23/06/17

a land of confusion

Eu cá não sei, mas creio que o demo tem mão - ou um corno - nisto: de alguma forma, é sempre na altura de decidir que todas as certezas se tornam em dúvidas, que o mundo parece dar mil e uma voltas de uma só vez e damos por nós exaustos e sem saber muito bem onde pára a sanidade mental.

É assim que me sinto neste momento, mais coisa menos coisa. Não sei para onde ir, não sei o que escolher: reparo que fui guardando sonhos na manga e escondendo as decisões debaixo da almofada. Agora tenho de assistir ao confronto, o tête-à-tête final, os prós e os contras de qualquer caminho que eu escolha. Em boa verdade, a minha vida nunca bateu tão certo mas também nunca esteve tão desacertada; tenho o coração no sítio e a cabeça perdida. Fazer o quê?

Sinto-me em contra relógio: o que quer que eu decida, exige que seja rápida e que não me lamente no fim. Passo os dias a mudar de ideias e a sonhar com várias versões de um mesmo futuro: não sei para onde ir. Numa altura em que todos os caminhos me parecem certos e errados ao mesmo tempo, não faço a mais pequena ideia do que escolher.

E sento-me.
Amanhã penso nisso.

16/06/17

2017

O mundo está minado por pseudo-feministas raivosas de sofá; popicam os posts referentes às criaturas asquerosas que os homens são, montam-se manifestações a proclamar a igualdade de direitos, mulheres querem-se com pêlo, mulheres querem-se a arrotar em público, mulheres querem-se a mijar em pé. Não faz sentido mas, se os homens podem, nós podemos! *palmas de um público histérico*

Somos tão boas quanto eles - perdão! -, somos mil vezes melhores do que eles! Tudo porque não deixamos a tampa da sanita levantada, sabemos de cor dois mil truques para tirar nódoas com vinagre branco e até já nascemos a saber que os putos não se podem lavar na máquina. Mulher que é mulher faz o que lhe apetecer, usa o que lhe apetecer, faz o que lhe apetecer, mas ai do cabrão do homem que a olhe durante mais de cinco segundos seguidos - elas juntam-se todas e gritam violação. Aparece a cmtv, aparece a polícia, aparece o marcelo e ainda vem o papa dar um ar de sua graça: tudo porque, aquele homem nojento, com idade para ser pai dela, violou os seus direitos ao observá-la. Sentiu-se violada, ultrajada, uma puta, coitada, sem ter feito nada por isso. E o pobre homem, que por acaso até via mal ao longe, vai preso, ela sente-se vingada e vem para as redes sociais escrever sobre como não precisa dos homens para nada.

No entanto, depois disto tudo... experimentem, mas experimentem só, serem o gajo e não se oferecerem para pagar a conta da princesa.
Ah, meus amigos, já se foderam - a gaja gosta muito de independência mas é só para o que convém.

(quase quase 22 anos depois... continuo a achar que devia ter nascido gajo)

09/06/17

pára tudo!

Não foi por acaso - há uns meses que andava a choramingar que queria voltar para o ginásio mas, na roda viva em que ando, não tenho tempo. E também há uns meses que me diziam ah, mas podes sempre fazer exercício em casa!, e podia, que podia, mas, respondia eu, não é bem a mesma coisa.

Talvez tenha ensandecido, talvez tenha esgotado o lote de desculpas: incentivada pelo moço, que por acaso é um moço das corridas, fiz-me à estrada e comecei a correr. Deixem-me que vos diga que foi meio louco inicialmente - eu, a eterna lontra obesa, a gorda que era sempre a última a ser escolhida, a primeira a ser apanhada no futebol humano, aquela que não dava duas voltas ao campo seguidas sem quase cuspir um pulmão e desistir da vida, estava a correr. Por gosto. Wow.

Entenda-se que, nos tempos de ginásio, a corrida só me servia de aquecimento e eu levava a coisa pouco a sério - em boa verdade, andava mais do que corria, porque simplesmente não me apetecia e eu dava-me ao luxo de me arrastar para passar o tempo. Agora é diferente: desafio-me todos os dias. E já (me) falhei algumas vezes, mas também já me senti estupidamente orgulhosa de mim mesma - para quem não conseguia correr dois minutos seguidos sem caminhar durante os dez minutos seguintes para se recompor, vinte minutos sem parar já é uma maratona. 

Há quem diga que agora todos querem correr porque é moda - tanto me faz. Desde que vi sapatilhas com pompons que tenho a certeza de que há modas bem piores; eu demorei, mas acabei por perceber porque correm eles. Acabei por descobrir que há um prazer especial na superação dos próprios limites, nas pequenas vitórias, nessa quase loucura que é correr-se para lado nenhum quando se passa os dias a correr para todo o lado. 

E - como ele diz - agora é sempre a melhorar. E não desistir, nunca.