chatos pra caralho - uma pessoa tenta pintar as unhas e acaba por ter de pintar também um bocadinho do próprio dedo para não parecer tão mal. E quando compra sandálias, de vez em quando o filho da puta ainda tem a mania de saltar fora, só porque tem a mania de que é muito alternativo e não precisa de andar aprisionado como os outros.

Sou da opinião de que deveria ser feita uma petição para acabar com eles e confiar que a lei do uso e do desuso do lamarck vai fazer das dela e, dentro de uns anos, todos os seres humanos nascerão todos com quatro dedos em cada pé. E nenhum deles se recusará a ter uma unha direita e decente, nem será claustrofóbico e fazer-nos parecer deficientes com sandálias.

ou sou só do contra

Honestamente, ainda não consegui compreender aquelas pessoas que fincam o pé e fazem um toma ao novo acordo ortográfico porque, enfim, hão de escrever como aprenderam até morrerem. Muito menos se forem pessoas jovens que, com pouco esforço, vão muito a tempo de descobrirem as manhas do dito acordo.

Isto é só um bocado triste. Atenção - estou consciente de que é meio confuso reaprender a escrever, mas não é nada do outro mundo. E nem sequer é algo inédito - leiam os lusíadas e vejam se, por mero acaso, alguém escreve como o camões o escreveu. As coisas mudam diariamente - todos os dias são introduzidas novas palavras no vocabulário. A língua não é estática, tal como tudo neste mundo. A única coisa que estagnou, parece-me, foi a mentalidade das pessoas.

em suspiro

Apetece-me pedir-lhe desculpa por estar sempre tão triste - sinto-me culpada por o ter feito ficar durante tanto tempo. Sinto-me uma fraude; envolvi-o numa aura de mistério e de sarcasmo durante tempo suficiente para parecer que valia a pena. Mas, entretanto, desde que o deixei entrar na minha vida, desde que despi todas as barreiras e me entreguei, não sou mais do que a melodia triste de uma vida desperdiçada; tenho saudades de estar bem, de ser o mistério, de não mostrar que, na maior parte dos dias, eu sou mesmo infeliz.

E há dias em que ele muda isso, mas há outros em que nem ele chega para me amenizar as dores.

somebody that i used to know

Estou sozinha; tentei explicá-lo um milhão de vezes. Estou sozinha porque sempre foi assim - uns, fogem da minha vida, outros são expulsos e os outros, por mais que eu goste, não me preenchem as medidas neste momento. Tentei explicar um milhão de vezes que não estou bem - e não estou mesmo. Estou esgotada, estou vazia - obrigo-me a escrever para não perder o cinderela e porque isso sempre foi o que mais gostei de fazer, mas já nem isso me acalma como antes. Estou triste, desapontada e sozinha; se fui eu que semeei isso? Fui. Se sou eu quem insiste em afastar-se de toda a gente? Sou. Não o faço por mal - não me apetece ninguém, não me apetece estar com alguém a quem eu não possa dizer realmente o que se passa. Não me apetece estar com ninguém com quem eu não possa ser exatamente aquilo que sou e dizer exatamente aquilo que sinto. Ou divertir-me, como já não acontece há séculos, para me lembrar de que ainda há dias bons. Só que me apercebi demasiado tarde que essa pessoa já não existia. Ou, pelo menos, já não estava lá para mim. E ainda me julga egoísta.

Nunca são as pessoas de quem não gostamos que nos desiludem - e esta é uma premissa óbvia; não esperamos nada delas. Pelo contrário, aquelas por quem meteríamos as mãos no fogo, volta e meia deixam-nos mesmo a arder. Chega a uma altura em que passam a vida a fazê-lo, e esse é o início do fim.

É o que se passa comigo neste momento. E, se por um lado me custa imenso sentir que estou a perder, grão a grão, alguém que era mesmo muito importante para mim, por outro lado já desisti de impedir que isso aconteça. É a tal diferença entre virar a ampulheta ao contrário ou agitá-la para que a areia caia ainda mais depressa. Não a agito; deixo-a esgotar-se.

