29/01/14

crónica de uma morte anunciada

Ando por aqui desde 2010 e já perdi a conta aos blogs que tive. Este foi o que teve uma existência mais longa e, de certa forma, o que mais me marcou até hoje por tudo o que foi acontecendo nos bastidores - aqueles pormenores que vos escapam, pequenas histórias, grandes histórias. Foi palco de momentos importantíssimos dos quais ninguém se deu conta. Este blog já conta mais histórias do que eu.

Não posso dizer que o apago sem remorsos, seria mentira. Acredito que só um verdadeiro blogger entenda o que é realmente escrever um blog, a forma como cristalizamos momentos, dias, sentimentos e se torna fácil voltar a eles de cada vez que relemos aquilo que já nos tínhamos esquecido de um dia ter escrito. E, tenho de confessar, que fico com pena de tudo o que consegui construir aqui - lembro-me de ter ficado eufórica por ter conseguido chegar às 10 000 visitas num ano no meu primeiro blog. O quem é que deu erva à cinderela ultrapassou as 100 000 num ano e meio. Mesmo não se fazendo um blog de visitas, fico com pena, como é óbvio. 

O problema é que isto não era para ser assim. Perdi-lhe o anonimato com o passar do tempo - deixou de ser uma ou duas amigas a ler, para passar a ser do conhecimento geral que era eu a dona disto. Foi por um triz que nenhum dos meus familiares me encontrou, e eu sempre quis manter este espaço meu, à parte de todos. E hoje descobri que até já num dos computadores da associação de estudantes o estiveram a ler, o que é especialmente interessante tendo em conta que eu detesto 930329 em cada 5 pessoas que entra naquela sala. Portanto, meus amores, este é, provavelmente, o suicídio da cinderela.

Foi bom escrever-vos. Foi bom ter-vos desse lado. Ou então não - desculpem, mas já disse que sempre escrevi mais para mim. E lamento se nunca fui a boa da blogger que vos manda beijinhos e oferece uma cesta com shampôs da avon. Ou então também não lamento. Façam de conta que eu fui boa e guardem-me assim no espaço da memória que reservam para os bloggers. Se algum dia eu voltar e quiser que me encontrem, eu procuro-vos. Até já.

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