21/02/17

eu hoje tinha acordado feliz.

Quando era mais nova e gostava de alguém, era o mais parva que conseguia para a pessoa, até ele achar que eu não o suportava. Dessa forma, não lhe ocorreria que era por ele que o meu coração adolescente se dava ao luxo de bater descompassado - cresci a ensinar a mim mesma que não era suficientemente boa para gostar de alguém, que gostar era coisa de gente normal e eu nunca faria parte desse grupo.

Nessa altura, doía, mas tinha como trunfo a noção de que nunca havia tentado. Estava consciente de que o facto de ser impossível era uma lição que eu tinha ensinado a mim mesma, ninguém me disse, ninguém me mostrou. Ninguém me fez senti-lo: eu decidi que assim teria de ser.

Agora é diferente. É pior.
Passaram poucas pessoas pela minha vida, e pouquíssimas foram as que me tocaram realmente - ainda assim, parecem surgir com o propósito de me provar que, no final das contas, ensinei a mim mesma a lição certa durtante todos estes anos: eu não sou boa o suficiente. Já ouvi de tudo: que sou boa miúda, que tenho um coração do tamanho do mundo, que sou única, que é muito difícil encontrar alguém como eu. Mas que não chego. Na hora de ser mais, sou sempre deixada a gostar sozinha, a ser uma pepita de ouro ímpar que não merece mais do que um lugar na plateia. Falta sempre qualquer coisa. Sempre.

Sei que não sou bonita, que nunca o vou ser. Sei que não há roupas giras nem toneladas de maquilhagem que me façam parecer normal - não nasci normal e é assim que serei sempre. Também sei que não tenho o feitio mais fácil nem sou a encarnação da madre tereza de calcutá, além de que tenho medos e cicatrizes, colecionados ao longo de todos estes anos, que me tornam complicada. Sei de tudo isso, mas continuo a achar que não tenho defeitos que justifiquem isto - sentir que fico sempre aquém consome-me. Não sou capaz de entender o que me falta e porque raio parece que a felicidade me é sempre vetada. Eu não sou perfeita, mas merecia mais. Também merecia ser feliz volta e meia.

Estou cansada. 
O golpe mais duro é este: fazerem-te acreditar que está tudo bem, que és especial, que és única. Tratarem-te como tal. Mostrarem-te o outro lado, aquele em que sentes que alguém está ali por ti, que quer realmente estar ali por ti, que gosta genuinamente da pessoa que és, apesar de todas as tuas falhas. É veres o que fica do outro lado do muro onde achas que podias ser mais feliz. É sentires-te desejada por aquilo que és. Sentires que alguém olha para ti como se tivesse encontrado uma raridade que não está disposto a perder. É sentires-te inebriada por um turbilhão de sensações novas, habituares-te a elas. Começas a ser um bocadinho mais feliz porque te sentes especial, sentes que afinal és alguém passível de se gostar. Afinal vales a pena, vales alguma coisa!

E depois?
O típico: és uma excelente pessoa mas... não chega.

Nunca chega. Nunca dá.
O que és é um pequeno nada que nada vale. Foi sempre assim... e é assim que sempre será.

3 comentários:

Tulipa Negra disse...

Lamento que te sintas assim. É uma bela merd@, lamento mas não existe outro termo. No entanto não partilho da tua opinião, pois não acredito que vá ser sempre assim. Acredito sinceramente que assim que TU deres o devido valor A TI PRÓPRIA, alguém também o irá fazer. Pode parecer a publicidade da matinal de: "se eu não gostar de mim, quem gostará?" mas é algo em que acredito sinceramente.

ernesto disse...

Tulipa, espero que sim. Que eu encontre coisas boas em mim também :|

Luna disse...

Tu tens coisas boas, toda a gente tem! Não é toda a gente que tem a tua sensibilidade para os doentes, por exemplo. E o sentido de humor. ;)