E quando se aperceberem de que o último grão caiu, será tarde demais.

13/05/15

agora a sério

Creio que, neste momento, a única forma de alguém ainda não ter ouvido falar acerca do escândalo dos putos é viver numa gruta, sem quaisquer amostras de vida humana num raio de vinte quilómetros. É uma praga. Está em todo o lado.

Tinha de escrever sobre isto porque me está a fazer uma comichão tremenda ver uma das minhas cidades a ser reduzida a meia dúzia de psicopatas que ainda arrotam ao leite da mãe: em primeiro lugar, posso garantir-vos que o problema não está na figueira da foz e que não há nenhuma salmonela na água do mar que provoque a desintegração do cérebro. Aquilo deve ter sido acidente ou deficiência de nascença, mas nada tem a ver com o resto da população residente e era bom que metessem na cabeça que não somos vândalos. Não é assim tão provável que acabem a esvair-se em sangue, num beco escuro, com um rim ao pendurão. Pelo menos, não é mais provável do que em qualquer outro lugar.

Em segundo lugar, também ia ser querido pararem de culpar os pais - os pais educam, está certo. Mas também não sei se isto foi percetível no vídeo que já nenhuma daquelas criaturas andava ainda com o cordão umbilical ao pendurão - os pais não controlam as crias durante vinte e quatro horas por dia. Especialmente porque vivemos uma época em que as pessoas deixaram de trabalhar para viver e passaram a viver para trabalhar - entre o, ou os, empregos que serve, entre outras coisas, para garantir que nada falta às cachopas e aquelas poucas horas imprescindíveis de sono, não sobra espaço para controlar cada peido das filhas. Não me fodam - não dá mesmo.

E a culpa não é dos pais. A culpa é da sociedade em geral que tanto condena o bullying quanto promove o mau comportamento - ora porque são hiperativos, ora porque estão traumatizados com a separação dos pais, ora porque a mãe não os amamentou. Tudo serve para justificar atos violentos e, no final das contas, ainda são vítimas por terem ficado expostas e nem conseguirem sair à rua sem a polícia atrás, para garantir que não acabam a usar placa antes de atingirem a maioridade. 

É de lamentar - perdoem-me a generalização mas, verdade seja dita, eu sou pouco mais velha do que eles e isto é o mundo como eu o conheço: os putos são, cada vez mais, esponjas. Pegou a moda do young, wild and free, do yolo, do carpe diem, eu sei lá - as modas pegam mesmo e todos se acham muito originais e com a personalidade mais alternativa da zona, mas são cópias uns dos outros. Influenciáveis que mete nojo - e o pior é que mais facilmente se convence um miúdo - ou miúda - a espancar outro do que se convence, o mesmo miúdo, a frequentar museus, a ler kafka ou murakami, porque ler é uma seca e a cultura é para bétinhos - o que é bom é ser mau, colecionar expulsões de todas as escolas da região, e ainda se rirem quando forem presos.

Mas, como sempre e porque somos portuguesíssimos, o mais provável é que não aconteça nada e o miúdo, quando o apanharem a jeito, ainda há de apanhar mais. É este o país em que vivemos.

vou para o inferno, sei.

Se eu fosse a nossa senhora de fátima ia ficar sentida.
Quer dizer, isto é como fazer anos no natal: a tipa a pensar que tinha o dia reservado para ela, que hoje ninguém se ia esquecer de que ela apareceu cheia de glitter na cova de iria, e os putos inventaram uma cena escandalosa para não se falar de outra coisa o dia todo em tudo quanto é lado.

Há limites. Se queriam andar à pancadaria e mostrar ao mundo, escolhiam outro dia. Assim a senhora chateia-se.

também tenho direito pá

Sabem aquela sensação de felicidade de quando chegam a casa e descalçam os sapatos que vos foderam os pés o dia todo? Ou quando correm, finalmente, com um soutien de desporto e deixam de temer que vos saia uma mama disparada pelo colarinho? Ou até quando vos sai um euro na raspadinha e vocês ficam aliviados porque, assim como assim, não perderam nem um cêntimo? Foi isso que senti agora.


