24/08/15

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O que há de mais mágico neste mundo é que nunca saberemos de nada - nunca poderia ter previsto o impacto que um dia terias na minha vida. E, se tivesse tido, provavelmente ter-te-ia fugido a tempo, antes de me deixar apanhar por este sentimento devorador. Ainda bem que não fugi.

Foi-me demasiado fácil viciar em ti - de resto, somos sempre mais rápidos a apanhar maus vícios do que a curar-nos deles, e é esse o meu mal. Avisei-te a tempo, mas nunca me deste ouvidos: eu disse-te que nunca me dava pela metade, que, quando gostava, gostava a sério, de corpo e alma. Que nunca serias capaz de gostar tanto quanto eu. E foi isso que aconteceu, como sempre.

Ter-te na minha vida tem o mesmo travo amargo que eu deixo sempre propositadamente no café - vivo convencida de que nunca serei realmente capaz de lhe tomar o gosto se o beber doce. E gosto deste inferno que criámos a dois. Gosto de te ter na minha vida, mais do que quero expulsar-te dela. Quero mais beijar-te do que quero gritar contigo por me conseguires arrastar até um lado de mim mesma que eu própria não conhecia ainda. Apetece-me mais abraçar-te do que vingar-me por todo o mal que me tens feito, mesmo sem querer.

Não és perfeito: meu amor, tens um quê de cobardia que me tira do sério. E a forma como te conformas com o mundo, só porque te dá menos trabalho, mete-me raiva. Odeio a forma como desistes porque não te apetece sair da zona de conforto. Sobretudo, não te perdoo o punhado de sonhos que acabas por desfazer quando te apercebes de que realmente precisas de tirar o cuzinho da cadeira. E que evites cada discussão da forma mais despropositada possível. És o protótipo de gajo que eu nunca suportaria nesta vida - e, mesmo assim, fui-me apaixonar logo por ti.

Se pudesse escolher, fazia como tu: não gostava de ti. Gostava de alguém mais fácil, alguém que não se esquecesse de mim a toda a hora, alguém que parasse de me desiludir. Mas não deixas de me derreter um bocadinho todos os dias. Não deixa de me surpreender que estejas sempre lá quando eu preciso, mesmo que longe, mesmo de que mansinho. Não deixo de gostar da forma como me mimas, à tua maneira. Não deixo de adorar o teu lado mais doce, mesmo que o escondas de mim tantas vezes. Não deixo de gostar de ti.

Há dias em que não é nada fácil manter-te por perto - não sei se não te apercebes ou se não te queres aperceber do quanto mudaste e do quanto a tua quase indiferença me magoa. Há dias em que eu gostava de conseguir fugir-te de vez, porque não mereces ter-me nas mãos se a única coisa que consegues fazer é mandar-me fugir. Porque há dias em que não sei se não me agarras porque continuas convencido de que não podes, ou porque não queres,

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