07/02/14

reflexões de uma mente perturbada

Ainda gostava de perceber como é que alguém tem paciência para livros de auto-ajuda - um dia aconselharam-me um, mas não devo ter conseguido chegar à página 10 sequer. Começou a enervar-me, e olhem que eu adoro ler. Aquilo não funcionava para mim.

É inconcebível ter alguém a dizer-me o que devo fazer, como me devo comportar, perante esta e aquela situação, como se tudo o que nos acontece na vida estivesse predefinido e fosse igual para todos, passível de se tornar regra e se escrever um livro de instruções. Deixem-se de merdas. Se nem eu sei da minha vida, certamente não serão vocês que terão as respostas às minhas dúvidas. Nem vocês, nem um livro qualquer de cento e cinquenta páginas a dizer-me que tenho de me amar and so on.

Pelo amor de deus, façam o que quiserem. Não se prendam pelos outros, não andem feitos cegos a tatear a escuridão segundo as instruções daqueles que veem, ou que dizem que veem. À partida, vocês também foram dotados de alguma consciência e racionalidade e, posso garantir-vos, ninguém sabe da vossa vida melhor do que vocês. 

Aprendam a não se contrariar - ninguém vos vai agradecer por passarem a tarde a aturar uma velha com a casa a cheirar a couves e a gatos, em vez de terem saído com os amigos. Ou talvez agradeçam, mas não vos vão restituir o tempo que perderam a desejar que as horas avançassem mais depressa. As perdas de tempo existem. Sentiram? Acabaram de perder mais dois segundos. Dois segundos que nunca, de jeito algum, conseguirão recuperar. E com isto perderam mais quatro ou cinco, e a contagem não pára. Não somos eternos; se querem ir, vão. Se querem falar, falem. Não se deixem paralisar pelo medo, não se deixem paralisar pelos outros - eles não estão tão interessados assim nas vossas vidas, prometo. As pessoas são estúpidas e, eventualmente, vão deixar de vos falar. Um dia cruzam-se no talho e desviam o olhar, como se no passado não tivessem partilhado alguns dos melhores momentos das vossas vidas. Não se importem com elas. Elas batem com a porta a qualquer momento. Não deixem que isso vos deixe perdidos - vocês existem além de quem quer que seja. Podem decidir sozinhos, podem ir sozinhos, podem fazer sozinhos. Façam o que querem, façam o que vos apetecer. A principal razão para existirem pessoas estranhas, é o facto de as outras viverem em rebanho - tudo tão controlado, tudo tão igual. Não pensam que a ovelha que se perde pode até encontrar um caminho melhor.

Não vos vai ser reservado um quartinho no céu, com vista para o mar, só porque passaram a vida a fazer o politicamente correto. Há erros que valem muito a pena - outros que se pagam em prestações para o resto da vida, mas é um risco. Um risco que, a meu ver, vale a pena correr. Ninguém sabe de nada, ninguém sabe como viver, não acreditem em quem vos diz que sim. Vão por vocês próprios - não ensaiem, vão de improviso. Pode ser que corra bem.

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