sexta-feira, 6 de abril de 2018

aos senhores do iefp

Meus queridos,

leiam devagar, porque quero que entendam tudo e sei que nem sempre vos é fácil perceber as coisas. Vamos com calma. Ninguém nasce ensinado e ninguém vos obriga a ser competentes - o que é uma pena, diga-se, mas enfim.

Sou só mais uma das milhares de pessoas inscritas. Pergunto-me muitas vezes porquê, o que é que já ganhei com isso além de raivinha dos dentes mas, às vezes - muitas vezes, aliás -, essa é uma das primeiras perguntas que me fazem em entrevistas de emprego, e convém dizer que sim.

Quero que saibam que gosto muito daquelas reuniões para as quais sou cordialmente convidada com uma frequência absurda, sob pena de anularem a minha inscrição e impedindo-me de me re-inscrever durante os 90 dias seguintes. Apesar da utilidade inegável destes encontros, ou sessões coletivas, como tanto gostam de lhe chamar, no fundo eu sinto que estou em regime de identidade e redidência, obrigada a apresentações periódicas para vos sossegar. Eu prometo que não fujo do país, não se preocupem!

Sem vocês, nunca teria descoberto que é essencial ter um currículo quando se está à procura de emprego. Achei que bastaria meter um anúncio nos grupos de emprego, a oferecer-me para trabalhar, como um que li há uns dias e dizia algo do género quem tiver aí um emprego fixe, que chute a proposta. Ou, melhor ainda, acender uma velinha à nossa senhora! Muito obrigada pela diferença que fizeram na minha vida. Se calhar, já chega.

Também não estou interessada em fazer formações só para fingirmos todos que a taxa de desemprego está nas ruas da amargura, sujeita a desaparecer. Eu sei, todos sabemos, que o conhecimento não ocupa lugar mas, tentem perceber, há alturas das nossas vidas em que 120€ por mês não nos chegaram, que a sabedoria não enche a pança de ninguém nem paga contas.

Não vos censuro - eu sei que, não sendo uma miss, há gente mais desagradável à vista e é normal que me queiram ver tantas vezes, mas eu gostava muito que pudessem parar de gastar energia e papel comigo, a não ser que seja para me enviar aquilo que eu, de facto, quero - os contactos das empresas que me deveriam ser enviados depois de vocês, meus adoráveis trabalhadores, validarem a minha candidatura. É o passo seguinte. O suposto. O normal.

Sabem a morada para onde enviam aquelas convocatórias semi-agressivas? É a mesma. Também podem usar o email, que eu não me importo. Telefone, fax, sinais de fumo, artes mágicas - o que quiserem. Vale tudo se começarem, realmente, a ajudar as pessoas a encontrar trabalho, em vez de lhes impingir formações ou, pior ainda, reuniões sem qualquer propósito.

Releiam as vezes que forem necessárias, sublinhem as partes mais importantes, estudem em grupo. Não estou a julgar as vossas dificuldades de compreensão, que eu não gosto de gozar com as pessoas - mas espero que algum dia sejam capazes de entender. E que me enviem a porra dos contactos que estão em falta.

Sem mais a acrescentar,
continuem com o bom trabalho a fingir que trabalham.

3 comentários:

Cláudia S. Reis disse...

Estive inscrita no iefp mas tive a sorte de nunca ser chamada para nenhuma dessas sessões. Aliás quando me inscrevi o senhor que estava à mesa disse logo para eu não esperar pelo contacto deles, que tinha de ser eu a ir à procura e depois logo tratavam de tudo (demora meses às vezes até aprovarem um estágio). Acabei por não usufruir de estágio nenhum porque comecei a trabalhar e quando me chegou uma carta a dizer que tinha de renovar a inscrição deitei logo a carta no lixo. Eles gostam de fingir que nos ajudam mas a verdade é que continuamos a contar só connosco. Boa sorte!

ernesto disse...

Engraçado, que a mim disseram-me o contrário, apesar de eu saber que não aconteceria. Quando fui tratar da minha reinscrição, em fevereiro, a senhora perguntou-me quais eram as minhas áreas de interesse, porque me enviariam propostas de emprego sempre que tivessem algo dentro do que eu pretendia. Eu nunca recebi porra nenhuma, além destas convocatórias, a não ser das poucas vezes em que me enviaram os tais contactos das empresas, após a minha candidatura no site deles.
E sim, sei como funcionam os estágios. Nunca fiz, mas sei que demoram meio século a ser aprovados. Haja pachorra!

Alexandra disse...

Aqui ao pé de mim, eles não arranjam nada. Dizem logo a senhora é que tem de procurar.
Realmente!