E sim, estou a pavonear-me com um comentário fofinho e a mostrá-lo ao mundo só porque me deixou com aquele sorriso rasgado de quem acabou de ver que alguém gosta daquilo que eu mais gosto de fazer neste mundo: escrever.
Pronto, babei, exibi-me - obrigada à sharon demi! - e agora podemos retomar a emissão normal.

sofrimento é

Os dbvvs estão em coimbra.
Eu não.

12/05/15

estas coisas da distância

Não é nada fácil lidar com isto - há dias, como o de hoje, em que eu dava tudo para poder afundar-me no abraço dele, mas não posso; não está cá. Está cá sempre, mas nunca está.

É difícil; há dias em que vai tudo tão mal que me apetece mesmo fugir-lhe de vez. E culpo-o, culpo-o mesmo muito, por termos chegado até aqui - mas a única culpa que ele tem é a de ser tão estupidamente espetacular que eu não consigo evitar gostar dele. E cada vez mais.

Nunca é igual: há dias bons e dias maus. Dias em que eu me convenço de que é mesmo fácil porque não vou ter notícias dele se assim o não quiser, e acho que tudo se resolve com uma despedida mal amanhada e um telemóvel desligado. Mas há outros em que ele me apanha tão de surpresa que eu me relembro do porquê de gostar tanto dele. E vale a pena o risco.

Não creio que seja compreensível para os outros mas dois minutos de conversa mudam tudo - fico inquieta se tenho de me deitar antes de conseguir falar com ele e, mesmo que ele me ligue quando eu já estou a dormir e no dia seguinte nem me lembre da conversa, eu juro que durmo melhor depois desse beijinho improvisado dos que não o podem fazer de outra forma. Aquece-me o coração. É o lado bom dos meus dias maus - o colo para a alma. É isso que ele me é: colo. E transformou-se no meu preferido.

Mas hoje é um desses dias em que a distância me desafia os limites; precisava do tal abraço, do tal beijo. E não queria que fossem de mais ninguém. Não quero.

wishlist

Um abraço daqueles que sufocam e um beijinho na testa. Ou mil.
Mas tinham de ser dele. 

11/05/15

mudam-se as prioridades

Eu nem sou exigente - já nem peço a paz no mundo e o fim da fome em áfrica; nada disso. Tudo o que eu queria era conseguir entrar na casa de banho das gajas e não encontrar o tampo mijado. 

10/05/15

continua a não me importar que me odeiem

Nunca fui o tipo de pessoa de quem toda a gente gosta - aliás, eu sou mais facilmente a odiada do que a adorada por todos porque me recuso a ser outra coisa que não aquilo que sou só para agradar, seja a quem for. E talvez seja por isto que me fazem imensa confusão aquelas criaturas que, a avaliar pela forma como são idolatradas por toda a gente, parecem cagar raios de sol. Cheira-me sempre a falsidade, a gente que faz o que for preciso para cair nas boas graças de todos.

Nos blogs é a mesma coisa - quantas e quantas vezes não entramos num sem ponta de interesse, com posts tipo eu gosto de bolachas! e 50 comentários a apoiar e a esmiuçar as preferências, enquanto os nossos, os que se esforçam por escrever, não têm comentários?

Muitas. E, pessoalmente, não me faz comichão nenhuma ter posts que nem chegam a ser comentados - escrevo-os, acima de tudo, para mim, e o facto de alguém gostar e/ou concordar já é um extra. Mas aceito-os a todos; bons ou maus, são opiniões alheias. São críticas que, muitas vezes, são construtivas, são outras opiniões que me fazem pensar e repensar as minhas - ou às vezes são só mesmo acerca de algum erro ortográfico que me escapou, mas não deixam de ser comentários e não é à toa que existe uma caixa para os fazerem.

