14/02/14

encontrei

eu já tenho perto de 30 anos e, no verão, reencontrei um "amigo" de infância. chamo-lhe "amigo" pois era só isso. ele fazia parte do grupo de amigos da minha irmã, era 1 ano mais velho e, por isso, dava-se pouco comigo, a irmã pita. ele era fantástico: alto, moreno, atlético, tinha um cão, gostava de cinema e fotografia... o típico adolescente por quem qualquer miúda ficava apanhadinha.
quando o encontrei, estávamos na mesma praia. eu, sozinha, ele com amigos e a namorada. ela era toda pernas altas, cabelo comprido ondulado, pulseiras engraçadas, peito excelente, bronzeado à modelo... enfim, fantástica. os amigos estavam a fazer carreirinhas e um outro desporto com uma prancha fininha, cujo nome não sei nem importa.

reencontrei-os 2 dias depois no supermercado e quando estava a falar com eles, o telemóvel dele tocou. ele afastou-se para o atender e eu fiquei, meio parva, ao lado dela, com pouco para falar. apenas nos tinhamos visto durante 1 minuto dias antes e não tinhamos nada para falar. ainda deu uma olhadela ao carrinho das compras deles, mas pensei que fazer um comentário seria inapropriado.

ela disse-me uma coisa que, por pouco, não me vez desatar aos berros: ela disse-me que, quando nos tínhamos encontrado na praia, o namorado (prefiro não dizer o nome) tinha-lhe dito que, quando ele era miúdo, tinha tido uma paixoneta por mim. ele, o rapaz giro, simpático, atlético, sempre rodeado de outros rapazes, "dreamy", tinha uma paixoneta por mim?!? a rapariga que tinha poucos amigos, que estava sempre com os olhos e nariz enfiados num livro, que vestia o 42, que tinha óculos e aparelho e não conseguia dominar o cabelo rebelde? e eu que sempre senti o mesmo por ele?!? não pode ser! mas é verdade.
eu gostava dele e ele gostava de mim. nunca dissemos nada um ao outro. eu achei que ia ser parvo, infantil, imaturo. afinal de contas, ele era amigo da minha irmã, popular, atlético... por que raio haveria de olhar para uma rapariga com excesso de peso, borbulhas, óculos e cabelo desregrado? fui estúpida e parva e agora... nicles pickles.
quando ele se juntou novamente a nós, eu devia estar com uma cara de parva que nem consigo imaginar. seguiu cada um para seu lado e pronto. quando ela me disse isto eu não pude evitar pensar que ele podia ter sido meu namorado, eu podia estar agora com ele no supermercado, de férias. mas não. não estava, e não estarei. ele está feliz com ela e desejo-lhes o melhor de tudo da vida, mas quando ela me disse aquilo, não consegui evitar pensar "e se eu lhe tivesse dito alguma coisa"? talvez eu tivesse sido mais popular na escola, talvez me tivesse dedicado mais à fotografia, talvez tivesse emagrecido porque fazia desporto com ele... tantos "e se" e "quem sabe se".
moral da história e lição para a vida: ARRISCA! ninguém vai lutar por ti pelas coisas que tu não estás disposta a lutar.

Talvez eu nem devesse meter isto aqui, mas encontrei esta história num comentário no shiuuu e achei que era uma boa lambada de luva branca, demasiado boa para ficar ali, perdida. Vale a pena ser lida por todas as miúdas inseguras de cabelo desgrenhado que vivem de nariz enfiado num livro e acham que todo o mundo lhes é superior. Se calhar, é mesmo, sei lá, mas de vez em quando, sabe bem acreditar que não. Só de vez em quando.

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