30/05/13

o que importa é que ninguém descobriu

Apesar de estar a congelar, a necessidade de mexer o fat ass assim naquela de não me tornar ainda mais lontra do que já sou falou mais alto e ontem sempre me decidi a sair de casa e ir à aula de aeróbica. Como vou com a minha prima e a nossa excentricidade não é suficiente para nos darmos ao trabalho de ir de carro a um sítio onde chegamos em dois ou três minutos a pé, patrícia pôs as patas ao caminho.

Ora, como há gente que se atrasa ainda mais do que eu, quando lá cheguei, assolapei o cu no chão e entrei em transe. De repente, comecei a sentir um cheiro diferente no ar. Não havia dúvidas; alguém estava a espalhar uma incrível fragrância a merda pura. O meu primeiro pensamento foi porra, a pita deve estar toda cagada. Até que percebi que era eu.

Não estava cagada, entenda-se, mas pisei merda quando ia para lá, e ainda não tinha reparado. Entretanto, a aula começa. Com isto, comigo a circular, começa a ficar um cheiro horrível no salão. Começaram todos a comentar que deviam andar a espalhar estrume nas terras ao pé do rio, e o vento devia ter trazido o cheiro. Então o que é que fizeram? Fecharam as janelas. Escusado será dizer que piorou, certo?

Certo. Mas o pior mesmo foi quando começámos a fazer o aquecimento. Como não estava com grande vontade de explicar àquela gente toda que, afinal, a fedorenta era eu, decidi fazer-me de entrevada e recusar-me a encostar os pés ao cu. Meh, lindo. Especialmente porque é quase toda a gente mais velha do que eu.

Entretanto, tive de pensar numa solução rápida. Fingi-me mal disposta e fui para a rua. Buuuum. Vieram duas criaturinhas atrás de mim. Por sorte, tinham trancado as casas de banho à chave, e sempre tinha uma desculpa para ir à rua.

Tcharaaaam. Vieram atrás de mim. Queriam que fosse mijar ao cantinho do jardim. Uhmuhm. Lá lhes disse que não, que só queria apanhar ar, enquanto limpava o pé assim como quem não quer a coisa.

Já com tudo nos conformes, volto para dentro. De janelas fechadas, o salão cheirava horrivelmente mal. Para não parecer suspeita, comecei, também eu, a queixar-me do cheiro, e a dizer que talvez alguém tivesse pisado merda, enquanto levantava os pézinhos inocentemente para mostrar que tinha as sapatilhas impecavelmente limpas. Porque estavam, senhores, estavam. E, graças a isso, ninguém faz ideia de que afinal o estrume não estava na terra. Estava lá dentro.

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