Mas agora percebi como é que se faz para parecer que todos nos adoram: é um truque tão simples que eu nem sei como nunca me ocorreu não aceitar aqueles comentários escabrosos que em tempos me foram feitos, muitas vezes sem o mínimo fundamento: afinal, o truque está em só aceitar o que convém, o que parece bonito, o que mostra que somos os bons. Os outros, mesmo que inocentes e fundamentados, até podem ser respondidos mas jamais irão ter direito a ser publicados juntamente com os outros, os prodigiosos e bajuladores.

Então e se esse comportamento vier a aumentar as suspeitas que fundamentaram o comentário inicial - comentário esse feito de forma inocente e coerente? Ah, mas isso é simples: acabam-se os comentários porque aqui ninguém está para ouvir - ou ler - o que não gosta, o que não é a favor, o que não fica bonito. Pois claro.

ah, metáforas

Não há muito tempo, os marinheiros acreditavam que os mares tinham abismos, que as bússolas podiam indicar os locais onde, mais além, haveria dragões. Pensei nos exploradores que navegaram com os seus navios até ao fim do mundo. como deviam ter ficado aterrorizados ao arriscarem-se a cair no precipício; como deviam ter ficado maravilhados ao descobrirem que, em vez disso, havia lugares que apenas tinham visto em sonhos...

Jodi Picoult,
frágil

Ou isto é sobre como a picoult é o meu grande amor e sobre como é exatamente isto. Sobre os passos em falso, sobre o terror, sobre o risco. Mas, sobretudo, sobre as surpresas. Sobre as surpresas boas. Sobre o ir apesar de. O fazer embora. O ir - sempre e eternamente - o ir. 
E o bem que surge depois do mal, depois do medo. O bem que compensa e mata definitivamente as dores passadas.
Depois de tudo.

outros contextos.

- Não estava a queixar-me...
- Nunca disse que estavas. Só estou a dizer... sabíamos que não ia ser fácil, não sabíamos?
Sim, sabíamos que não ia ser. Mas acho que não nos apercebemos de que ia ser assim tão difícil.

Jodi Picoult,
frágil

em jeito de esclarecimento

Já que um anónimo me perguntou onde é que eu fiz o meu avatar, aproveito para deixar isto aqui escrito para toda a gente, só para o caso de mais alguém estar interessado em conhecer o segredo por trás das minhas skills informáticas que me permitiram fazer algo tão complexo.

Okay, não: para vos mostrar que sou básica, básicazinha, vem o facto de o meu avatar ter sido feito no fb, numa aplicação chamada bitstrips. Sou um bocado triste, mas prometo que é mesmo fácil - é só irem personalizando o boneco e depois ele vai aparecer em várias poses. Basta escolher uma, guardar et voilá.

sometimes goodbye is the only way

Há um erro comum a todas as mulheres: quando encontramos um bom tipo que esteja sozinho, convencemo-nos de que o universo está a conspirar a nosso favor e que este não poderia ser um sinal mais evidente de que, seja qual for o estrago que o impediu de resultar com qualquer outra, nós iríamos conseguir consertá-lo. E eu não sou diferente delas. Eu sou uma delas.

Quero que saibas que não me arrependo de nada - talvez diga que sim, no auge de uma discussão, embalada pelas mágoas que acumulei, mas é mentira. De forma alguma me poderia arrepender por ter conhecido alguém tão extraordinário quanto tu. Mas há alturas em que sei que a minha vida seria infinitamente mais fácil.

Tenho tido saudades tuas todos os dias - tuas, não: nossas. Tenho tido saudades do que fomos, da cumplicidade que criámos, do tempo sem horas que tínhamos um para o outro. De repente, tudo isso mudou. De repente, o que restou deixou de me chegar para aconchegar o coração e me fazer dormir melhor: tenho mesmo saudades tuas, daquilo que eras no início, de sentir que tinhas realmente medo de me perder e me fazias ficar. Agora, fico porque aqui é mais quentinho. Porque me sabe melhor ter pouco do que nada.

