30/11/17

tu.

Foi há um ano atrás que eu te obriguei a esperar pela meia noite, só para poder ser a primeira a dar-te os parabéns. E na altura eu nem sonhava que eu iria mudar a tua vida, tanto quanto mudaste a minha.

Os 25 foram uma aventura maravilhosa, um turbilhão de emoções e o estrear de sentimentos e palavras que eu achei que estavam reservados para os filmes e as histórias com finais felizes. Tu és o meu enredo feliz.

Resta-me desejar-te que os 26 sejam ainda melhores - e que eu faça parte deles.

Parabéns, meu amor.

27/11/17

(mas se me quiserem pagar, gente do lidl, aceito contribuições monetárias)

Ao contrário da maior parte do mulherio, esta lontra não ficou com o pito aos saltos quando farejou a black friday e, não, não arrastou o fat ass para o shopping. Também não gastei o equivalente a três ordenados mínimos em compras online - não comprei nada, basicamente. Desculpem lá o desgosto, mas esta cinderela é pobre e forreta.

Ora, e estou a dizer-vos isto para quê? Para que vos seja mais fácil situarem-me no mundo da moda e para me tornar numa fashion blogger interessante e credível. Ou porque se deu um milagre de deus nosso senhor e a pessoa sente necessidade de partilhar estas coisas. Foi hoje.

Fui ao lidl, numa correria desenfreada pelo balde de iogurte grego, armada em bolt nos corredores, mortinha para chegar a casa e poder sentir-me, finalmente, livre de perigo de entrar em hipotermia a qualquer momento. E, portanto, esbarrei nelas.

Em boa verdade, já as tinha visto no folheto, tinha gostado mas não tinha sequer decorado a data da promoção - erro crasso. Eu, a fã número 1 do lidl. Eu, a pobretona que se veste num supermercado - não literalmente, calma -, quase perdi A Oportunidade.

Vi um monte de calças de ganga, e estas lá perdidas. Eram as últimas - não havia mais nenhumas assim, com aquelas flores pirosas de que só as pessoas pirosas, como eu, gostam. Agarrei-as; foda-se. Um número abaixo do meu. Foda-se, foda-se, foda-se. 

Portanto, fiz o óbvio: comprei-as, não fosse o diabo tecê-las. 
Serviram-me na perfeição.
(deus, és tu?)

É preciso que se note que há já bastante tempo que queria umas do género mas ainda não tinha encontrado umas que me agradassem tanto a vista quanto a carteira. Estas custaram 11,99€ e, se dúvidas houver, fique claro que, infelizmente, o lidl não me paga para vos dizer estas coisas bonitas - é serviço público, porque eu sou boa pessoa e acredito que a minha avareza tem par neste mundo.

Falando a sério, serve este post para quebrar algum preconceito que ainda possa existir. Tenho várias peças de roupa compradas lá, todas usadas com bastante frequência (porque gente pobre não tem uma toilette para cada dia do ano), e a única que se estragou, até à data, foi a blusa mais gira de sempre que esta criatura queimou com o ferro. Yup.

Resumindo, a relação qualidade-preço da roupa é bastante boa. Pelo menos para mim.
Contudo, ainda não os perdoei por terem acabado com o pão de alho.

a gente habitua-se,

diz o povo.

Eu nunca fui boa nesse jogo, mas também nunca fiz muita questão de praticar; essa coisa de me obrigar a gostar de algo nunca fez sentido na minha cabeça. Só quando, cansada de só comer salada de alface, me obriguei a gostar de pepino - continuo a não conseguir lidar com os tomates. Façam piadas à vontade.

A verdade é que há demasiada gente descontente que faz questão de se certificar de que levas uma vida tão pouco prazerosa quanto a delas, e isso chateia-me bastante. Essencialmente, porque eu não quero mesmo saber da vida dos outros. Cada um faz o que pode por si, e se as pessoas são felizes a reclamar do quão infelizes são, eu não posso fazer nada quanto a isso. Eu escolhi a outra via. Aquela que seguem os que não querem passar a vida a lastimar-se.

Não quero arrastar-me por aí. Não quero ter de me obrigar a levantar, a vestir, a sair de casa. Quero querer fazê-lo, sem sentir que é um esforço hérculeo e pouco compensador. Se isto não vos fizer sentido, provavelmente poderão encaixar-se no grupo de cima - mais uma vez, não vos posso fazer nada, a não ser desejar-vos as melhoras.

