12 de fevereiro de 2018

mesa para dois

Tenho visto por aí muitas publicações a falar do dia dos namorados, do outfit ideal, da maquilhagem ideal, da prenda ideal, and so on. Lembrei-me de dar a minha colherada também, que isto nem era dia se eu não viesse aqui dizer que não gosto.

Apesar de uns momentos pirosíssimos amiúde, não somos propriamente lamechas - eu sei, eu sei: ninguém o diria, dado que 50% do casal ocupa os tempos livres a escrever textinhos pseudo-românticos e foficoisos, mas prometo que ao vivo somos mais fixes do que isto.

Ora, este é o nosso primeiro dia dos namorados juntos, a não ser que ele se lembre de me mandar pastar hoje ou amanhã, o que, vá-se lá saber porquê, coincide com a primeira vez em que eu tenho um valentim* comigo - que, graças a deus, não se chama valentim. Portanto, a pessoa está toda louca e mortinha por comemorar, certooooooo?

Errado.
Parece-me importante referir que me enche de orgulho confirmar que, afinal, não era uma dose de recalque e duas de dor de corno que me faziam revirar tanto os olhitos nos últimos 21 dias dos namorados, por não ter um tchutchuzinho com quem fazer um facebook de casal. É só mau feitio mesmo.

Não vou fazer de conta de que estou zangada por ir ver o meu rapaz a meio da semana, coisa que, infelizmente, só acontece de longe a longe - mas sem velas, balões ou ursinhos a dizer i love you. Confesso-me medianamente assustada com a perspetiva de sair de casa nesse dia, ou vá, noite, e ter de assistir a endoscopias, feitas com a língua, no meio da rua, pedidos de casamento, surpresas escandalosas, sabe deus. Ou nem deus sabe, que até tapa os olhitos para não ver.

É dia dos namorados mas, tal como nos restantes 364 dias, a pessoa só quer encher o bandulho sem outras declarações de amor que não as de todos os dias, daquelas que muitas vezes nem precisam de ser faladas. Basta-me a companhia, basta-me o carinho, bastam-me os gestos mais simples e a certeza de que afinal sempre estava certa a minha avó quando dizia que, quando deus faz uma panela, faz logo um testo para ela - afinal não sou uma frigideira, yay!

Aproveitem o amor sem preços, sem competições para ver quem dá o melhor presente, quem faz a maior surpresa só porque o mundo decidiu que a 14 de fevereiro é dia de estourar o ordenado para mostrar que se ama alguém. 

Estamos cá todos os dias e qualquer outro dia é um excelente dia para surpresas e comemorações que, além de ficarem muito mais baratas, quando não feitas todas ao mesmo tempo, tornam o mundo um local muito mais suportável. Sejam felizes, pá! 
(e preservem a língua dentro das vossas bocas em público.)

*somos todos traduções manhosas

1 comentário:

Patife disse...

Ainda assim acho que "Dia dos Amantes" vendia melhor. É mais abrangente, mais sexy, menos infantil e menos piroso. ;)