quarta-feira, 20 de março de 2019

[aconteceu no sábado, pela primeira vez, e hoje repetiu-se: comecei a chorar descontroladamente. queria parar, queria acalmar-me mas, sempre que parecia ter recuperado a capacidade de respirar, era acometida por uma nova onda de pensamentos que trazia ao cimo mais uma enxurrada de lágrimas que eu não sabia existirem dentro de mim. era impossível secá-las.
tenho, neste momento, a mesma sensação que experimento num elevador: mesmo que queira, mesmo que precise, não tenho como fugir. estou encurralada. e é tão sufocante que não consigo perceber onde encontrei fôlego para chorar. para reagir.
contrariamente ao que se diz, o pior não é não ter esperança - o que é mesmo difícil, é tê-la e perdê-la. é dizerem-nos as palavras certas, exatamente o que queremos ouvir, vermos o brilho a voltar ao nosso olhar, o sorriso a surgir, depois de semanas e semanas de ausência, para depois voltarmos à estaca zero. ou menos um.
ficam as dúvidas, acima de tudo, acerca do meu próprio valor. das minhas capacidades. ou do que terei de tão errado assim, para que nunca nada dê certo.
quase dois meses depois, esgotei aquela réstia de esperança. e sinto que desisti daquilo em que mais acreditava, daquilo que mais defendi durante todo este tempo, porque não me restam forças para lutar por isso. não dá mais. não posso continuar a fingir que mereço o que ninguém me quer dar.
hoje morreu aquela réstia de esperança que ainda me ia mantendo sã. paz à sua alma.]

4 comentários:

Mary disse...

Se permites a minha humilde opinião e entendendo bem, tudo o que estas a passar, acho que não deves deixar que esse restinho de esperança desapareça de vez.
Eu sei o quanto custa, reconheço-me em tantas palavras que escreves, mas desistir não vai ser a solução.
Respira fundo e agarra aquele bocadinho pequenino de esperança que ainda possas ter.

helena disse...

Mando-lhe um abraço apertado. Espero que encontre, de novo, a esperança de dias melhores.

Seminovo disse...

Deixa de dizer disparates. Ainda és muito nova para desistir seja do que for. Estás só a passar um momento difícil, mas a vida não é sempre a descer. No dia em que bateres no fundo, vais começar a subir, porque do fundo não se pode ir para outro lado que não seja para cima.
E eu não tenho, sequer, a pretensão de saber o que estás a sentir. Mas desistir de lutar, porquê, se isso não te tira da merda?

Pronto, se isto servir de alguma coisa e amanhã te sentires melhor, não te esqueças de mandar os 500 paus da consulta. xD

ernesto disse...

Mary, está um bocadinho difícil de a manter, sinceramente. Na maior parte do tempo, sinto que não tenho saída, não tenho como escapar a esta situação porque pouco ou nada depende de mim. Tudo o que posso fazer é candidatar-me, dar o meu melhor na apresentação, e torcer para que corra bem - e isso é tão pouco. É ver o tempo a passar e nada a acontecer.
Obrigada pelo teu comentário! :)

Helena, muito obrigada! :)

Seminovo, não posso desistir de procurar emprego, obviamente, porque convenhamos que ainda não me saiu o euromilhões... mas se calhar há coisas de que tenho de desistir, e é isso que me dói mais.
É desesperante, sinceramente. Aquele velho beco sem saída: não me contratam porque não tenho experiência, não ganho experiência porque não me contratam.
Um perfeito disparate, a meu ver. Mas obrigada :)