31/10/14

a rebolta do ernesto

Não sei o que me irrita mais: se perguntarem-me se eu pinto o cabelo quando, claramente, a minha cor nunca poderia ser natural, se perguntarem-me porquê. A resposta é óbvia: porque posso. E porque quero.

Estou cheia de gente igual, cheia de gente que usa o mesmo corte de cabelo durante anos e anos, que lhe falam em pintar e credo q'horror que estraga, que é feio, que vaidade é pecado. Gente que ainda usa roupa de 1839 porque, enfim, mal se nota que as traças a comeram e com este cheiro a naftalina uma pessoa até poupa no perfume. Gente para quem o mundo ou é preto ou é branco e que nunca percebeu a felicidade dos diversos tons de cinzento - gente chata, pronto. Estou cansada dos iguais, dos dias iguais, dos que não querem ser diferentes. 

Eu já nasci diferente e tenho passado a minha vida toda a tentar habituar-me a isso - mas nunca tentei ser igual. Se vou ser diferente de qualquer maneira, quero destacar-me como bem me apetecer. Por isso, meus amigos, habituem-se: se não tenho por onde fugir ao rebanho, pelo menos faço questão de ser a ovelha negra.

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