30/10/13

reflexões de uma mente perturbada

Assusta-me o carácter irrecuperável do tempo. Na vida quotidiana, trabalhamos num feriado e ganhamos uma folga extra para gastar quando apetecer; mas o tempo real, aquele que define realmente a nossa vida, não. Se perdermos um dia, não há absolutamente nada a fazer, a não ser aproveitar os outros.

Acho que me apercebi disto ontem, enquanto procurava um sítio quente para esperar que chegasse a hora da minha aula de condução. Não é em todos os momentos que tenho consciência de que o segundo que acabou de passar, se perdeu para sempre e que eu não fiz nada com ele, mas quando tenho, é assustador.

Passamos a vida a queimar tempo à espera do amanhã. Falo por mim – estou sempre a adiar-me, a convencer-me de que posso fazer amanhã o que não quero ou não tenho coragem de fazer hoje. E entretanto, vou desperdiçando mais umas horas enquanto aguardo que me chegue a vontade ou a coragem de fazer alguma coisa. E este é  o tal tempo perdido que daria muito jeito poder gastar mais tarde – ou então, aproveitá-lo agora.

Mas não. Nós somos estúpidos. Somos gente estúpida que prefere sofrer a humilhar-se. Pelo amor de deus, vale mil vezes mais ser infeliz do que assumir o que nos faz realmente felizes. E afinal, amanhã ainda há tempo para o fazer. Ou depois. Dizem que o nosso tempo acaba por chegar, lá há de vir o dia em que nos riremos disto. Mas talvez o dia nunca chegue, porque talvez continuemos a adiar o mesmo momento para sempre.

Enquanto isso, a vida passa como um cigarro abandonado num cinzeiro, até que um dia se apaga. Acaba. E então, percebemos que fomos parvos, que podíamos ter feito mais, dito mais. Podíamos ter sido felizes. Só não fomos porque não quisémos.  

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