01/11/16

o gajo ideal

Acreditem quando vos digo que ser gaja a tempo inteiro é muito mais desgastante do que qualquer emprego: há uma certa bipolaridade inerente à condição, e isto é muito mais complexo do que se possa imaginar.

Por força de todas as catástrofes sentimentais que deus nosso senhor me mete em mãos, só para gozar com a minha cara, acabei por me aperceber de algo sobre mim mesma, que acredito que seja comum ao restante gajedo que habita este mundo: inconscientemente, tenho uma lista mental daquilo que seria o gajo perfeito.

Baseada nas experiências anteriores, uma pessoa começa a pensar ah, eu não gostava que este só me mandasse mensagem de três em três dias, então quero um que faça questão de saber diariamente se eu ainda respiro. Ou uhmmm, de cada vez que este gajo sai à noite, eu imagino-o num festival de mamas saltitantes a fazer endoscopias com a própria língua a todas as criaturas portadoras de uma vagina, ou não, então eu prefiro um pacato que prefira o calor de uma lareira para passar o serão a fazer crochê. Ou ainda este aqui é cheio de manias esquisitas e pensa que os alperces são pêssegos pequeninos, quero é um simples que perceba estas coisas.

Um dia, minhas caras alforrecas, a magia acontece: livres que nem um passarinho, encontram o gajo ideal. O gajo que parece ter sido feito à medida das vossas exigências, o enviado especial de deus para satisfazer todos os vossos desejos e para fazer de vocês a mulher mais feliz do mundo.

E o que é que vocês sentem?
*badum tsssss*
Asco!

No more, no less: o gajo ideal existe, mas é mais fácil vocês imaginarem-se a ter uma noite louca com o Marco Paulo do que com a criatura em questão, porque ele é uma seca. O gajo ideal não dá trabalho nenhum, não vos desafia, não vos dá motivos para resmungar, e isso torna-o num molengão insuportável aos vossos olhos.

Estúpidas como só as gajas conseguem ser, preferimos sempre os patetas que nos dão problemas e que inspiram dramas intermináveis. A pessoa imagina sempre um romance foficoiso mas, no final das contas, prefere o caos - e um amor de faca e alguidar.

2 comentários:

Agridoce disse...

Tive essa conversa há dias com a BFF... Nós não queremos um homem que não seja capaz de escolher a porcaria de um filme para vermos!...

Não sei se temos de chegar ao extremo do drama mas, como em tudo na vida: equilíbrio e meio termo...

L. das horas disse...

Tenho pensado nisso. Acho bem verdade... ou seremos nós que gostamos de ter trabalho?