A gente habitua-se, diz o povo. 
Esta frase é quase sempre proferida com o ar orgulhoso de quem aguenta as piores tormentas e é feliz nessa infelicidade consentida. Porque é assim mesmo, a vida é difícil, e a gente habitua-se.

Parece-me possível que a vida se torne mais difícil quando nos resta pouca vontade de viver. Quando sobrevivemos por aí, entregues ao destino, conformados com a ideia de que somos mais pessoas porque somos uns sofredores. Isto está demasiado errado para mim. 

Desculpem, mas eu não faço parte deste movimento.
Se temos de nos habituar a alguma coisa, que seja à felicidade. Seja onde for que a encontrarmos. Seja como for.

Eu procurei a minha. Procurei o que me fazia mais sentido e o que era melhor para mim.
Lidem lá com isso, ó povo infeliz.

24/11/17

saudade

Para o estrangeiros é uma palavra bonita que não têm no país deles. Para nós, é o nosso nome do meio - e, por estes dias, tenho pensado no uso, tão errado, que lhe damos.

Não me interpretem mal - eu também tenho saudades de lugares e de pessoas. Mas às vezes pergunto-me se não se deveria guardar esse carimbo somente para onde ela seja imortal - como a certeza sufocante que carrego, há quase um ano e meio, de que não mais poderei abraçar um dos pilares da minha vida. Essa é a saudade justa, a incurável. A eterna.

Depois há as outras: a que nos carregam o peito de uma dor artificial, porque podemos matá-las mas não o fazemos. É quase como se gostássemos de sofrer.

Sentir saudades dos vivos só prova o quanto gostamos de levar a inércia e o orgulho avante. Ora porque sentimos a falta de alguém, mas recusamo-nos a ligar-lhe porque continuamos a achar que éramos nós os detentores da razão naquela discussão que tivémos em 2007. Ora porque até pensamos em ligar, mas nunca dá jeito. 

Ah, agora não posso porque vai dar a novela.
Hoje não, que joga o benfica.
Amanhã ligo, porque hoje está a chover.

Somos tão estúpidos que preferimos transportar as saudades desnecessárias até às derradeiras, só para depois nos podermos carregar de culpas e dizer quem me dera ter-lhe ligado, o que eu não dava para ter ouvido aquela voz mais uma vez!.

Bichos burros, povo saudosista - adoramos a lagrimita no canto do olho, não adoramos?

19/11/17

ontem,

[uma das primeiras coisas que te ensinei sobre mim foi que deixei de gostar do natal há muitos anos atrás. e tenho-o repetido, amiúde, de cada vez que alguma coisa me relembra de que essa porra acontece todos os anos. cansa-me o espírito de amor e magia artificiais, as falsas simpatias, a obrigatoriedade solene de parecermos todos felizes. de mostrarmos que o somos.

pensei nisto ontem, enquanto caminhava ao teu lado, envolvidos pelo frio gélido de uma noite de novembro. o natal é já ali. daqui a menos de duas semanas, terei a árvore de natal feita, mais por ser tradição do que por gostar realmente de a fazer. não tarda, seremos brindados com músicas alusivas à época em todos os centros comerciais, decorados até à exaustão, como se isso tornasse tudo mais real, como se nos transportasse para uma realidade diferente da nossa.

depois, olhei para ti. 
agarraste-me, beijaste-me no meio da rua. de repente, tomei consciência de que não faz mal que estejamos quase em dezembro, que haja anúncios de chocolates e brinquedos por toda a parte. dei-me conta de que, pela primeira vez em muito tempo, não há felicidade fingida nem mágoas guardadas a uma época que me traz sempre uma profunda angústia. este ano, estou suficientemente feliz para lidar com a mariah carey e os wham! em looping, sem sorrisos forçados ou o coração aquecido à força - o meu já está aconchegado e tranquilo, cheio daquela matéria incompreensível que faz as pessoas felizes.

obrigada por me teres ensinado o amor da forma mais inocente, e por me fazeres um bocadinho mais feliz, todos os dias. que venha o natal, e o início de um novo ano ao teu lado - desta vez sim, tenho motivos para sorrir. e para comemorar.]

16/11/17

acreditem ou não

Mal começa a ficar mais frio, podia recusar-me a fazer qualquer coisa, todos os dias, com a desculpa de que me dói a garganta. 

E seria sempre verdade, porque dinheiro a pessoa não tem, mas maleitas... oh oh!