16/02/17

ando sempre semi desaparecida.

Não importa quantas vezes eu conte tudo o que me aconteceu no último ano e meio: as pessoas vão continuar a não perceber como é que cheguei a este ponto de desespero, de desânimo, de desamor. Desamor pela vida, essencialmente.

Dentro e fora de mim, é difícil encontrar pontos positivos: a minha vida é um carrocel estranho que sobe três metros e desce oito quilómetros a pique, de forma misteriosa e aparentemente impossível. Talvez não seja bem assim - se calhar é o desenrolar constante de tramas infelizes que me fazem encarar cada acontecimento banal como algo catastrófico. Não digo que não - mas o cansaço é tanto e preciso tanto de momentos felizes que sinto que posso cair de joelhos a qualquer instante.

Posso dizer mil vezes, e vão continuar a não entender o vazio que trago no peito.
É como se nada batesse certo. Olho à minha volta e vejo as pessoas a seguirem com as suas vidas, a serem felizes, a sentirem-se especiais, e não encontro o meu lugar no meio dessa multidão. Sinto-me sozinha, estupidamente sozinha, e farta: os poucos momentos bons que escapam à regra parecem só servir para me torturar mais no fim. Porque tudo passa, menos esta fase filha da puta em que mergulhei de cabeça. Há um ano e meio.

A maior parte dos dias parecem-me um desperdício de tempo: deito-me tarde e adormeço embalada pelas lágrimas. Acordo frustrantemente tarde também, mas sem pressa - a sensação de inutilidade é mais poderosa do que qualquer outra que se lhe tente impôr. Quero sair disto mas falta-me força, falta-me coragem, falta-me apoio.

Voltaram os ataques de ansiedade - a sensação de que o ar não me chega, de que o coração me quer saltar do peito. O corpo trémulo, o pensamento confuso. A sensação de que está tudo errado que só é substituída por essa mesma certeza - e as lágrimas. Não tive saudades do tempo em que eram uma constante, mas decidiram reinstalar-se em mim.

Foi hoje. 
Foi hoje que me caíu a ficha, foi hoje que chorei tudo o que tenho andado a esconder de mim mesma para me esquecer. Mas não esqueci - e foi hoje. Foi hoje que chorei tudo o que não entendo.
E continuo.

Sem comentários: