quarta-feira, 23 de agosto de 2017

tenham pena dos que me veem a correr de manhã

Para vocês, comuns mortais, chegar à parte estranha da internet é começarem a ouvir uma música dos queen e acabarem a assistir ao parto de uma ovelha preta, no youtube. Para mim, é estar a ver a receita de uns bolos de côco saudáveis e descobrir, da mesma youtuber, um vídeo da rotina matinal dela, onde a moça mostra a maquilhagem que faz para ter um ar mais saudável a treinar. Em casa.

(e uma pessoa verte duas ou três lágrimas de sofrimento ao constatar que a criatura faz uma maquilhagem mais elaborada para acabar ensopada em suor do que eu faço para sair)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

nua e crua

[somos um bom par: nunca contámos os meses, e os únicos dias que contamos são os que faltam para nos voltarmos a ver, mas às vezes lá me lembro e digo-lhe que somámos mais um mês à nossa história sem data de início. são poucos e parecem a vida toda.
volta e meia, ele abraça-me e exclama estás tão feliz! e eu estou mesmo. respondo-lhe que é por estar com ele, resmunga da minha resposta repetida tantas e tantas vezes - é por ser verdade, meu amor. porque é mesmo.
mais do que meu namorado, é o melhor amigo; não conheci muita gente tão sensível aos problemas que não são os seus, tão disposto a ajudar. a ouvir. e, no dia em que um desabafo meu o deixou a chorar, mais do que a mim própria, sou capaz de dizer que gostei dele mais do que nunca. e fiquei (ainda) mais consciente da pepita de ouro que cruzou a minha vida.
mas depois não somos um par perfeito: oscilamos entre um mar de opiniões semelhantes e outro de opiniões divergentes. de vez em quando, acabamos zangados, cada um com a razão do seu lado, em discussões que pouco mais são do que inúteis - eu perco-me nos meus pensamentos, a tentar desenrolar o novelo de palavras que se forma na minha cabeça, e não consigo falar. ele irrita-se ainda mais por eu não lhe responder - e nunca mais pára. até que paramos, respiramos fundo, metemos os pontos nos is, com calma. o fim é sempre a parte mais doce: não somos bons a domar-nos, mas até fazemos um bom trabalho no que toca a entendermo-nos, apesar de tudo.
encerramos cada luta com um abraço. um abraço de alívio por continuarmos juntos apesar de todas as nossas diferenças, de todas as vezes que parecemos (quase) impossíveis - mas eu não desisto facilmente.]