Se fosse uma escolha minha, eu ter-te-ia escolhido a ti na mesma, apesar das dificuldades. Teria escolhido o teu sorriso tolo, teria escolhido o teu sotaque que me derrete, teria escolhido a forma como me acalmas, teria escolhido os miminhos extra nesses dias em que estou mesmo triste, teria escolhido esse carinho todo com que falas da tua avó e que ainda me fez gostar mais de ti e teria escolhido essas tuas paixões que me deixam a desejar, no fundo, poder ser uma delas. Teria escolhido ser para sempre a tua ticas, num para sempre inventado por nós que poderia perfeitamente não durar mais do que cinco minutos. Mas ser. Tentar. Para sempre.

Tentei acreditar que podia resultar. Aliás, fizeste-me acreditar nisso para que eu não fugisse quando percebi que as coisas tinham ido longe demais - mas há diferenças abismais no querer, julgo. Eu quero mais, tal como te disse que acontecia sempre. Eu liguei-me mais, eu gosto mais, eu tento mais. E tu deixaste-me aqui, a querer sozinha, e a acenar aos meus pedidos. A pedir desculpa e a repetir o erro. A circundar perguntas. A fugir às respostas. E eu fui ficando, à espera.

Se eu pudesse, roubava quilómetros e partia os relógios até que o tempo e a distância deixassem de ser um problema; mas são-no e sê-lo-ão sempre enquanto eu for a única a estar disposta a contorná-los. Infelizmente são mesmo precisos dois para dançar o tango e há algum tempo que eu danço sozinha.

É por isto que eu estou de partida. Talvez não seja hoje nem amanhã, mas estou e sei disso. Tenho as malas arrumadas e a angústia no peito; estou só à esperaa da coragem para me despedir e fechar-te a porta de vez. Não é por mal: eu continuaria mesmo a escolher-te a ti, apesar de ser difícil, apesar de tudo, apesar de saber que hei de olhar milhares de vezes para trás, à espera de que me prendas, à espera de que não me deixes ir, à espera de que faças com que valha a pena eu ficar. Mas tu não me escolherias a mim e isso está-me cada vez mais claro - e é por isso que eu tenho de ir embora de ti o quanto antes. Por mais que doa. 

eu também já tive paixões vergonhosas

E uma delas acabou de publicar uma foto, com um amigo, e a descrição:

«nestes momentos é que vamos conhecendo a nossa alma gémea»
Isto é o que acontece quando tentam usar frases profundas mas são incapazes de as compreender. Oremos por estas almas perdidas, ámen.
 

09/05/15

das voltas que o mundo dá

Há uma blogger que conheceu o cinderela logo nos primórdios da sua existência e afirmava ter-se apaixonado por ele; sendo ou não verdade, acabou por se tornar numa das minhas bloggers favoritas. Até que eu me transformei no ódio de estimação dela.

Nunca entendi - desconfio de ciúmes, dos ciúmes infundados que qualquer gaja sente de qualquer outra que seja próxima ao gajo de quem gosta; não fui capaz de compreender que mosquito lhe mordeu porque, de facto, nunca tive qualquer interesse pelo tipo em questão. Mas tudo bem.

Hoje fui ao blog dela - afinal, ela escreve bem que se farta mesmo - e li-a, e reli-me, e foi esquisito; apercebo-me agora de que, anos depois, estou na mesma situação em que ela estava e que na altura eu nunca consegui entender: era-me inconcebível que ela pudesse ter-se apaixonado daquela forma por alguém de longe e que, ainda por cima, regassem o sentimento e lhe dessem pés para andar; não era só mudar de número e bloquear o fb? Era. Não se cruzariam por aí, não esbarrariam um no outro com facilidade. E eu julguei absurdo. E eu julguei-a.

