29 de dezembro de 2017

ele

É bonito. 
Não o tipo exageradamente bonito que é escolhido para fazer anúncios de shampõs e carros desportivos, mas bonito numa simplicidade sóbria que me embebece todos os dias. Está tão longe da perfeição quanto qualquer outro comum mortal, mas foi  o escolhido para protagonizar a minha vida a par comigo - e, volta e meia, ainda me questiono sobre como foi um gajo tão bonito olhar para mim.

É compreensivo. Tenta sempre entender os outros sem os julgar e nunca é mau - é, na realidade, muito melhor pessoa do que eu. Esforça-se por ver sempre o melhor lado de cada um, ainda que seja difícil.

Provavelmente, uma das pessoas mais desligadas dos bens materiais que eu conheço - prefere dar, sem receber em troca e, apesar de ser tão sovina quanto eu (quando deus faz uma panela...), está sempre atento, sempre a tentar perceber se preciso de alguma coisa, sempre pronto para me ajudar. E, apesar de ter trazido um orgulho filho da puta comigo do útero e me custar imenso deixar que ele me dê o que for, não posso senão admirá-lo. E gostar dele, cada vez mais.

Temos uma forma muito própria de sermos nós; não caprichamos no mel nem somos dados às celebrações banais. Somamos dias à história e histórias aos dias um do outro, todos os dias especiais, todos os dias com o mesmo sentido em nós, deixando que os meses se somem tranquilamente e em silêncio. Já lá vão uns quantos, mas nunca lhes damos ênfase, nunca escolhemos uma data oficial. Estranhos, nós. Estranhos felizes.

Somos diferentes, mas nunca tentámos deixar de o ser - às vezes concordamos um com o outro, outras vezes não. Discutimos também, volta e meia, quase sempre por assuntos triviais, quase sempre por querermos ser donos da razão até percebermos que não há uma razão universal e que tudo é relativo e variável. Nunca fomos demasiado parecidos, nunca quisemos sê-lo - caminhamos com as nossas diferenças, aprendemos a aceitá-las e encerramo-nos em abraços onde não resta espaço para dúvidas.

1 comentário:

Jota Esse disse...

O mais apropriado que encontro para uma ocasião destas, é o refrão de uma canção romântica (lamechas?) brasileira que me veio à memória.

Você me abraça e a tristeza vai embora.
A dor que existe, fica da porta pra fora.
A gente briga, mas é coisa que acontece,
Logo o coração esquece,
Porque a gente se adora.
:)
Feliz ano novo!