quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

as feministas, o sexo e o bacalhau

Contra o movimento feminista, tenho absolutamente nada. O que me enerva realmente é que este acabe por ser representado por gajas raivosas, que nos saltam para o caminho, em protesto, denegrindo e ridicularizando um movimento que tinha tudo para ser benéfico. Acalmem lá o pito!

As mulheres não são santas, desculpem. Não são pepitas e ouro, não são puros diamantes incompreendidos; são seres humanos, tão falíveis quanto o resto dos comuns mortais. Desculpem, mais uma vez, se se esqueceram disso algures durante o processo de beatificação de tudo quanto é portador de uma vagina.

Curiosamente, este grupo de criaturas iluminadas que tanto quer exaltar as mulheres como sendo seres superiores, começa por a inferiorizar tanto quanto pode; a mulher é sempre a coitadinha que precisa de trinta e sete gajas de mamas empinadas a dizer-lhe que é linda, poderosa, a maior, a melhor. É uma matemática curiosa esta: na luta pela igualdade de direitos, começam por reduzir o valor da mulher a pó só para, logo em seguida, mostrarem que ela é bem melhor do que o homem. A igualdade fica perdida algures entre a síndrome da coitadinha e o auge da presunção. Não entendo. A minha vagina deve ter vindo com defeito de fabrico e eu nunca notei.

Escrevo isto porque me surgem no feed do facebook, com maior frequência do que seria desejável, sabe deus porquê, publicações feitas por uma iluminada cuja página fala, essencialmente, mal dos homens e de sexo. Sobre como adora foder, sobre como poucos são os homens que sabem fazer um minete, sobre como adora fazer um bom broche - e não, esta não é a minha escolha de palavras habitual. Escusado será dizer que isto me parece uma velha saudosista a relembrar as memórias da juventude, porque, claramente, é falta de sexo.

Quando alguém reclama do conteúdo, a mulher, que é mal educada que dói, alega sempre que já lá vai o tempo em que a mulher tinha de permanecer calada e que tem todo o direito de falar de sexo, se lhe apetecer. E tem, mas vamos lá ver a coerência da coisa: querem colocar-se ao mesmo nível de qualquer homem mas, se as mesmas publicações fossem feitas por um macho, este seria um porco nojento que não tinha nada que andar a falar sobre essas coisas em público, e era o deus me livre.

Vejamos: eu gosto de bacalhau, adoro bacalhau. Bacalhau com natas, bacalhau à Brás, bacalhau com broa, bacalhau no forno, bacalhau à Gomes Sá - mas não é porque eu adoro bacalhau e me sinto livre para falar disso que vou passar a vida a chatear as pessoas com as minhas preferências na hora de comer bacalhau. Ou sobre como sou feliz quando alguém me faz um bacalhau com natas mesmo bom. Ou sobre como acredito que faço o melhor bacalhau com broa do mundo. Estão a ver? Era chato se eu vos dissesse isto todos os dias. O sexo é igual ao bacalhau. 

Não há nada de errado em gostar de sexo, nem tão pouco em falar-se de sexo. Mas limitar toda e qualquer conversa a esse tema porque agora as mulheres soltaram a franga e acham que essa é a melhor forma de se afirmarem, estraga tudo. Podem ser pessoas interessantes sem contarem ao mundo o que é que mais gostam na cama. Não têm de se deixar chegar a pontos ridículos para mostrar que uma mulher pode falar do que quiser. Não sejam badalhocas.

3 comentários:

i. disse...

"Ou sobre como sou feliz quando alguém me faz um bacalhau com natas mesmo bom." Depois de saber para que é que isto foi uma analogia, não me pude deixar de rir a pensar que agora começaríamos a chamar-lhe bacalhau com natas.

Jota Esse disse...

O sexo é igual ao bacalhau, mas, bem lavadinho e perfumado, passa bem por uma rosa. eheheheheh
Falando a sério, espero que depois de velho (loool), não me dê para isso, mas há pessoas que são exatamento como dizes. E não só mulheres e feministas. Há homens cujas conversas se resumem a dar conselhos ou a criticar quem não faz/gosta como eles.
A minha Maria tem um tio que deixou de fumar por volta dos 50 anos. Pois aquele bicho dum cabrão (expressão bem alentejana eheheh) meteu nos cornos que, tal como ele, todo o mundo tinha que deixar de fumar. Mal um gajo metia um cigarro aos queixos (eu naquele tempo ainda era fumador), o tipo começava logo a abanar a cabeça e a criticar, como se ele não tivesse também sido fumador, pelo menos durante 25 anos.
Como dizia o Herman: tudo o que é demais, "abunda". xD

ernesto disse...

i, passaria despercebido por entre multidões. A popularidade do bacalhau aumentaria, toda a gente procuraria a receita do melhor bacalhau com natas. E acabavam sempre convencidas de que o marido da vizinha tinha mais jeito para o bacalhau do que o seu xD

Jota esse, isso irrita-me mesmo, sabes. Para mim é exatamente igual a ser repreendida por alguém com uma religião manhosa que não compreende a minha falta de fé e julga que me pode converter. Não pode.
Se és feliz como és, com aquilo em que acreditas, com as batalhas que travas, ótimo. Mas esse não é um problema meu xD irrita-me mesmo mesmo mesmo que tentam mudar a vida de toda a gente. Podemos e devemos prevenir alguém se acharmos que determinado comportamento é errado ou a vai prejudicar, mas não temos o direito de a tentar converter aos nossos ideais.