10/02/14

vidas tristes

Honestamente, nunca achei muita piada aos meus olhos por serem pequenos e me deixarem algures entre o chinesa e o toupeira. Como se já não bastasse, desde que descobri que o eyeliner os faz parecer maiores, que decidi encarnar um panda também. Sou linda e maravilhosa, portanto.

Agora, no meio de toda a minha anormalidade, até a cor tinha de sair estranha. Já os tive pretos. Já os tive castanhos escuros. De repente, não sei muito bem desde quando, passei a tê-los castanhos, verdes ou cinzentos, dependendo do humor, do estado do tempo, da posição dos astros, eu sei lá. E isto parece sempre muito giro quando contado aos outros, mas eu não acho piada nenhuma - juro que é estupidamente frustrante. Por mais estranho que pareça, mudam de cor em coisa de segundos, dependendo do que a conversa ou os meus pensamentos me fazem sentir. Yup. Normalíssima. Felizmente, é raro alguém reparar - mas diz quem viu que é kinda assustador.

O drama começa quando eu, que sou a autora de uma lista interminável de coisas que detesto em mim, acabo por gostar de alguma cor. Como aquela vez em que ficaram cinzentos com uma parte alaranjada. Ou no sábado que ficaram completamente verdes, sem uma única pinta de castanho. Estavam bonitos, juro que estavam! Mas depois, tão depressa como ficaram com essa cor, ela desaparece que nem um peido ao vento e dificilmente os volto a ver iguais. A não ser, claro, que chore. Aí ficam - a não ser que esteja tão triste que eles decidam ficar pretos - verdes. Ironicamente, é quando gosto mais deles. 

Em último recurso, posso virar uma maria madalena do século xxi e andar por aí a passear de burka, feita panda a derreter por causa do eyeliner, mas de olhos verdes, ainda assim.

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