Um dia, aconteceu comigo. Não sei como - mas hoje, ao lê-la, senti essa pontada de solidariedade que nos abala sempre que dá aquela vontade de dar duas pancadinhas nas costas e dizer que ententemos; agora entendo mesmo. Entendo o que é querer ir embora porque faz mal, porque não faz sentido, porque não chega. Encarar o mundo de frente e fazer de conta que o que está longe da vista está realmente longe do coração; mas, a dada altura, assume-se de que é mentira, de que estavam errados esses que algum dia o julgaram verdade, e que o que está longe também pode estar mesmo perto, pertinho, do coração, pode ser a pessoa que mais queremos abraçar, pode ser a única voz que nos acalma. 

Passaram-se anos, para ela - tempo suficiente para eu me esquecer de tudo e voltar lá, mais tempo do que algum dia julguei possível. Para mim, é ainda uma questão de meses e algo me diz que preciso de sair disto antes que também me deixe arrastar durante anos, que acabe por ir ficando, que nunca seja mais nada porque estou bem a ser isto. Mas não é fácil arrumar as malas e sair quando somos incapazes de levar o coração connosco.

E isto dói, e é o saber que não gosto por ser fácil: gosto apesar de ser difícil, dificílimo, mas ir valendo a pena.

desde quando?

Quer parecer-me que a nova definição de independência destas gentes é deixar de depender dos paizinhos para começar a depender do namorado. Epá... não.

07/05/15

cinderela explica

Não sei se isto também acontece com os restantes comuns mortais, mas o  que me chateia, na maioria das vezes, não é o que dizem sobre mim: é ver a falta de noção de quem o diz.

Uma coisa que as pessoas ainda não perceberam é que eu não, estou nem nunca estive, obcecada com a ideia de emagrecer - sempre assumi que adoro comer e não foi o facto de entrar num ginásio que mudou isso. Aliás, eu não entrei no ginásio na ilusão de chegar ao verão com um corpinho à irina shayk e lido muito bem com isso: quero emagrecer, com toda a certeza, mas não tenciono entrar na onda de comer três ervilhas e uma folha de alface ao almoço. Nem mesmo de deixar de me dar ao luxo de comer um snikers quando me apetecer. O facto de ter começado mesmo a adorar ir ao ginásio foi um extra.

De qualquer forma, não ando por aí a comer porcarias todos os dias nem coisa que o valha: deixei de beber sumos e refrigerantes e abandonei os pãezinhos de chocolate que me serviam de pequeno almoço, bem como os folhados mistos - ou combinados, como lhes queiram chamar. Cortei a maioria mas continuei - e continuo - a dar-me a pequenos prazeres quando me apetece. 

Surpreendam-se: consegui mesmo emagrecer ao ponto de até já eu ser capaz de o ver. Em cerca de dois meses e meio, tinha perdido quase 5% de massa gorda e deixado de ser considerada obesa para passar a ser considerada atleta. Surpreendam-se ainda mais: fi-lo sem esforço nenhum; posso até ter tido algumas dores, mas acreditem que o fiz por prazer e, em momento algum, me senti a ressacar de gulodíces. Sinto-me francamente bem.

Contudo, descobri hoje que vou poder começar a poupar uns trocos porque deduzo que vão começar a alimentar-me de forma saudável para que faça sentido eu andar num ginásio. Isto porque, alegadamente, eu só como bolos, e bolos, e bolos.

Esta é a parte em que vocês se perguntam: mas, afinal, o que é que ela anda a comer?
E eu terei de vos confessar, cheia de culpa e vergonha, que fui apanhada a cometer o crime do século, algo que gorda nenhuma - e muito menos uma gorda que ande no ginásio porque é ainda mais grave saber que ela vai queimar, dentro de horas, o que está a ingerir -  devia fazer: fui vista a comer um croissant com fiambre. É verdade, minhas alforrecas, eu fi-lo. Certamente concordarão que todas as horas que eu passo no ginásio são em vão porque, afinal, eu cometi a loucura de comer um croissant com fiambre.

