01/05/16

personalidade esponja

Devem existir poucas formas mais tristes de se existir do que sentir a necessidade constante de fingir ser-se o que não se é para ser aceite; já todos tivémos de se adaptar a algo ou a alguém, mas não acredito que isso implique necessariamente uma mudança naquilo que somos.

Se querem que vos diga, tornam-se ridículos quando o fazem: quando alguém que vos conhece bem assiste de bastidores à vossa transformação, é difícil perceber se dá vontade de rir ou de chorar. Não há nada de errado mudarem de ideias: nunca gostaram de ervilhas a vossa vida toda, mas um dia provam outra vez, sabe bem, e até passam a comer com frequência - talvez até passem a adorar, mais do que qualquer outra coisa que já tenham provado antes.

Mas, se nunca gostaram de ervilhas e um dia foram parar a um grupo de pessoas que sempre adoraram ervilhas, não adianta forçarem-se a comê-las e passarem a vibrar com as ervilhas como se essa fosse a vossa comida preferida desde o útero, e reagir como se vivessem para isso, como se as ervilhas vos fizessem chegar ao climax só de pensar nelas.

Isso pode resultar com quem não vos conhece - mas torna-vos em alguém realmente ridículo e desesperado aos olhos de quem vos sabe de cor.

1 comentário:

Joana Sousa disse...

Eu voto em dar vontade de chorar! Convenhamos que, gostando eu de ervilhas, nunca abdicaria delas só porque alguém não gosta.

Jiji