quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

o meu ódio de infância, para sempre.

Uma das muitas coisas que ninguém nos conta quando somos pequenos é que, independentemente da idade, a mãe vai continuar a fazer aquele xarope de cenoura horrível sempre que, por descuido, ousarmos tossir à frente dela.

E o filho da puta do xarope vai continuar a resultar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

é de família

Aproveitei a hora de almoço para ir a um supermercado trocar um artigo - à saída, tinha uma velha, com dois sacos de compras, parada ao pé do meu carro. Achei que ela estava à espera de alguém - e estava mesmo. À minha.

Começou por me pedir boleia para um sítio que eu nem conhecia - pela explicação, implicaria desviar-me do meu trajeto, coisa que não me seria muito favorável dado o facto de ser a minha hora de almoço e eu gostar muito pouco de me atrasar.  Em seguida, começou a fazer-me um interrogatório sobre a minha vida, porque não estava a acreditar que eu tinha mesmo de voltar rápido.

Com um sorrisinho filho da puta, mesmo de quem está a rogar pragas, disse-me que fosse com deus. Respondi-lhe «a senhora também», e consegui conter-me antes de a aconselhar a pedir boleia ao tipo.

Quando contei a história à minha mãe, respondeu-me que fiz muito bem, que nunca se sabe a quem se dá boleia hoje em dia, e sabe-se lá se não era um tarado mascarado de velhinha.

Vou para o inferno mas, pelo menos, vou continuar a ter a comidinha da mãe. Está visto.