Há uns meses, esse comentário ter-me-ia deixado triste e a achar que tinha realmente feito algo errado, mas entretanto dei-me ao trabalho de me olhar com olhos de ver e percebi que, mesmo cheiinha, não tenho quatro fileiras de banha abaixo das mamas e - avé - já nem tenho um cu de três quilómetros e uma bochecha a emergir de cada lado das calças: pelo contrário, e digo-o sem sombra de culpa, descobri que até consigo ter o corpo mais bem delineado do que muita gaja magra que eu conheço. Ao invés, este comentário só me irritou pela falta de consciência da minha crítica mais acérrima: enquanto eu, esta pecadora infame, emagreci, ela engordou pra caralho nos últimos tempos.

Não sei se está na altura de explicar isto, mas cá vai: eu acabo por compensar o que como a mais no ginásio. Comer que nem lontras e não fazer nada da vida, sim, engorda. E faz-vos virar autênticos texugos. Mas é bem feita e dá-me vontade de rir, especialmente quando começam a entrar na fase dos queixos duplos.

cinderella goes to the gym

No topo dos momentos tristes da minha vida está aquele em que, já na reta final do treino - depois de jump squats, lunge, burpees, wall sit e mais umas quantas maldades do género e antes dos últimos vinte minutos de corrida - o mocinho gostoso que só ele viu-me deitada no colchão, nos 30 segundos de descanso entre séries de ponte de glúteos, e ficou de pé, ao meu lado, a olhar para mim.

- estás com boa cara!, disse, enquanto eu sentia aquela pontada de ironia a trespassar-me.



Deprimente.

mas porque é que não tens namorado, cinderela?

Talvez porque tenho uma certa tendência para atrair monglóides - refazendo: tenho uma certa tendência para só atrair monglóides.
Foi assim que ontem acabei a ser, literalmente, perseguida por um que até se deu ao trabalho de esperar por mim à porta da casa de banho. E no multibanco.

Deus abandonou-me mesmo.

cinderella goes to the gym

A vida vai mudando os nossos objetivos e a nossa noção de felicidade; hoje, por exemplo, ser feliz é ter acordado sem grandes dores e capaz de me baixar sem que pareça que engoli um garfo e duas facas, depois de mais um daqueles treinos demoníacos.

Palmas para a lontra!

05/05/15

ora lá está


Há anos e anos que lido com gente sem eles no sítio. E, por mais que mude, por mais que fuja, há sempre mais um - ou mil - para onde quer que eu vá.
Enerva, que enerva. 

o cinderela está em coma

Não é por mal e eu juro que até me parte o coração ver as ruas da amargura em que este blog se transformou, mas eu já mal me lembro do que é dormir, ando por aqui a arrastar-me por este mundo fora e já nem sei sobre o que escrever.

Mea culpa - mas eu volto, que volto. 

sobre os dias

A minha definição de frustração passa por ter estado várias horas sem luz e ter decidido dormir e acordar mais tarde para poder adiantar um trabalho que me está a dar dores de cabeça - além de ter ficado mal disposta que eu sei lá, não encontro um caralho do que quero, nada me parece certo e estou chateada porque não consigo meter isto como o imaginei.

Mas encontrei o vídeo do gato mais adorável de sempre e já o devo ter visto umas oito vezes, so i got that goin' for me.

04/05/15

este mundo anda perdido

A minha nova definição de desocupação passa por um acampamento, de quase quinze dias, às portas de um hospital à espera que a kate se lembrasse de ir abrir pernas.

03/05/15

o dia em que as crias lambem as progenitoras

Não há nada de errado em haver um dia da mãe, um dia do pai, um dia do gato, um dia do peido. O que está errado é as respetivas crias só se lembrarem de que amam muito os progenitores nos dias que lhes são destinados - e hoje é outro desses dias de reflexão profunda, de ai que a mamã é a mais linda, a mais poderosa, a mais importante, a melhor do mundo e ai que eu sou tão má cria.

Que a minha mãe é melhor do que as vossas eu não duvido - mas, porra, é-o todos os dias, não é só hoje.
Levem lá o beijinho à mãe e nem digam que vão daqui.

02/05/15

a fé nos salva!

Dizem os católicos, muito cheios de si, enquanto todos os anos morrem peregrinos a caminho de fátima.