3 de fevereiro de 2018

a era da estupidez

Velha do restelo apresenta-se ao serviço: isto já não é nada como antigamente.

Confesso que, possivelmente, a culpa será minha. Em 7 anos de blog, nunca me dediquei aos fashion blogs e, no que aos giveaway toca, nunca fiz mais senão troçar deles. Não sou muito fixe, é certo. Mas isto vai de mal a pior.

Comecei por preparar nisto nos youtubers - ainda estou para perceber como é que alguém chama trabalho a mostrar-nos o que comeu ao pequeno almoço ou um hamburguer servido numa tábua que, lá em casa, usamos para cortar a carne sem riscar as bancadas, mas isto sou só eu que tenho a mania do dinheiro honesto e dos trabalhos gratificantes.

Adiante.

Apercebi-me disto quando andei à procura de tutoriais de maquilhagem e me deparei com todo um outro mundo que, até então, eu desconhecia:o da vida fácil. Tudo é simples. Uma camisola de 60€ nem é muito cara. Se for uma paleta de sombras, menos ainda. E alugar/comprar/rechear uma casa? É só passar o cartão - eu é que sou uma pelintra.

Mea culpa: comecei a seguir alguns. Acho que se torna num vício ver a ignorância e a futilidade alheias; raramente vejo os vídeos, mas adoro os instagrams metodicamente pensados, para não destoar - sabiam que há uma app que serve só para verem como vai ficar aquela foto no vosso instagram? Se acharem que não fica bonita, é só guardarem para depois. São o meu guilty pleasure e, se revirar os olhos contar como tal, o meu exercício diário.

Em tempos, cheguei a ponderar associar a minha conta pessoal ao blog, mas a ideia não chegou a criar raízes - deve ser uma canseira ter de me preocupar com o que os meus queridos followers pensam do meu almoço, e eu gosto de me dar ao luxo de só me preocupar com coisas sérias. Além disso, eu uso o instagram mais como uma galeria pessoal do que outra coisa, e consigo estar muiiito tempo sem publicar o que quer que seja: está cheio de fotografias simbólicas que foram ali colocadas por um motivo, e que (quase) ninguém conhece.

Agora, o verdadeiro fenómeno são os anúncios. Por estas alturas, páginas do facebook, perfis do instagram, canais do youtube, blogs, são pouco mais interessantes do que os folhetos promocionais do lidl. É que chega-se ao ponto ridículo de se fotografarem as crias para publicitar uma merda qualquer que lhes pagou para aquilo, e anda o mundo revoltadíssimo com a supernanny - incluíndo essas mãezinhas extremosas que, além de se venderem a elas, vendem os filhos também. Tudo quanto é blogger, youtuber, instagramer, merd-er, tem um código promocional. Não tarda nada e as faculdades do nosso país decidem abrir o curso de influencer. Isso ou as escolas primárias, porque se se empinar bem o cu e se souber fotografar as mamas no ângulo certo, até o quarto ano serve.

Cá estou eu: sete anos de blog e nunca me vendi a uma marca. Também nunca me tentaram comprar, que eu não sou uma menina bonita nem me tento auto-promover com outfits fancy para as marcas julgarem que sou uma boa parceira - na verdade, eu até sou mais de vos falar dos achados da feira ou do lidl, porque às zaras e às primarks desta vida qualquer um vai. Ninguém me paga para escrever, e eu também não me zango se ninguém ler - continuo a fazê-lo por puro amor à escrita, e não há dinheiro que me faça trocar a liberdade de ser quem me apetecer só para vos levar a comprar merdas em que nem eu acredito.

Isto sou eu - a velha do restelo, demasiado old school para esta era digital da estupidez.

2 comentários:

Marisa disse...

Tenho um instangram do blog, mas serve mais para "publicitar" o próprio blog e porque tem o social media e o digital têm a ver com a área que estudo e quero seguir. Mas não me agradava sequer a ideia de ter o instangram pessoal ligado ao blog. Há uma linha que separa a minha vida "off-line" do meu blog, apesar de tudo o que escrevo ser eu... não há patrocínios, não há "para inglês ver". Não faz sentido. Estou na blogosfera há 6 anos porque gosto de escrever, sabe-me bem. E não me faz sentido ter um blog só porque vou ganhar isto ou aquilo com ele. Não tenho jeito para fashion e make up e as minha fotos de comida ficam quase sempre estranhas. Não me importava muito que me oferecem umas coisas, porque a pessoa é pobre e coisas grátis dão sempre jeito. Mas não sou menina bonita com ar de perfeita, nem tenho personalidade para me expor para que possa ser influencer.
Talvez seja uma "velha do Restelo", tal como tu. E ainda bem, é sinal que somos fiéis a nós mesmas.

Jota Esse disse...

O que me irrita nas fashion blogers, é aparecerem uma vez a dizer que gostaram muito e que estão a seguir e depois de terem mais um seguidor, levam um sumiço que nunca mais lhes pomos a vista em cima. eheheheh